Se analisarmos o que se tem passado em Portugal desde as Presidenciais a esta data, tudo parece mais simples do que se podia imaginar, basta ver como as coisas se passaram: depois de se ouvirem mil críticas ao Pr. Cavaco Silva, por esse país fora, depois do Partido Socialista ter dado aos seus militantes apoiadas instruções para que votassem fortemente em Manuel Alegre, o povo elegeu mais uma vez o Pr. Cavaco Silva... mais do mesmo para que tudo mude. E mudou?
Os Partidos da oposição nessa altura conseguiram destronar o Primeiro Ministro José Sócrates... para que tudo mude. E mudou... para pior!
Passou a ser necessário recorrer à ajuda externa para “salvar” Portugal. Veio a “Troika”, analisou a situação e fez as suas recomendações; o PS por solidariedade nacional assinou. Agora já se vai falando na possibilidade de ir pedir mais dinheiro à Europa... entretanto endurece-se a vida dos portugueses como nunca. Corta-se nos ordenados, nas pensões, aumenta-se o IVA! Ai não que não mudou! Os trabalhadores de todas as áreas estão cada vez mais preocupados, dos professores nem se fala. As previsões do Governo vão no sentido de obrigar os portugueses a continuar a apertar mais o cinto. Lançar a economia e a indústria não se fala ou nada se faz. Crescimento, para quê enquanto há cintos para apertar? Postos de trabalho para quê, enquanto se podem enviar os nossos jovens de casa para fora?
Não sou eu, evidentemente, que dou este conselho, foi o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, em São Paulo a representantes da comunidade portuguesa e jovens luso-brasileiros, segundo o Diário Digital (30/10/2011), a propósito dos jovens portugueses desempregados: «Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras», acrescentando que o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da «fuga de cérebros». Já assim se fazia nos anos 60... nessa altura a França pagava a Portugal cinco mil Francos por cada português que para cá viesse, será que agora dá cinco mil Euros?
Os parâmetros agora são outros, a Direita portuguesa parece esquecer que quando a crise se instalou em Portugal também se instalou em muitos outros países, tornando o futuro dos nossos jovens portugueses desempregados muito inconfortável. Pergunte-se no entanto que se um jovem desempregado em Portugal está em “zona de conforto”, em que zona está um Secretário de Estado em actividade?
Bom, se for o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, deve estar em zona de desconforto, basta ler ainda o mesmo Diário Digital: «Eu não sei o que é que o jovem que está em São Paulo, em Toronto ou em Paris quer. Eu não sei quais são seus interesses. Eu não sei, muitas vezes, quais são os interesses do meu filho»! Mas como o Governo português quer aproximar-se do jovem luso-descendente, espera que esse jovem lhe diga de que maneira. Para que servem os Conselheiros consulares e das Comunidades? Para que serve o Observatório da Emigração? Para que servem os Deputados eleitos pelos Círculos da Europa e do resto do Mundo? Para que servem os trabalhos realizados pelas associações, federações e vários sociólogos de há décadas a esta parte, muitos deles co-financiados pela SEC?
Para que servem tantas viagens de tantos Secretários de Estado das Comunidades?
Resumindo, aperta-se o Cinto ao Povo, mandam-se os jovens para o estrangeiro e pergunta-se aos que lá estão o que é que se deve Fazer!
Tudo mudou, afinal agora governar é fácil !
Aurélio Pinto, 30/10/2011
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