Quando algo me surpreende e me dá vontade de reagir, escrevo! O desabafo alivia e partilhar com os outros acaba sempre por abrir portas que dão para horizontes mais largos.
vendredi 30 décembre 2011
mercredi 14 décembre 2011
Alguma vez o Primeiro ministro terá razão
Acabo de ler no Económico do dia 4/12/2011 um artigo que transcreve algumas afirmações e considerações do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, intitulado: “Crise portuguesa não é culpa de Sarkozy ou Merkel”, que começa dizendo que “Passos Coelho defende um Governo económico europeu e retira culpas a Merkel e Sarkozy no caso português” e que afirmou hoje, no Porto, que a crise portuguesa “não é culpa do senhor Sarkozy ou da senhora Merkel”, apoiando os dois líderes europeus “na defesa de um reforço da liderança económica europeia”.
Passos Coelho acha natural que os países “indisciplinados que colocam em risco outros”, entendam que os mais ricos que emprestam dinheiro exijam garantias. Nada disto me choca. Não me surpreende também que o Primeiro Ministro afirme que em Portugal, quem tem a culpa da crise não é Merkel nem Sarkozy, mas sim quem conduziu Portugal até aqui. Não me admira a lição de moral, ao dizer que “era bom que, aqueles que contribuíram por acção ou omissão para esta dívida e esta ilusão, tivessem a humildade de reconhecer que a culpa do que se está a passar em Portugal não é do senhor Sarkozy, nem da senhora Merkel nem da Europa”. Concluindo que “foi de todos quantos prosseguiram um modelo de desenvolvimento que não era realista nem ajustado nem justo”. Até parece à primeira vista que o Senhor Primeiro Ministro tem razão, falta no entanto clarificar um pouco o seu discurso. Se a culpa é do “modelo de desenvolvimento” também é da Europa e mesmo de muito mais longe, pois o modelo vivido nestes últimos anos, nomeadamente desde 2008, não é Português mas sim universal. Quanto aos líderes da França e da Alemanha, como os outros líderes, têm culpa de: primeiro terem aplicado o modelo que “não era realista, nem ajustado, nem justo”, causador de consequências desastrosas para milhões de Europeus; depois porque desde o início da crise levaram mais que tempo a propor soluções, refiro-me aqui às culpas de Merkel e Sarkozy, os outros têm culpa de não terem feito nada para emendar os erros... Para ficarmos ainda mais esclarecidos gostava de saber a quem se refere o Dr. Passos Coelho quando fala de “quem conduziu Portugal até aqui”. Será do seu predecessor? Ou dos seus predecessores? A segunda hipótese parece-me a boa, pois convém que ninguém esqueça quem governou Portugal de há vinte anos a esta data. Para memória:
Primeiros Ministros:
1985-1995, Dr. Cavaco Silva; 1995- 2001, Dr. Durão Barroso e Dr. Santana Lopes;
Presidente da República:
2006-2011, Dr. Cavaco Silva.
Se atendermos que o melhor período de crescimento, foi no Governo socialista de António Guterres (1995 a 1999) e que na governação Sócrates a situação só se agravou em 2008 com o despoletar da crise mundial. Parece-me que a recomendação da humildade tem de ser muito bem reflectida para evitar o ridículo.
Já não estamos em campanha eleitoral!
In Lusojornal du 14/12/2012, por Aurélio Pinto
Passos Coelho acha natural que os países “indisciplinados que colocam em risco outros”, entendam que os mais ricos que emprestam dinheiro exijam garantias. Nada disto me choca. Não me surpreende também que o Primeiro Ministro afirme que em Portugal, quem tem a culpa da crise não é Merkel nem Sarkozy, mas sim quem conduziu Portugal até aqui. Não me admira a lição de moral, ao dizer que “era bom que, aqueles que contribuíram por acção ou omissão para esta dívida e esta ilusão, tivessem a humildade de reconhecer que a culpa do que se está a passar em Portugal não é do senhor Sarkozy, nem da senhora Merkel nem da Europa”. Concluindo que “foi de todos quantos prosseguiram um modelo de desenvolvimento que não era realista nem ajustado nem justo”. Até parece à primeira vista que o Senhor Primeiro Ministro tem razão, falta no entanto clarificar um pouco o seu discurso. Se a culpa é do “modelo de desenvolvimento” também é da Europa e mesmo de muito mais longe, pois o modelo vivido nestes últimos anos, nomeadamente desde 2008, não é Português mas sim universal. Quanto aos líderes da França e da Alemanha, como os outros líderes, têm culpa de: primeiro terem aplicado o modelo que “não era realista, nem ajustado, nem justo”, causador de consequências desastrosas para milhões de Europeus; depois porque desde o início da crise levaram mais que tempo a propor soluções, refiro-me aqui às culpas de Merkel e Sarkozy, os outros têm culpa de não terem feito nada para emendar os erros... Para ficarmos ainda mais esclarecidos gostava de saber a quem se refere o Dr. Passos Coelho quando fala de “quem conduziu Portugal até aqui”. Será do seu predecessor? Ou dos seus predecessores? A segunda hipótese parece-me a boa, pois convém que ninguém esqueça quem governou Portugal de há vinte anos a esta data. Para memória:
Primeiros Ministros:
1985-1995, Dr. Cavaco Silva; 1995- 2001, Dr. Durão Barroso e Dr. Santana Lopes;
Presidente da República:
2006-2011, Dr. Cavaco Silva.
Se atendermos que o melhor período de crescimento, foi no Governo socialista de António Guterres (1995 a 1999) e que na governação Sócrates a situação só se agravou em 2008 com o despoletar da crise mundial. Parece-me que a recomendação da humildade tem de ser muito bem reflectida para evitar o ridículo.
Já não estamos em campanha eleitoral!
In Lusojornal du 14/12/2012, por Aurélio Pinto
mardi 29 novembre 2011
Em Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro
Em Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro
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28/11/2011
Exmos. Senhores
Para divulgação, remeto, em ficheiro anexo, o texto da tomada de posição pública do Colectivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro recentemente constituído em França.
Este documento foi já enviado ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, à Presidente do Instituto Camões e a todos os Grupos Parlamentares da Assembleia da República.
Em reunião, realizada recentemente, o mesmo Colectivo decidiu promover um abaixo-assinado, que será posto a circular no início da semana.
Entretanto, uma delegação do Colectivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro será recebida pelo Embaixador de Portugal em França, Dr. Seixas da Costa, na próxima terça-feira, dia 29 de Novembro, às 17,30 horas.
Certo da melhor atenção, apresento os meus melhores cumprimentos.
Raul Lopes
Membro do Colectivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro
Presidente da Associação Portuguesa Cultural e Social de Garches
Em Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro
1. O Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro, reunido a 24 de novembro em Paris, considera que as medidas levadas a cabo pelo Governo de Portugal visam a eliminação de um direito inalienável do cidadão português residente no estrangeiro: o direito à aprendizagem da língua portuguesa.
Este mesmo Coletivo promete fazer tudo o que está ao seu alcance, no sentido de mobilizar a Comunidade Portuguesa presente em França (pais, alunos e professores) para que, unidos e solidários, lutemos pelo direito que nos é atribuído pela Constituição: o direito a aprender o nosso próprio idioma.
2. Esse direito, previsto na Constituição da República (artigo 74º: Assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa) tem sido constantemente desrespeitado. Devido a esta política preconceituosa, o cidadão português residente no estrangeiro vê-se secundarizado e descriminado, pois o Estado português não cumpre o seu dever e missão. Não há portugueses de primeira (os que vivem em Portugal) e portugueses de segunda (os que vivem no estrangeiro). Somos todos portugueses.
3. Assim, a “reestruturação total da rede de ensino do português no estrangeiro” que o Governo pretende levar a cabo até ao final de 2011 é: INCONSTITUCIONAL, LESA-CULTURA E LESA PÁTRIA.
4. O Governo decidiu suspender, a partir de janeiro 2012, a comissão de serviço a 50 professores na Europa (20 em França). As aulas serão, assim, abruptamente interrompidas a meio do ano letivo, deixando sem aulas cerca de 5000 alunos. Esta decisão, se não fosse trágica, seria, no mínimo, cómica, tal é o irrealismo e a falta de respeito demonstrada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. O Governo ameaça com novos despedimentos para o verão.
5. O Governo, a efetuar-se esta “reestruturação”, prova de uma vez por todas não estar à altura do pendor universal e universalista da língua e cultura portuguesas. A língua portuguesa (a quinta língua mais falada no mundo) não se coaduna com as mesquinhas e ridículas perspetivas economicistas desenvolvidas por políticos sem visão de futuro. A língua e a cultura portuguesas são a principal mais-valia de Portugal e não têm preço.
6. No caso da França, existem já organismos oficiais franceses que se mostraram chocados e escandalizados com estas medidas do Governo português. As autoridades francesas mostram-se mais preocupadas com o futuro da língua portuguesa do que o Governo de Portugal.
7. O “ensino do português como língua materna” deverá sobrepor-se ao “ensino do português como língua estrangeira”. O ensino da língua portuguesa deverá estar em pé de igualdade com o ensino da língua oficial do país de residência. Os nossos filhos deverão ter a oportunidade de falar, pensar e sentir em português.
8. O Ensino do Português no Estrangeiro é o principal vínculo que liga os luso-descendentes a Portugal. Sem o EPE, Portugal perderá esse pilar emocional, ficando, obviamente, ainda mais pobre. Numa perspetiva economicista, tão cara aos tecnocratas que lideram Portugal, podemos referir que os emigrantes portugueses enviam para Portugal remessas no valor de dois mil milhões de euros por ano. Esse filão poderá terminar.
9. O Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro apela à mobilização de todos os portugueses contra a “reestruturação” do Ensino do Português no Estrangeiro. Uma “reestruturação” inconstitucional que ataca as comunidades e, acima de tudo, a sobrevivência da língua portuguesa no seio dos milhões de luso-descentes que existem na Europa e no mundo.
Puteaux, 24 de novembro de 2011
Os membros do Coletivo para a Defesa do Ensino do Português no Estrangeiro
Ana Silva, professora do EPE
Ana Vicente, professora do EPE
António Fonseca, vice-presidente do Conselho Permanente do CCP
Helena Neves, presidente da ACFPI de Viroflay
Isabelle Gonçalves, presidente da ACP de Courbevoie-La Garenne
Jaime Alves, vice-presidente da AFP do Puteaux
José Afonso, presidente da AFP do Puteaux
José Azevedo, professor do EPE
José Cardina, presidente da CCPF
Júlio Frederico, vice-presidente da Filarmónica de Paris
Kathy de Azevedo, membro da direcção da AFP do Puteaux
Manuel Brito, presidente da ARCOP de Nanterre
Nuno Gomes Garcia, arqueólogo e escritor
Parcídio Peixoto, membro do CCP
Raul Lopes, presidente da APCS Garches
dimanche 27 novembre 2011
Fado yes all right
Estou muito satisfeito com a inscrição do Fado no património imaterial da Humanidade, que é a quase permanente voz de um povo que “já lavou no rio” e que hoje, que “está tudo tão mudado”, talha com o seu livro de cheques “as tábuas do seu caixão”. Agora que “o tempo cravou a garra”, só espero que ninguém nos cante “Ó tempo volta para trás”... senão nem “umas ginjinhas” nos valem.
A.P.
mercredi 9 novembre 2011
Afinal agora governar é fácil
Se analisarmos o que se tem passado em Portugal desde as Presidenciais a esta data, tudo parece mais simples do que se podia imaginar, basta ver como as coisas se passaram: depois de se ouvirem mil críticas ao Pr. Cavaco Silva, por esse país fora, depois do Partido Socialista ter dado aos seus militantes apoiadas instruções para que votassem fortemente em Manuel Alegre, o povo elegeu mais uma vez o Pr. Cavaco Silva... mais do mesmo para que tudo mude. E mudou?
Os Partidos da oposição nessa altura conseguiram destronar o Primeiro Ministro José Sócrates... para que tudo mude. E mudou... para pior!
Passou a ser necessário recorrer à ajuda externa para “salvar” Portugal. Veio a “Troika”, analisou a situação e fez as suas recomendações; o PS por solidariedade nacional assinou. Agora já se vai falando na possibilidade de ir pedir mais dinheiro à Europa... entretanto endurece-se a vida dos portugueses como nunca. Corta-se nos ordenados, nas pensões, aumenta-se o IVA! Ai não que não mudou! Os trabalhadores de todas as áreas estão cada vez mais preocupados, dos professores nem se fala. As previsões do Governo vão no sentido de obrigar os portugueses a continuar a apertar mais o cinto. Lançar a economia e a indústria não se fala ou nada se faz. Crescimento, para quê enquanto há cintos para apertar? Postos de trabalho para quê, enquanto se podem enviar os nossos jovens de casa para fora?
Não sou eu, evidentemente, que dou este conselho, foi o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, em São Paulo a representantes da comunidade portuguesa e jovens luso-brasileiros, segundo o Diário Digital (30/10/2011), a propósito dos jovens portugueses desempregados: «Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras», acrescentando que o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da «fuga de cérebros». Já assim se fazia nos anos 60... nessa altura a França pagava a Portugal cinco mil Francos por cada português que para cá viesse, será que agora dá cinco mil Euros?
Os parâmetros agora são outros, a Direita portuguesa parece esquecer que quando a crise se instalou em Portugal também se instalou em muitos outros países, tornando o futuro dos nossos jovens portugueses desempregados muito inconfortável. Pergunte-se no entanto que se um jovem desempregado em Portugal está em “zona de conforto”, em que zona está um Secretário de Estado em actividade?
Bom, se for o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, deve estar em zona de desconforto, basta ler ainda o mesmo Diário Digital: «Eu não sei o que é que o jovem que está em São Paulo, em Toronto ou em Paris quer. Eu não sei quais são seus interesses. Eu não sei, muitas vezes, quais são os interesses do meu filho»! Mas como o Governo português quer aproximar-se do jovem luso-descendente, espera que esse jovem lhe diga de que maneira. Para que servem os Conselheiros consulares e das Comunidades? Para que serve o Observatório da Emigração? Para que servem os Deputados eleitos pelos Círculos da Europa e do resto do Mundo? Para que servem os trabalhos realizados pelas associações, federações e vários sociólogos de há décadas a esta parte, muitos deles co-financiados pela SEC?
Para que servem tantas viagens de tantos Secretários de Estado das Comunidades?
Resumindo, aperta-se o Cinto ao Povo, mandam-se os jovens para o estrangeiro e pergunta-se aos que lá estão o que é que se deve Fazer!
Tudo mudou, afinal agora governar é fácil !
Aurélio Pinto, 30/10/2011
Desta é que vai, a crise vai acabar.
Quem é que pode deixar de acreditar nesta afirmação, quando se fala aqui da eleição dada como certa, do Professor Cavaco Silva, actual Presidente da República e candidato ao mesmo alto cargo a partir de Janeiro de 2011?
Vejam só o curriculum: Doutor em economia e Professor universitário nesta matéria, Director de Gabinete de Estudos do Banco de Portugal!
Quando a crise tem imenso ou exclusivamente a ver precisamente com esta área, é certo que o Professor, na sua qualidade de novo Presidente da República pode resolver; por isso todo o mundo acredita que ele será eleito! Assim há quem diga.
A não ser que o país se lembre de um certo desenrolar de situações que provavelmente serão capazes de dar que pensar...
Nem tudo o que luz é ouro:
O Professor foi Ministro das Finanças entre 1980 e 1981; não resolveu nada!
Foi Primeiro Ministro de 1985 a 1995 – 10 anos em que Portugal ficou numa lástima – nada resolveu!
É presidente da República desde 2006. O que é que resolveu desta vez?
Ao apresentar a sua candidatura no Centro Cultural de Belém, o Professor Cavaco Silva erige-se agora como o candidato que pela sua experiência, pode ajudar muito o País se for de novo eleito Presidente da República!
Quem é que pode acreditar nesta afirmação?
Será que lhe foram precisos 15 anos a governar de uma maneira ou de outra, para finalmente passar a ser positivo?
Tanto tempo não chegou ao especialista que é, para ver chegar a crise Mundial que forçosamente nos ia atingir, e principalmente para evitar que ela nos atingisse. Não teve poderes para agir como Ministro das Finanças ou como Primeiro Ministro? Não teve ocasião para aconselhar e arbitrar enquanto que Presidente da República? É agora, no próximo mandato que vai ajudar muito. A credito na sua boa vontade, Só!
Evidentemente que a culpa não tem sido exclusivamente do Professor Cavaco Silva, também muitos dos seus partidários e opositores têm contribuído para que Portugal chegue a este ponto.
Infelizmente eu creio que a crise não vai acabar tão cedo, mais cedo deverá acabar este modo de fazer Política em Portugal.
É possível mudar, mas um sorriso nos lábios e mais promessas não chega.
O apoio daqueles que continuam a manter os níveis de vida que têm, unicamente graças a uma economia que conduz ciclicamente ao caos, não deve chegar para perpetuar uma situação de crise crónica, elegendo aqueles que só nos podem dar mais do mesmo.
O próximo Presidente da República portuguesa não pode ser um homem ao serviço de outro (ninguém pode ser candidato em vez de...), nem um veiculo de soluções inaplicáveis, embora por vezes muito belas.
Mas a força conjugada de quem acredita que há outras soluções e que não quer continuar mais quinze anos a viver as mesmas angústias, poderá por termo a esta saga.
Só um homem diferente pode trazer uma esperança a Portugal, fazer que as reais forças deste país se unam e descubram o caminho!
É com toda a esperança que acredito que os portugueses se apercebam antes do dia 23 de Janeiro de 2011, que é a escolha pragmática de Manuel Alegre para Presidente que nos porá no bom caminho.
Aurélio Pinto, 8/10/2011
De férias em Portugal com a Internet
Dando a minha habitual vista de olhos pelos média de Portugal, parei na Rádio Renascença por aí ter encontrado títulos reveladores da confusão que parece reinar no nosso país, ou pelo menos nas cabeças de alguns, ou será na minha? Vejam só:
Transcrevo na íntegra o artigo intitulado “Escolha de cargos de direcção deixa de ser apenas por critério ministerial”, inserido no dia 8/08/2011 que me parece anunciar medidas interessantes:
O preenchimento de cargos de direcção superior deixará de ser efectuado unicamente por critério de escolha ministerial e passará a ser precedido de concurso aberto.
Segundo a proposta hoje entregue pelo Governo aos partidos, a que a Lusa teve acesso, o concurso será aberto a cidadãos, com ou sem vínculo à Administração Pública.
A iniciativa de abertura do procedimento cabe ao membro do Governo, que define o respectivo perfil, experiência profissional, competências de gestão e formação exigíveis aos candidatos, e elabora a carta de missão onde são vertidos os objectivos a atingir, devidamente quantificados e calendarizados.
Já as fases de recrutamento e de selecção, em que se inclui “a avaliação concreta do perfil, das competências, da formação e da experiência profissional exigíveis aos candidatos” caberá a uma entidade administrativa independente, designada por Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública.
Ainda segundo a proposta, a actividade deste órgão será acompanhada por uma Comissão de Fiscalização independente do Governo, a funcionar junto da Assembleia da República.
O recrutamento realizado por concurso será publicitado na bolsa de emprego público, portais electrónicos, órgão de imprensa de expansão nacional e na 2ª série do Diário da República.
Qual não foi o meu espanto ao deparar hoje com este título e respectivo artigo:
Governo vai poder recusar dirigentes escolhidos por concurso
Afinal, os ministros vão ter poder para recusar dirigentes da Administração Pública escolhidos por concurso público. O “Jornal de Negócios” revela que a proposta do Governo, que é hoje discutida com os sindicatos do sector, prevê a possibilidade de o ministro rejeitar os três candidatos pré seleccionados por concurso e escolhidos pela comissão de recrutamento.
E quando isso acontecer, passa a ser o titular da pasta a sugerir três candidatos à referida comissão, que depois dá um parecer vinculativo.
O projecto do Governo é acabar com os chamados "jobs for the boys" nos cargos de topo da Administração Pública.
Um passo para a frente, dois passos para a retaguarda; parece-me que a entidade administrativa independente e a Comissão de Fiscalização independente do Governo vão acabar por trabalhar para o boneco. Esperemos que ambas não sejam constituídas por “boys” desde o início.
Encontrei ainda no SITE da rádio Renascença mais títulos engraçados, por exemplo: “BE exige explicações ao ministro das Finanças sobre fundo de pensões”, PS quer explicações sobre antecipação dos aumentos do IVA na energia”, “Marcelo diz que o aumento do IVA é uma pantufada na classe média”, “PS: Governo só anuncia medidas que provocam desigualdades”, “PCP promete lutar contra medidas de austeridade”, mas para terminar e para que tudo acabe em bem, “Passos Coelho quer diálogo e paz social”.
Como se diz cá por França: ce n’est pas gagné! Hélas!Aurélio Pinto, Agosto de 2011
Dois a zero
Podem dizer os que maldizem, que eu estava psicologicamente preparado para apreciar o primeiro discurso oficial do novo (!) Presidente da nossa República, como apreciei o último, do candidato eleito Cavaco Silva; mas não!
Incentivo sempre cada cidadão a votar, implicitamente, respeito o resultado dos votos.
Não gostei do discurso após as eleições porque não o achei digno do alto cargo para que acabava de ser eleito e porque foi um discurso de divisão. Não foi um discurso de um Presidente de todos os Portugueses!
No discurso de tomada de posse hoje, o Presidente da República fez uma análise da situação do País, bastante correcta em termos de diagnóstico, sem dúvida. Falou na necessidade de união, em esforço colectivo, em proteger os desfavorecidos, e citou o extraordinário espírito de solidariedade (?) dos portugueses. Fê-lo num período de referência de dez anos mas, esqueceu-se de lembrar que durante esses dez anos também teve responsabilidades. Esqueceu-se ainda que a crise que nos afecta também afectou todos os países do Mundo!
Pena foi não ter tido tais propósitos durante a campanha eleitoral... ter-se-á esquecido ? ou será porque aí era preciso preservar votos?
Hoje o Presidente de todos os Portugueses fez um discurso de propaganda das ideia do seu partido. Criticou tudo o que tem sido feito pelo Governo, mas não falou de soluções, deu certificados de incompetência, de falta de conhecimento do terreno, de falta de integridade na distribuição de cargos, em suma foi o Presidente de todos os portugueses de... direita!
E para coroar o conjunto da alocução, afirmou que só os jovens podem ajudar o país a ultrapassar as dificuldades, só eles podem apagar o desaire dos últimos dez anos, certamente com a experiência adquirida e graças ao conhecimento da vida real e do terreno, exortando-os a “sonhar mais alto” (que bonito) e a ir para a rua dizer o que pensam! Calha bem no Sábado está prevista uma manifestação de jovens!
Hoje o Presidente tomou partido, dividiu. Foi por isso que não gostei do discurso.
Eu bem sei que não traduzo a opinião de todos os portugueses, nem do meu partido, mas digo o que penso e ninguém tem nada que agradecer.
A. Pinto
Rock’in FLORA
O Restaurante “Sur un R de Flora”* já nos tinha habituado a muitos tipos de eventos artísticos, filosóficos, associativos, de reflexão, de fado, de músicas étnicas, de lançamentos de livros, exposições etc. mas desta vez a surpresa foi ainda maior; na passada quinta feira houve Rock em português e de que maneira!
Perante uma sala cheia de um público que sabia para o que vinha, o que não impediu de iniciar a noite por um apreciável jantar lusófono, viu passar os Sidney Rock e os Norte Sul.
Três guitarras, uma bateria, um piano, percussões e coro, acompanharam a voz de Sérgio Carmino que cativou a sala, num estilo dinâmico e suave que se impôs de canção em canção. Sérgio Carmino prepara a segunda gravação e espera participar nalgumas primeiras partes de concertos de grupos conceituados. Ficámos convictos que isso e muito mais vai acontecer dentro de pouco tempo.
Este evento foi apadrinhado por António Manuel Ribeiro, o carismático vocalista dos UHF que veio a Paris propositadamente para dar apoio aos Sidney Rock. Também cantou acompanhando-se à guitarra com a cumplicidade improvisada de David Rito, guitarrista dos Dark Chocolate. “Noites de Lisboa”, “Rua do Carmo”... Momentos mágicos em que o tempo pára, ou melhor, corre em marcha atrás, para nos lembrar o que se passou desde 1978, ano em que nasceram os UHF. António Manuel Ribeiro estava feliz por ali ouvir um grupo de Rock Português de França a cantar em português... de Portugal.
Depois conversámos bastante com o histórico vocalista, que também é poeta já com quatro livros publicados, mas principalmente homem de evidente bom senso. Quando lhe perguntámos que tal o estado da música em Portugal hoje, respondeu sorrindo mais ou menos assim: “há muito papel de parede mas pouca tela pintada”.
Não se ofusca com a falta de um Ministério da Cultura, se o Secretário de Estado tiver meios, competência e vontade para andar com a Cultura para a frente, pois a Cultura está na base da Vida.
Quisemos saber o que António Manuel Ribeiro pensa do acordo ortográfico; respondeu sem equívoco que se ele nem sequer é aceite por todos os lusófonos, não vale a pena destruí-lo pois é o único verdadeiro património nacional... quando há tanto que construir neste momento...
Projectos para o futuro? Não parar e acabar a gravação de uma canção de união que dedica a todos os portugueses.
A. Pinto, 16/07/2011
* Restaurante Sur un R de Flora, 160, bd de Charonne, 75020 Paris
Festa da Rosa em Paris
A Festa da Rosa do Partido Socialista parisiense é uma tradição que tem 33 anos. No ano passado e este ano desenrolou-se na Esplanada da Batalha de Stalingrad, no 19° bairro da capital. Pela segunda vez a Secção do PS Português de Paris teve o prazer de participar, a convite dos camaradas do Partido Socialista Europeu – PSE. A nossa presença foi vinculada em vários stands, assim a bandeira nacional bateu ao vento nos de Paris 4, 14 e do PSE, obviamente.
Apesar da chuva que também quis aparecer várias vezes na festa, encontrámos muitos camaradas e amigos de várias nacionalidades com quem trocámos impressões, nomeadamente os camaradas gregos e franceses; todos queriam saber o que pensamos do futuro de Portugal agora governado à direita, do resultado das eleições dos Deputados e também das do Partido Socialista que vai eleger um novo leader e qual dos candidatos nós apoiamos.
Todos concordaram que vai ser difícil gerir a crise que se instalou, mas que tendo tido a direita portuguesa tanta vontade de assumir essa responsabilidade, só nos resta, nós socialistas, ter uma atitude positiva mas firme perante o Governo, nos limites do nosso papel de primeiro partido de oposição.
Explicámos que contrariamente aos resultados de Portugal e do resto do Mundo, os portugueses da Europa votam maioritariamente Socialista em primeiro Lugar. Sempre assim aconteceu e desta vez não falhou. Até podemos dizer que em França e nomeadamente em Paris a vitória do PS sobre o PSD voltou a ser muito significativa, não chegando todavia para eleger os dois Deputados.
Os nossos camaradas dos outros países ficaram satisfeitos em saber que uma coisa é certa: seja qual for o candidato eleito, o PS Português ficará bem servido, tal é a capacidade dos dois candidatos e que a Secção de Paris não deixará de continuar o seu trabalho solidário. À questão mais precisa que foi de saber quem apoiamos, demos a resposta ditada pela consulta dos camaradas da secção, que sabem que em democracia é preciso fazer escolhas: António José Seguro.
Como para apaziguar os ânimos, depois de conversas tão “pesadas” ouvimos os discursos certos, clarividentes e carregados de positivismo do presidente da câmara de Paris 19, dopresidente da Federação Socialista de Paris e de Bertrand Delanoë, grande amigo de Portugal que nos honrou com a sua visita.
Em 2012, noutro local algures em Paris, a nossa Secção do PS Português prometeu voltar a participar, mas com mais força, à Portuguesa.
Aurélio Pinto, 19/06/2011
Compadre está tudo errado...
Esta era uma frase de uma canção brasileira da minha juventude, o assunto colocava-se num contexto mais familiar, mesmo matrimonial. Uma história de ma distribuição das tarefas, segundo o autor, bem entendido, assim tipo: “a mulher foi ao cinema e o marido a fazer o cozinhado” (para rimar com errado)! Hoje a canção é outra, não impede que tudo continua errado, pelo menos no que concerne a actual campanha eleitoral. Primeiro (não escapou a ninguém) o Governo foi a baixo pela vontade governar dos principais opositores. Numa altura em que tudo parecia estar bem encaminhado, chumba-se o PEC e venha daí a Troika e o FMI; é pior mas não faz mal: é diferente. Está errado! Bom, mas o que tem de ser... o País ainda pode suportar mais esta, se se conseguir tirar de lá o Sócrates... Pois, mas para fazer o quê? Esperem tudo aparece em seu tempo, e lá vem o tal programa do PSD, levou tempo mas vê-se! À direita a 180 graus, afinal era isso, levou tempo a por em “Português moderno” o que até os portugueses dos “antigamente” recusaram. Mas nas comunidades estamos felizes; para nós há dois programas... só falta o Ministério prometido da última vez, lapso, esquecimento? Está errado!
O CDS também entra com a sua estrofe: esta à esquerda do PSD, e esta? O PSD afinal é um partido de extrema direita? Se calhar... mas na minha opinião está errado!
O CDU não promete para não faltar, continua igual a si próprio, os militantes trabalham como formigas, é louvável, mas qual é o objectivo? Se não é atingível... está errado!
Quanto ao Bloco de Esquerda, tudo bem, reparou que Portugal está em crise, lastima que os jovens diplomados e não só, abandonem o País para trabalhar em casa alheia, preconiza que se instaurem políticas fiscais, sociais e outras mais, para parar a hemorragia que é a saída “dos mais frágeis”. E uma Europa homogénea e solidária, pois. No entanto o País está em crise, Portugal está na Europa, porque não procurar trabalho aonde há, até que haja trabalho em casa? É o que fazem os Brasileiros e todos aqueles dos países de Leste que vêm até Portugal para ter uma vida melhor, está forçosamente errado? Quanto ao PS, nem tudo são rosas (!) no entanto tem obra feita, obra para continuar e capacidade para levantar o Portugal. Votemos, no cinco de Junho veremos se tudo continua errado.
Aurélio Pinto, 0/05/2011
Quando os emigrantes vão a votos...
Para quem anda nisto há tantos anos... sim nisto, nesta vida de “catequização cidadã”, por toda a França, com muitos apóstolos, gente de boa vontade e desinteressada, a explicar a quem quer ouvir, qual é o interesse de exercer o “dever” de cidadão, de participar na vida cívica da cidade onde vive e do país que o viu nascer e onde ainda tem muitos interesses. Para quem esteve na origem de tantos milhares de panfletos e de manuais, de estudos e reuniões, há notícias que são quase paralisantes. O que nos tem motivado durante uma vida inteira é o facto de saber que muitos dos nossos compatriotas, emigraram por serem vítimas de carências de todos os géneros; financeiro, cultural e principalmente de liberdade, o que lhes impedia o acesso a um tipo de vida normal e participadora. Ora quando se lê no Público, num inquérito feito dia a dia (com simples valor informativo, claro) que em Portugal o interesse pelas eleições é MUITO para 7,2% da população, ALGUM para 28% e NENHUM para 64,8, ficamos a pensar, que o melhor era termos começado por lá! Durante esse tempo o que é que vai acontecendo? Apesar de todas as dificuldades só em Paris, o número de inscritos no Consulado Geral para votar, aumentou de 8% em 2010. Há indicações que no resto da França também houve aumentos significativos. Isto par nós é uma notícia balsâmica. Então não querem lá ver? Se Em Portugal ninguém liga nenhuma às eleições e no estrangeiro toda a gente se põe a votar, qualquer dia o terço do País que mora no estrangeiro é que vai decidir o que se passa lá na terra. Tal está a moenga!
A. Pinto
Procuro, procuro... e não encontro!
Por mais que procure à minha volta e na memória, não há maneira de encontrar alguém que nunca tenha mentido! O homem é assim, desde criança mente quando acha necessário, ainda que inconscientemente, para evitar de levar uns tabefes do pai ou da mãe; para convencer os amigos que ele (ou o pai) é o melhor, o mais forte, o mais rico etc. Mais tarde toda a gente mente minha gente! As gabarolices da vida amorosa são invariavelmente mentira, os altos feitos desportivos, também numa grande percentagem. As mães dizem às vizinhas que os filhos tiveram muito boas notas, mais tarde que arranjaram grandes situações; os que foram para o estrangeiro estão podres de ricos. Nos empregos mente-se, para agradar, para vender, para convencer, para não pagar, para ser aumentado, para subir, para subir... Com a prática atinge-se um patamar de escolha, mentira construtiva ou destrutiva, mas... Com um certo pudor, toda a gente mente, minha gente. Só os políticos é que não! Até parece que estou a tentar fazer uma crónica humorística, mas não, seria impossível, estando dado o que se passa em Portugal. O país vem sofrendo de tantos males há muitos anos, basta só ler a nossa História a partir da implantação da República. Portugal tem passado de instabilidade a crise, de crise a instabilidade, depois ao fascismo que amordaçou todos e tudo, economia, indústria, cultura, artes; e o colonialismo, que para além da economia já em mau estado, ia arrasando definitivamente a juventude. Em Abril de 1974 nasceu a esperança, começou a poder respirar-se. Momentos maus, momentos melhores, mas o país foi progredindo. Há quem diga que não, mas é mentira. E foi a partir dessa altura (25 de Abril) , que com a Liberdade se passou a mentir ainda mais descaradamente. Toda a gente se acha no direito de afirmar seja o que for, sobre seja quem for, livremente e agora descaradamente. Conta-se a História ao contrário, atribuem-se os seus próprios defeitos àqueles a quem se quer causar dano, inventam-se coisas do arco da velha a propósito de tudo e de nada, em toda a liberdade, certos da sua impunidade. Em período de campanhas eleitorais, já se sabe que aqueles que muito prometem estão forçosamente a mentir. Aí cada cidadão pode sancionar com o seu voto. Mas depois, quando nas eleições não se atingem os objectivos e se envereda pelo caminho da calúnia para destabilizar o adversário (hoje o Governo na pessoa do Primeiro-ministro) tratando-o de mentiroso, sem escrúpulos; inventando casos; pondo em cena casos banais para que se tornem casos capitais, sem ter em consideração o estado em que o país se encontra, sem medir as consequências de um agravamento da crise, principalmente quando fora do Governo não se vislumbra alguém com qualidade para fazer tão bem ou melhor. Quando nestes enredos se envolvempersonalidades e partidos que só têm dado exemplos pela negativa e que dão mostras de um desentendimento interno confrangedor como o PSD, que aliás num passado recente mostrou ao Mundo como conduzir Portugal à penúria. Quando ainda para mais se coligam com outros partidos de valores (?) antipódicos, já não se lida só com mentiras. Será que agora vale tudo? E o interesse Nacional? E para dar mais vulto ao desastre, os Média fazem eco e amplificam, sem a mais pequena parcela de profissionalismo, de consciência e de respeito por quem lê. No meio de tanta treta, a única pessoa que merece alguma consideração e ajuda é o Eng.º José Sócrates. Se não quiserem não me acreditem, mas olhem que eu não sou mentiroso!
Aurélio Pinto , 15/02/2010
E se o guarda redes do Villarreal exigisse que o Falcão não jogasse na segunda volta ?
Se o guarda redes do Villarreal exigisse que o Falcão não jogasse na segunda volta todos os aficionados do desporto rei apanhavam uma barrigada de riso, está visto. No entanto quando um responsável de um partido político (que ainda não sabe se vai ser eleito) afirma que não aceita trabalhar com o responsável do seu principal adversário, não me dá nenhuma vontade de rir. Não aceitar o diálogo antes das eleições apesar de todos os conselhos de homens experientes, sabendo-se que obviamente esse diálogo seria útil para Portugal neste momento tão delicado, já é perigoso. Empurrar eventuais negociações para depois das eleições é pretensioso. Tentar escolher os adversários é antidemocrático. Ou será isto uma atitude para esconder uma falta de experiência para exercer cargos públicos de certa craveira ? Ou falta de segurança nos apoios internos ? Ou falta de programa governativo? Ou só simplesmente medo da responsabilidade ? Um amigo jornalista de Toronto, que não partilha as minhas opiniões políticas, enviou-me uma mensagem a dizer que não queria “mais do mesmo”, referindo-se a José Sócrates e ao Governo Socialista. Pois bem meu caro, somos milhares a preferir mais do mesmo! Não gostamos nada de “sabe-se lá o que será”. Uma coisa é certa, se não houver muito mais seriedade nas atitudes dos responsáveis de todos os partidos, se não houver muito mais realismo na maneira de agir de todos os portugueses, espera-nos um futuro que terá de procurar outro qualificativo, porque “à rasca” não chegará para o definir. É evidente que a situação de Portugal é gravíssima, as dificuldades são muitas e vão certamente e infelizmente aumentar, no entanto esta “conversa” de geração à rasca hoje, não me convence, creio que quem faz afirmações deste tipo devia consultar o passado, comparar situações e respeitar a História recente do nosso País. Como dizia alguém de muito sério, “sempre desconfiei de quem vai às manifestações de táxi...’ Uma coisa é certa, o Falcão não vai deixar de jogar para conforto do Villarreal na segunda volta, e os partidos continuarão a eleger os seu próprios leaders!
Aurélio Pinto, 29/04/2011
Há meses mais “pesados” uns que os outros.
Todas os meses recebo dezenas de e-mails de amigos que insistem em fazer aumentar a minha modesta cultura. A todos os meus agradecimentos. No entanto pena tenho ao constatar que por vezes trata-se mais de provocação ou de trabalho “ao corpo” para desmoralizar ou pelo menos "desentusiasmar". É tempo perdido, sou homem de convicções e só a lógica e os factos me convencem. O último foi um estudo de Eugénio Rosa que se eu bem li, não consegue senão baralhar os incautos, misturando alhos com bugalhos , redistribuindo responsabilidades antigas por actores novos, ignorando as múltiplas acções positivas realizadas pelo governo actual, de molde a banalizar o seu trabalho, coragem e inteligência, face a uma crise que é mundial, mas que em Portugal já começou há muitos anos. Muito antes que este Governo estivesse em exercício. O que é deplorável e revelador do que seria o futuro do nosso país, é o facto de pessoas consideradas de valor, se prestem ao jogo que consiste em deturpar as realidades deitando poeira nos olhos dos mais distraídos que lêem os seus artigos. Senão digam-me lá: em que país da Europa os salários das mulheres são iguais aos dos homens? A quem se deve essa triste realidade, será aos socialistas (principalmente aos portugueses) ou à ganância daqueles que exploram quem trabalha, para que mais lhes renda o capitalismo que aplicam?
Com estas bases, como é que as reformas das mulheres podem ser iguais às dos homens?
Que Governo é que em Portugal aumentou as reformas desde o de Cavaco Silva (época em que as reformas ficavam sistematicamente por pagar a tantos idosos que viviam às atenças dos familiares ou vizinhos)? Para que serve comparar os salários (ou reformas) dos administradores com os dos operários, a diferença é escandalosa, pois é! mas assim dita o sistema económico que nos rege. A solução passará por congelar todos os salários, analisar as situações e depois redistribuir pelos que têm a menos o que outros têm a mais. Congelar também todas as outras regalias dos que já usufruem de grandes salários e ajudar aqueles que nunca tiveram regalia nenhuma. Talvez para resolver a crise actual se possa enveredar por estes caminhos (até parece que o Governo de Sócrates vai nessa direcção) e chegar enfim a uma justiça que ainda ninguém soube ou quis aplicar. Mas a refracção será imensa e não faltarão mais opiniões comparando alhos com bugalhos para demonstrar que a urgência não é resolver os problemas mas sim enfraquecer quem governa. A direita dirá: “Estão a ver? Até o PCP o diz... e a esquerda de oposição responde logo: “afinal o PSD não é tão mau como isso”... Pôr em evidência a disparidade das reformas nas diferentes regiões ou cidades também é pura demagogia, então abram o registo, comparem as nossas regiões com outras da zona Euro para mais aumentar a confusão. A política para ser útil tem de ser honesta, por em evidência os defeitos dos outros sempre foi mais fácil do que sugerir ou propor soluções aplicáveis. Mas é com soluções aplicáveis que se avança e não deitando poeira para os olhos de cada um. Mas não só a internet veícula coisas que me fazem reagir. A rádio, a televisão e os jornais que consulto regularmente também mostram cada uma! Por exemplo, uma publicidade do ME (Movimento Emigrante) que anuncia um protesto contra a corrupção em Portugal, exigindo respeito e consideração pelos nossos direitos pessoais e de propriedade em Portugal (estão a ver a coerência e o sentido prático?). Apelam para uma manifestação no dia 30 de Março às 9h, frente ao Consulado Geral de Portugal. Pronto, é a democracia, toca a andar! No entanto como eu não percebo bem para o que é que serve realmente uma tal manifestação, e para que de facto a ida à rue Georges Berger sirva para qualquer coisa, sugiro que as pessoas que ainda não estão recenseadas no Consulado aproveitem (acaba a 6 de Abril...). Depois da reestruturação consular o serviço é rápido e vai haver eleições este ano...
Também o MMS (Movimento Mérito e Sociedade) recentemente criado, me convenceu logo quando Eduardo Correia disse (lusojornal N°203) serem as seguintes, as razões que o levaram a criar este novo partido português: 1) - “Os Partidos que têm estado no poder não têm passado de empresas de tráfego de poder”. 2) – “somos um povo com falta de confiança nos políticos actuais”.Aproveitando o movimento, com este dois assuntos e um sócio de mérito, até dava para fundar dois partidos... Assim vai a vida aqui por Paris e podemos ficar descansados porque a Dra. Manuela Ferreira Leite veio cá dizer aos militantes do PSD que o PS trabalha mal, que quando ela for Governo só fará coisas boas para os emigrantes: não fecha Consulados, dará importância à língua e à Cultura e aproxima a administração dos emigrantes (será com sucursais das Lojas do Cidadão?) ah! Já me esquecia, contrariamente ao seu antecessor não promete criar nenhum Ministério da Emigração, diz que quer Governos pequenos. Não me admira, com tão poucas ideias, mal fora que quisesse um Governo Grande...
A. Pinto
Quando as moscas mudam de burro...
É sempre assim, quando o calor aperta aparecem logo as moscas e como elas sabem muito bem (deve ser genético), há que aproveitar a mais pequena porcaria para se manterem vivas, progredir a grande velocidade, ziguezagueando sem destino à procura de outra porcaria qualquer. As moscas são muito activas, sempre numa grande azáfama, zumbem, algumas até picam e vão enchendo a paisagem de cagadelas difíceis de limpar.
O nosso lindo país por ser quente, tem a grande reputação de ser o paraíso das moscas. Os burros são grandes vítimas de tamanha praga, não por serem burros, mas porque se preocupam só em fazer o que lhes compete, segundo a opinião e a boa vontade dos donos, sem ter grandes meios para as enxotar. Mas há muitos mais animais que as atraem, quase todos os que têm quatro patas por exemplo, mais ou menos porcos, ou os porcos; também os bípedes são excelentes alvos predestinados a tais insectos, basta que transpirem um pouco e lá vêm elas..., algumas indústrias sujas, alguns sujos mesmo sem indústrias. Apesar de diferentes venenos, armadilhas, mata-moscas, elas andam sempre por aí. Mesmo quando mudam de burro a m. é a mesma!Não há corrente de ar que as leve!Só talvez quando se puser em prática o provérbio cigano que diz: “não mates as moscas, limpa a porcaria que as atraí”! Sentido da história (?) :Se transpusermos esta história para a espécie humana neste momento em Portugal, pois é das moscas de lá que se trata, podemos colocar várias questões; deixo-as aos nossos leitores para que cada um reflicta sobre as respostas, por exemplo: Quem são as moscas? Quem são os burros? E os outros animais? E as indústrias sujas? E os sujos sem indústrias? Quem é que vai ter de limpar a porcaria que eles deixam? Serão um dia extermináveis as moscas da nossa terra? Os ciganos têm razão com o provérbio deles? Moral da história (se assim se pode dizer...): Enquanto durarem as moscas, quem vai ficar na m. são os portugueses!
Aurélio Pinto, 24/03/2011
“Sete cães a um osso”
O tempo passa e tudo recomeça, assim é a vida e assim é a vida dos políticos de Portugal. Qual crise, qual carapuça, diz a opinião, o que se tem feito para melhorar a situação de Portugal não conta! Está tudo mal; para escorar tais afirmações põe-se em evidência tudo o que soa mal: famílias sem direito a pensões, cortes nos ordenados, a senhora que deu à luz na ambulância, as escolas que fecham, urgências dos hospitais que deixam de funcionar e por aí fora, sem falar nos pobres professores que até passaram a ser avaliados...
Pois claro, tudo isto existe, tudo isto é triste...mas é um fado necessário! A crise caiu-nos em cima, algumas imprevidências fizeram que a maior parte dos portugueses tenha sido surpreendida por ela. Surpreendidos e enganados. Quem é que lançou as campanhas devendas de carros ou casas a prestações sem se preocupar se os clientes tinham realmente meios para pagar as dívidas contraídas? O Partido Socialista? O engenheiro Sócrates ? O que é que foi feito nos últimos vinte anos para preparar os cidadãos a enfrentar o futuro? Para ajudar as empresas a produzir mais e melhor e a encontrar o seu lugar no tão cobiçado mercado global? Quem é que governou Portugal durante todo esse tempo? O engenheiro Sócrates?
Que cada um tenha a coragem de admitir que gastou mais do que o que devia ter gasto durante anos a fio e a crise será mais fácil de compreender. Será também mais fácil de compreender que estas acções e atitudes foram também prejudiciais para aqueles que tendo menos meios, se encontram em posição mais desfavorável. De alguns anos a esta data o Primeiro Ministro têm tomado iniciativas extremamente corajosas (as tais que cito acima), pois difíceis de suportar por todos aqueles que são atingidos. Ninguém gosta de perder meios nem privilégios, nem mesmo de ser avaliado... mas quando isso reverte positivamente a favor da maioria, santa paciência, há que compreender o esforço pedido.
As maternidades que fecham, as urgências que mudam de local, as escolas que são substituídas ou reagrupadas; é claro que estorva alguns, mas beneficia muitos mais, custa mais barato, é melhor e acaba até por ser financeiramente melhor para todos.
Admito que tudo o que este Governo tem feito merecia ter sido mais bem explicado aos portugueses (de onde virá esta tendência dos governantes a não explicar claramente o que fazem ? ), mas estou certo que sem as corajosas medidas tomadas, a situação seria hoje muito pior!Governar hoje é difícil, sem dúvida. Criticar é muito mais fácil! Diz-se mal do que está feito, mas nunca ninguém conseguiu melhor. Cada partido cada sentença, estão todos à espera do erro fatal que possa fazer cair o Governo (?), ou... oxalá não caia senão alguém tem de assumir e isso é mais complicado de que criticar! Os que nunca governarão por falta deestofo político (e de votos) apresentam soluções, ou moções (o ridículo não mata) do arco da velha, inaplicáveis mas altamente apregoadas! Os que já governaram e também já foram sancionados pelo mau trabalho feito (o que obviamente fazem por esquecer...) dizem-se prontos a recomeçar, e lá vão avançando... em marcha a traz.Enfim, “sete cães a um osso”, mas que osso duro de roer!
Haverá na realidade quem tenha “dentes” para tal? Ou será “mais olhos que barriga”?
A. Pinto, 19/02/2011
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