Por mais que procure à minha volta e na memória, não há maneira de encontrar alguém que nunca tenha mentido! O homem é assim, desde criança mente quando acha necessário, ainda que inconscientemente, para evitar de levar uns tabefes do pai ou da mãe; para convencer os amigos que ele (ou o pai) é o melhor, o mais forte, o mais rico etc. Mais tarde toda a gente mente minha gente! As gabarolices da vida amorosa são invariavelmente mentira, os altos feitos desportivos, também numa grande percentagem. As mães dizem às vizinhas que os filhos tiveram muito boas notas, mais tarde que arranjaram grandes situações; os que foram para o estrangeiro estão podres de ricos. Nos empregos mente-se, para agradar, para vender, para convencer, para não pagar, para ser aumentado, para subir, para subir... Com a prática atinge-se um patamar de escolha, mentira construtiva ou destrutiva, mas... Com um certo pudor, toda a gente mente, minha gente. Só os políticos é que não! Até parece que estou a tentar fazer uma crónica humorística, mas não, seria impossível, estando dado o que se passa em Portugal. O país vem sofrendo de tantos males há muitos anos, basta só ler a nossa História a partir da implantação da República. Portugal tem passado de instabilidade a crise, de crise a instabilidade, depois ao fascismo que amordaçou todos e tudo, economia, indústria, cultura, artes; e o colonialismo, que para além da economia já em mau estado, ia arrasando definitivamente a juventude. Em Abril de 1974 nasceu a esperança, começou a poder respirar-se. Momentos maus, momentos melhores, mas o país foi progredindo. Há quem diga que não, mas é mentira. E foi a partir dessa altura (25 de Abril) , que com a Liberdade se passou a mentir ainda mais descaradamente. Toda a gente se acha no direito de afirmar seja o que for, sobre seja quem for, livremente e agora descaradamente. Conta-se a História ao contrário, atribuem-se os seus próprios defeitos àqueles a quem se quer causar dano, inventam-se coisas do arco da velha a propósito de tudo e de nada, em toda a liberdade, certos da sua impunidade. Em período de campanhas eleitorais, já se sabe que aqueles que muito prometem estão forçosamente a mentir. Aí cada cidadão pode sancionar com o seu voto. Mas depois, quando nas eleições não se atingem os objectivos e se envereda pelo caminho da calúnia para destabilizar o adversário (hoje o Governo na pessoa do Primeiro-ministro) tratando-o de mentiroso, sem escrúpulos; inventando casos; pondo em cena casos banais para que se tornem casos capitais, sem ter em consideração o estado em que o país se encontra, sem medir as consequências de um agravamento da crise, principalmente quando fora do Governo não se vislumbra alguém com qualidade para fazer tão bem ou melhor. Quando nestes enredos se envolvempersonalidades e partidos que só têm dado exemplos pela negativa e que dão mostras de um desentendimento interno confrangedor como o PSD, que aliás num passado recente mostrou ao Mundo como conduzir Portugal à penúria. Quando ainda para mais se coligam com outros partidos de valores (?) antipódicos, já não se lida só com mentiras. Será que agora vale tudo? E o interesse Nacional? E para dar mais vulto ao desastre, os Média fazem eco e amplificam, sem a mais pequena parcela de profissionalismo, de consciência e de respeito por quem lê. No meio de tanta treta, a única pessoa que merece alguma consideração e ajuda é o Eng.º José Sócrates. Se não quiserem não me acreditem, mas olhem que eu não sou mentiroso!
Aurélio Pinto , 15/02/2010
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