A história de que me lembro
Há bastantes anos foi criado o primeiro grupo de conselheiros das comunidades, que tinha já como objectivo ajudar o Governo, informando-o dos factos importantes que preocupavam as Comunidades ou sugerindo soluções para os problemas existentes.
Esse grupo contava um certo número de Conselheiros escolhidos pelo Governo entre residentes dos países que representariam.
Depois de vividas várias situações de incompreensão e conflito, o que conduziu à demissão de alguns Conselheiros (alguns homens de grande vulto comunitário), o Conselho das Comunidades cessou a sua actividade.
Mais tarde, aquando a responsabilidade da Secretaria de Estado das Comunidades estava a cargo do socialista José Lello, resolveu este relançar a mesma estrutura, mas desta vez criando-a por intermédio de eleições a realizar nas Comunidades. Foi-me por ele pedida opinião sobre o empreendimento, fui claro: “vai ser um sarilho pois não há gente de qualidade interessada por tal cargo e será um pódio para quem o quiser atacar, ou o PS ou o Governo. Para além disso é factor de divisão das Comunidades por razões pessoais ou políticas e ainda por cima sai caro ao País; a única coisa positiva é que introduz eleições para os emigrantes”. José Lello retorquiu-me que não fazia mal, pois assim ficaria a conhecer os seus inimigos, o que aliás se revelou rapidamente exacto.
Também nessa altura eu e outros membros da comunidade manifestaram o interesse de um maior número de Deputados, o que na nossa opinião seria muito mais pragmático que Conselheiros sem “voz activa” na Assembleia.
Mas como não era essa a opção, para Conselheiros apresentaram-se então várias listas associativo-políticas, mais ou menos declaradas em todo o Mundo Comunitário. As eleições foram democráticas e os Conselheiros em França foram eleitos por 0,04% dos portugueses aqui residentes, isto é: menos de 3200 emigrantes elegeram os Conselheiros que deveriam representar todos os portugueses de França!
Eu tive a sorte de ter de me excluir da lista que encabeçava por... ter perdido a nacionalidade portuguesa. Há males que vêm por bem, no Consulado de Paris, alguns “amigos que me queriam bem” entenderam que por eu ter adquirido a nacionalidade francesa não me podia apresentar a essa eleição. Toma! Pois bem, dei o lugar ao segundo da lista que foi eleito, bem como o terceiro, que mais tarde foi o presidente do CCP e que até teve medalha do Presidente da República e tudo. Eu era o presidente da Coordenação das Colectividades Portuguesas de França, o segundo era um dos vice presidentes e o terceiro era o Director executivo, empregado da estrutura, grande conhecedor da Comunidade e militante confirmado, diga-se em abono da verdade.
Os sarilhos e desavenças políticas surgiram, a despesa foi aumentando, muito foi dito pouco foi feito; entre esperas e desorganizações foram-se fazendo dezenas de viagens, alguns compatriotas andaram a “cantar de galo”, mostrando-se a todas as janelas.
Não vislumbrei grande obra feita pelos Conselheiros das comunidades.
“ Vão falando que o vosso falar tem graça”, mas nada de concreto.
Aquilo que se passa agora:
Na sua versão mais recente, esta estrutura recebeu na sua composição 10 Conselheiros nomeados. Não percebo a razão e não concordo com o método.
Depois das últimas eleições e nomeações ainda não me apercebi que algo tenha mudado nas comunidades ou que para lá caminhe!
É claro que a opinião que dei ao camarada José Lello não mudou nada desde então, pelo contrário, reforçou-se, com apoio na observação das (não) realizações do CCP.
Para explicar de maneira mais clara a minha opinião, devo dizer que não entendo que um certo número de indivíduos, muitas vezes sem bases suficientes para representar seja quem for, eleitos por tão poucos, sem possibilidade de levar as eventuais sugestões à Assembleia da República, possa representar um terço dos cidadãos de Portugal.
Quanto a mim, os Conselheiros das Comunidades, são uma simplificação depreciativa da maneira de governar aqueles que tiveram de abandonar o País por lá não haver condições normais de vida.
É por estas razões que entendo, que só um número equilibrado (seguramente muito superior ao actual) de Deputados, em representação dos diferentes círculos de emigração, pode ser útil a Portugal e às populações emigradas. Na condição porém, que, contrariamente ao que acontece hoje, esses Deputados sejam originários dos círculos que representem (como os Conselheiros).
Conselheiros Consulares:
Trata-se de uma estrutura acabada de inventar, que no âmbito actual me parece desnecessária, duplicada e incoerente; será que os Conselheiros eleitos não chegam? Nesse caso seria necessário eleger um maior número.
A razão prende-se com o facto de se tratar de pessoas idóneas com uma forte experiência da região que representam, à priori os Conselheiro do CCP também... e são vizinhos!
Os Conselheiros Consulares, quanto a mim devem ser os funcionários consulares que se ocupam dos vários aspectos da vida comunitária: associativa, cultural, social económica etc...
Devendo esses ser também pessoas oriundas da comunidade, com conhecimentos comprovados nas diferentes áreas e com contratos de trabalho assegurando a estabilidade do posto.
Uma só pergunta: quem é que em Portugal percebe alguma coisa do que se passa nas comunidades?
...Ou duas: A quem é que isso interessa?
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