jeudi 16 décembre 2010

Lu et approuvé!

Sobre a entrada em vigor do Acordo Ortográfico.
O ministro da Presidência anunciou que o Acordo Ortográfico será aplicado já no próximo ano lectivo. O tal acordo que não contou com a opinião dos cidadãos; o mesmo Acordo que foi feito por políticos à revelia do povo soberano. (...) A língua é património de um povo, é ofensivo tratar-se este património apenas na lógica do negócio.
De igual forma, estas decisões não podem ser tomadas à revelia do povo falante da língua. Os portugueses não foram consultados, e como o silêncio em Portugal é de ouro, também foram poucos os que se manifestaram relativamente ao Acordo. Note-se que os representantes eleitos têm legitimidade para tomar decisões, afinal de contas vivemos numa democracia representativa. Todavia, há decisões que, pela sua natureza, merecem ser alvo de escrutínio directo dos cidadãos. O facto é que, enquanto vivermos sob a ditadura do silêncio voluntário e alimentarmos essa ditadura, ninguém vai querer saber a nossa opinião.
In DN, 16/12/2010

mercredi 15 décembre 2010

Singularidades da nossa História

Por aderir completamente ao combate travado pela minha amiga Maria José Abranches pela defesa de património mais evidente que o nosso país possui, publico e convido-os a ler atentamente o artigo que segue.
Aurélio Pinto


Singularidades da nossa História
Há duzentos anos, a 27 de Setembro de 1810, o exército francês, pela terceira vez invasor, agora sob o comando de Masséna, era derrotado na batalha do Buçaco pelas forças aliadas anglo-portuguesas, comandadas por Wellesley. Era o princípio do fim das invasões francesas, iniciadas em Novembro de 1807, em território nacional. Mas apesar da derrota dos exércitos napoleónicos, a situação de Portugal manteve-se por longo tempo extremamente precária. Enquanto o continente, devastado e exangue, permanecia sob o jugo dos nossos “aliados” britânicos e se debatia com uma grave crise política, económica e financeira, a família real e a corte, dilapidando sem contar o erário público, continuavam no Brasil, para onde tinham fugido.

Recorde-se que, contrariamente aos outros monarcas europeus que Napoleão pusera em perigo, a família real portuguesa se refugiou numa das suas colónias, num continente afastado, o que significava uma longa e imprevisível travessia do Atlântico. Recorde-se ainda que com a família real, a corte, o governo, os funcionários, respectivos familiares e outros – foram cerca de 10.000 os que em 1807 abandonaram o país – seguiu para o Rio de Janeiro o tesouro real, milhares de documentos, livros e toda a sorte de objectos valiosos. Tudo sob escolta britânica, já que a Inglaterra era favorável a esta opção de que veio a tirar grande proveito.

Convém salientar que esta opção americana tinha já raízes antigas e defensores eminentes. O Padre António Vieira, no reinado de D. João IV, sonhara fazer do Brasil a sede do Quinto Império, e esta ideia de assim deslocar o centro do reino, menosprezando o velho Portugal – a mais antiga nação europeia – permaneceu viva, sendo depois retomada no tempo de D. João V e de novo pouco antes de o futuro D. João VI assumir a regência do reino. Com efeito, em 1798, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, que viria a “dirigir o novo governo de D. João no Rio”, num discurso proferido na corte, disse “que «os domínios na Europa» já não eram «a capital e centro do Império Português». Reduzido a si mesmo, concluía, Portugal em breve seria «uma província de Espanha».” [1]

As singularidades da nossa História não se limitaram contudo à fuga da corte para o Brasil. Este facto significou também um desenvolvimento e um prestígio consideráveis para a colónia privilegiada, a ponto de, em 1815, ser equiparada à metrópole, com a publicação de uma Carta de Lei instituindo o “Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves”. Mais, em 1817, é para o Brasil que viaja D. Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, filha de Francisco I, para aí confirmar a cerimónia do seu casamento com D. Pedro, herdeiro do trono português. É ainda no Rio que terá lugar a aclamação de D. João VI, em 1818, dois anos após a morte de sua mãe, D. Maria I. Finalmente, pouco depois de, a 4 de Julho de 1821, D. João VI, embora contrariado, se ter visto obrigado pelas circunstâncias a regressar a Portugal, é o próprio herdeiro do trono português, D. Pedro, que proclama a Independência do Brasil, a 7 de Setembro de 1822, sendo pouco depois aclamado imperador, a 12 de Outubro.

Mas estas singularidades da nossa relação histórica com o Brasil ainda não se esgotaram. Os saudosos da vastidão, do prestígio e das riquezas fáceis do Império perdido descobriram agora que a língua portuguesa é o último continente a explorar e de novo se voltam para o Brasil onde julgam ter encontrado a solução. Assim, com o Acordo Ortográfico de 1990 – que tem vindo a ser defendido e insidiosamente imposto por intelectuais, políticos e media portugueses, que se comportam como “os donos da língua” e se mantêm surdos aos protestos dos seus mais conceituados concidadãos - Portugal, que levou a sua língua a todo o planeta, opta por abdicar da sua própria ortografia, para adoptar, no essencial, a ortografia brasileira. A justificação apresentada para tal é a necessidade imperiosa de envolver o Brasil na “internacionalização” do português, o que significa, de facto, promover a norma brasileira, aliás marcada por arcaísmos que na sua evolução o português europeu abandonou. Deste modo, por incúria, ignorância, preguiça e falta do sentido da própria dignidade, estamos prestes a entregar ao Brasil o destino da nossa língua, o português de Portugal, com todas as consequências nefastas, facilmente previsíveis, que daí advirão. Se o país continuar a não reagir e se a conspiração do silêncio e a auto-censura instaurada nos media continuar a impedir a expressão das vozes discordantes e o debate aberto e sério que se impõe, seremos mais uma vez “o único país europeu” nesta ridícula e suicida situação.

Abro aqui um pequeno parêntese para recordar que o português, uma das línguas românicas da Europa, derivadas do latim que o Império Romano trouxe às regiões que estiveram sob o seu domínio, surgiu, desenvolveu-se e cresceu acompanhando a história da formação do próprio reino de Portugal, cujo território se estendeu até ao Algarve aquando da conquista de Faro, Albufeira, Porches e Silves, em 1249, por D. Afonso III. “A individualidade da língua portuguesa começou a desenhar-se no domínio do léxico e pode remeter-se para uma data próxima do século VI. (…) Os dois primeiros textos escritos em português – a «Notícia de Torto» e o «Testamento» de D. Afonso II – datam de 1214-1216.”[2]

A partir da conquista de Ceuta, em 1415, Portugal sai do espaço europeu e lança-se na longa e arrojada epopeia dos Descobrimentos, que espalhará o português pelos vários continentes. A nossa língua, “em finais do século XVI e durante o século XVII, além de ser falada na América (Brasil), era também utilizada como língua geral do litoral africano e como língua franca (indo-português e malaio-português conforme as regiões) nos portos da Índia e do sudeste da Ásia. Europeus e asiáticos comunicavam em português em extensas regiões da Índia que incluíam Goa, Damão, Diu e Ceilão, em Malaca, nas ilhas de Samatra e Java (antiga Batávia) e na ilha de Timor. No Japão, Tailândia (antigo Sião) e na China também a língua portuguesa serviu nas relações políticas, comerciais e religiosas.”[3]

Desta extraordinária aventura resultou que a língua portuguesa ainda hoje perdura, como língua materna, em Portugal e no Brasil e como língua oficial em Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Timor-Leste, os países da CPLP, e ainda em Macau. Falta acrescentar as importantes comunidades de emigrantes disseminadas pelo vasto mundo e algumas bolsas de pequenos grupos sociais que resistem, como se verifica em Goa, por exemplo.

Em todos estes países e regiões, com excepção do Brasil, a norma padrão adoptada como referência foi sempre a do português europeu, estando em vigor a ortografia consagrada pelo Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945 – que o Brasil não respeitou – mais as pequenas alterações de 1973. O novo Acordo e as negociações conduzidas pelos seus defensores estão em vias de subverter totalmente esta situação que tem raízes históricas evidentes e irrefutáveis. De qualquer modo, somos todos povos soberanos e independentes e cabe a cada um de nós escolher o seu destino.

Vale a pena evocar algumas declarações dos defensores do novo Acordo Ortográfico, por recordarem as dos conselheiros da corte referenciados acima, no terceiro parágrafo, defendendo a transferência do governo do reino para o Brasil.

Começo pelo actual Embaixador português em França, antigo embaixador de Portugal em Brasília: «Seixas da Costa diz que a língua portuguesa não tem futuro “sem uma relação frutuosa entre Portugal e Brasil e sem uma política de articulação entre os dois países”. (…) Esta deve ser “uma acção conjunta em que todos nós temos que nos empenhar para a projecção do português”, diz o embaixador, que acrescenta que o Acordo Ortográfico serve para “diminuir as diferenças para uma acção conjunta e o empenhamento conjunto dos países”.» [4]

O anterior Ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, em entrevista ao ”Público” (04/02/2009), como justificação para o que chama “universalização ortográfica” declarou: “Nós afirmamo-nos enquanto identidade e enquanto povo através da língua que falamos e da expansão que demos a essa língua. Neste momento, o número de falantes do português andará pelos 230, 240, 250 milhões. Mas desses 250 milhões, 200 milhões são brasileiros. E eles eram apenas 70 milhões em 1960. De 1960 para 2008 triplicaram, e isso significa fazer 130 milhões de falantes do português, mais do que nós fizemos em todo o nosso passado.”

A mesma individualidade teria dito (“Público”, 19.03.2008) que a inoperância da Academia das Ciências, ”nunca permitiu a fixação da língua portuguesa num dicionário”, contrariamente ao que aconteceu em França ou em Espanha. “Não tendo Portugal criado um estudo normativo, vemo-nos forçados a criar leis.”

Rui Tavares disse no “Público” de 9/6/2008: “Porque é a estratégia correcta, e tão simples, que se resume numa frase: consiste em envolver o Brasil num esforço colectivo de promoção da língua, em que cada país lusófono conta institucionalmente o mesmo.”

Para não me alongar mais nas citações, recordo apenas Carlos Reis, num texto intitulado “Rápido no gatilho” (“Público, 30/05/2008), em que, falando do seu “optimismo moderado quanto ao potencial do português, no que à sua afirmação internacional diz respeito”, rejeita o “triunfalismo” baseado nos “milhões de falantes” e acrescenta: “Tão excessivo como aquele triunfalismo só conheço o bafiento nacionalismo ortográfico dos derradeiros gauleses que gostariam de manter o português encerrado na aldeia remota em que ele nasceu.”

Em conclusão, no século XIX, como vimos, Portugal esteve em risco de desaparecer, mas soube resistir e sobreviveu, mesmo tendo perdido o Brasil. Está agora nas nossas mãos – de cada um de nós – impor a opção que nos dignifica e respeita a nossa identidade, a nossa História e a língua que herdámos dos antepassados e temos a obrigação inalienável de transmitir, na sua integridade, e se possível mais rica e mais bela, aos nossos descendentes próximos e futuros: recusemos por todos os meios este vergonhoso Acordo Ortográfico!
Lagos, 06/12/2010

P.S: A Resolução do Conselho de Ministros, de 09/12/2010, acelerando a entrada em aplicação do A.O., no ensino (Set. 2011) e na Administração (Jan. 2012), não invalida em nada nem esta análise nem este apelo, pelo contrário, torna-os ainda mais prementes.

Por Maria José Abranches – Professora aposentada do Ensino Secundário (Português e Francês) Ex-Leitora na Universidade de Paris III
[1] Patrick Wilcken, “Império à deriva – a corte portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821”, Civilização Editora, 11ª edição, Fev. 2008
[2] “Gramática da Língua Portuguesa”, Maria Helena Mira Mateus e outras, Ed. Caminho, 1989
[3] ibidem
[4] in “Público”, 16/03/ 2010

dimanche 12 décembre 2010

É uma vergonha que haja fome em Portugal!

Não tenhamos dúvidas, é mesmo uma vergonha! Qualquer português que se preze não pode ficar indiferente a tal situação. Mas felizmente a maior parte deles não tem culpa nenhuma disso, muitos até se esforçam para evitar que tal aconteça, outros ajudam mesmo sem saber, estou a pensar em todos aqueles que com as remessas que enviam regularmente, contribuem largamente para melhorar a vida dos seus compatriotas.
Mas os esforços individuais não chegam para evitar os problemas causados por uma má gestão do País que se vem arrastando há muitos anos.
A desregulamentação económica, para facilitar a vida das empresas, não evitou que a crise europeia de 1993 provocasse em Portugal um enorme aumento do desemprego.
Durante os anos faustos em que a Europa despejou rios de dinheiro em Portugal, o aspecto do país mudou imenso, mas foi quase exclusivamente a rede rodoviária que absorveu tal maná. Por outro lado a agricultura passou ao lado da repartição; enquanto algumas manadas de gado iam de camião de prado em prado, para justificar empreendimentos fictícios, os terrenos ficavam por cultivar, e a criação de gado continuava na mesma. Muito mais real era o benefício daqueles que aproveitavam dos bem-vindos capitais para empreendimentos pessoais cujos benefícios os foram enriquecendo. Esses hoje não têm fome! Durante esses anos, o que é que foi feito para preparar o futuro da economia de Portugal? Desenvolvimento das pequenas e médias empresas? Agricultura? Pescas? Formação? Nada! Inaugurar troços de auto-estradas em excesso nunca preparou o futuro de ninguém. Sua Excelência o Presidente da República está envergonhado porque há portugueses com fome, só? Mas o facto de durante quase 17 anos ter governado o País de uma maneira ou de outra, sem ter visto chegar as crises ou sem ter tomado precauções para as evitar, sem criar as condições para que os portugueses ficassem ao abrigo de situações de precariedade extrema como a que se vive actualmente, não é razão para vergonha! Pelo contrário, é experiência positiva que será posta ao serviço de Portugal se for reeleito, certamente com os votos daqueles que vão comer os restos dos restaurantes!
Portugal precisa muito de quem ajude, mas convém não esquecer que cada um tem de se ajudar a si memo, e será esse o supremo sacrífico, pois será necessário mudar de modo de vida. Será preciso que cada um se convence que só pode gastar aquilo que tem, senão é a falência garantida, e isto tanto é válido para o individuo, como para uma família, ou empresas e mesmo o Estado. Como é que para além da disciplina pessoal se podem obter resultados positivos, sem recorrer por exemplo ao FMI? A título individual ou familiar, não se deixando encandear pelo brilho de pseudo facilidades que normalmente conduzem ao desastre. As empresas devem evitar de só pensar nos ganhos de produtividade, e admitir que se os trabalhadores perderem o poder de compra mais tarde ou mais cedo não há quem compre o produto. O Governo tem o dever de propor, explicar e cumprir soluções e leis realistas e de se assegurar que cada um as respeita.
O cidadão deve estar no centro das preocupações, mas também deve ter a preocupação de exercer os seus deveres de cidadão: de se informar, de participar na vida cívica da Nação, de especificar a sua opinião, de votar... para escolher aqueles que nos governam, para evitar de um dia talvez, ter de andar a comer os restos dos restaurantes e encher algum Presidente de vergonha!
Aurélio Pinto

jeudi 28 octobre 2010

Desta é que vai, a crise vai acabar.

Quem é que pode deixar de acreditar nesta afirmação, quando se fala aqui da eleição dada como certa, do Professor Cavaco Silva, actual Presidente da República e candidato ao mesmo alto cargo a partir de Janeiro de 2011?
Vejam só o curriculum: Doutor em economia e Professor universitário nesta matéria, Director de Gabinete de Estudos do Banco de Portugal!
Quando a crise tem imenso ou exclusivamente a ver precisamente com esta área, é certo que o Professor, na sua qualidade de novo Presidente da República pode resolver; por isso todo o mundo acredita que ele será eleito! Assim há quem diga.

A não ser que o país se lembre de um certo desenrolar de situações que provavelmente serão capazes de dar que pensar...
Nem tudo o que luz é ouro:
O Professor foi Ministro das Finanças entre 1980 e 1981; não resolveu nada!
Foi Primeiro Ministro de 1985 a 1995 – 10 anos em que Portugal ficou numa lástima – nada resolveu!
É presidente da República desde 2006. O que é que resolveu desta vez?

Ao apresentar a sua candidatura no Centro Cultural de Belém, o Professor Cavaco Silva erige-se agora como o candidato que pela sua experiência, pode ajudar muito o País se for de novo eleito Presidente da República!
Quem é que pode acreditar nesta afirmação?
Será que lhe foram precisos 15 anos a governar de uma maneira ou de outra, para finalmente passar a ser positivo?
Tanto tempo não chegou ao especialista que é, para ver chegar a crise Mundial que forçosamente nos ia atingir, e principalmente para evitar que ela nos atingisse. Não teve poderes para agir como Ministro das Finanças ou como Primeiro Ministro? Não teve ocasião para aconselhar e arbitrar enquanto que Presidente da República? É agora, no próximo mandato que vai ajudar muito. A credito na sua boa vontade, Só!
Evidentemente que a culpa não tem sido exclusivamente do Professor Cavaco Silva, também muitos dos seus partidários e opositores têm contribuído para que Portugal chegue a este ponto.
Infelizmente eu creio que a crise não vai acabar tão cedo, mais cedo deverá acabar este modo de fazer Política em Portugal.
É possível mudar, mas um sorriso nos lábios e mais promessas não chega.
O apoio daqueles que continuam a manter os níveis de vida que têm, unicamente graças a uma economia que conduz ciclicamente ao caos, não deve chegar para perpetuar uma situação de crise crónica, elegendo aqueles que só nos podem dar mais do mesmo.

O próximo Presidente da República portuguesa não pode ser um homem ao serviço de outro (ninguém pode ser candidato em vez de...), nem um veiculo de soluções inaplicáveis, embora por vezes muito belas.
Mas a força conjugada de quem acredita que há outras soluções e que não quer continuar mais quinze anos a viver as mesmas angústias, poderá por termo a esta saga.
Só um homem diferente pode trazer uma esperança a Portugal, fazer que as reais forças deste país se unam e descubram o caminho!
É com toda a esperança que acredito que os portugueses se apercebam antes do dia 23 de Janeiro de 2011, que é a escolha pragmática de Manuel Alegre para Presidente que nos porá no bom caminho.
Aurélio Pinto, para o Lusojornal, 28/10/2011

mercredi 25 août 2010

Europa... Europa...

Em Portugal para afastar os ciganos os comerciantes põem rãs nas montras, as senhoras nas malas de mão. Mas pelo menos o Governo não expulsa ninguém.
Na Xarkolandia, como segundo o chefe supremo a crise já acabou, mandam-se o ciganos para casa (mesmo sendo europeus...) em aviões completos. Aqui trocam-se Roms por votos, é a nova fraternidade! Já soma mais de 1300 “des-integrados”
“Raios partós sapos”!

samedi 21 août 2010

Resposta a Carlos Narciso, entrevistado por Patrícia Neves a 7 de Julho de 2010

Meu caro,
Os Portugueses de França são como os outros. Vieram para melhorar a vida e globalmente conseguiram; os seus filhos evoluíram bastante bem porque como os pais encontraram condições para isso. Mas quando digo melhorar a vida não me limito aos que queriam enriquecer (novos ricos há também em Portugal aos montes), mas englobo aqueles que estavam privados de liberdade e os que queriam evoluir culturalmente.
Querer fazer um retrato dos emigrantes da França ou de outro lado é inútil, basta observar os familiares que ficaram na terra. São os mesmos, com meios diferentes e horizontes mais curtos... mas muito convencidos.
Cordialmente.

Conselho das Comunidades Portuguesas

A história de que me lembro

Há bastantes anos foi criado o primeiro grupo de conselheiros das comunidades, que tinha já como objectivo ajudar o Governo, informando-o dos factos importantes que preocupavam as Comunidades ou sugerindo soluções para os problemas existentes.
Esse grupo contava um certo número de Conselheiros escolhidos pelo Governo entre residentes dos países que representariam.
Depois de vividas várias situações de incompreensão e conflito, o que conduziu à demissão de alguns Conselheiros (alguns homens de grande vulto comunitário), o Conselho das Comunidades cessou a sua actividade.
Mais tarde, aquando a responsabilidade da Secretaria de Estado das Comunidades estava a cargo do socialista José Lello, resolveu este relançar a mesma estrutura, mas desta vez criando-a por intermédio de eleições a realizar nas Comunidades. Foi-me por ele pedida opinião sobre o empreendimento, fui claro: “vai ser um sarilho pois não há gente de qualidade interessada por tal cargo e será um pódio para quem o quiser atacar, ou o PS ou o Governo. Para além disso é factor de divisão das Comunidades por razões pessoais ou políticas e ainda por cima sai caro ao País; a única coisa positiva é que introduz eleições para os emigrantes”. José Lello retorquiu-me que não fazia mal, pois assim ficaria a conhecer os seus inimigos, o que aliás se revelou rapidamente exacto.
Também nessa altura eu e outros membros da comunidade manifestaram o interesse de um maior número de Deputados, o que na nossa opinião seria muito mais pragmático que Conselheiros sem “voz activa” na Assembleia.
Mas como não era essa a opção, para Conselheiros apresentaram-se então várias listas associativo-políticas, mais ou menos declaradas em todo o Mundo Comunitário. As eleições foram democráticas e os Conselheiros em França foram eleitos por 0,04% dos portugueses aqui residentes, isto é: menos de 3200 emigrantes elegeram os Conselheiros que deveriam representar todos os portugueses de França!

Eu tive a sorte de ter de me excluir da lista que encabeçava por... ter perdido a nacionalidade portuguesa. Há males que vêm por bem, no Consulado de Paris, alguns “amigos que me queriam bem” entenderam que por eu ter adquirido a nacionalidade francesa não me podia apresentar a essa eleição. Toma! Pois bem, dei o lugar ao segundo da lista que foi eleito, bem como o terceiro, que mais tarde foi o presidente do CCP e que até teve medalha do Presidente da República e tudo. Eu era o presidente da Coordenação das Colectividades Portuguesas de França, o segundo era um dos vice presidentes e o terceiro era o Director executivo, empregado da estrutura, grande conhecedor da Comunidade e militante confirmado, diga-se em abono da verdade.

Os sarilhos e desavenças políticas surgiram, a despesa foi aumentando, muito foi dito pouco foi feito; entre esperas e desorganizações foram-se fazendo dezenas de viagens, alguns compatriotas andaram a “cantar de galo”, mostrando-se a todas as janelas.
Não vislumbrei grande obra feita pelos Conselheiros das comunidades.
“ Vão falando que o vosso falar tem graça”, mas nada de concreto.

Aquilo que se passa agora

Na sua versão mais recente, esta estrutura recebeu na sua composição 10 Conselheiros nomeados. Não percebo a razão e não concordo com o método.

Depois das últimas eleições e nomeações ainda não me apercebi que algo tenha mudado nas comunidades ou que para lá caminhe!

É claro que a opinião que dei ao camarada José Lello não mudou nada desde então, pelo contrário, reforçou-se, com apoio na observação das (não) realizações do CCP.

Para explicar de maneira mais clara a minha opinião, devo dizer que não entendo que um certo número de indivíduos, muitas vezes sem bases suficientes para representar seja quem for, eleitos por tão poucos, sem possibilidade de levar as eventuais sugestões à Assembleia da República, possa representar um terço dos cidadãos de Portugal.

Quanto a mim, os Conselheiros das Comunidades, são uma simplificação depreciativa da maneira de governar aqueles que tiveram de abandonar o País por lá não haver condições normais de vida.
É por estas razões que entendo, que só um número equilibrado (seguramente muito superior ao actual) de Deputados, em representação dos diferentes círculos de emigração, pode ser útil a Portugal e às populações emigradas. Na condição porém, que, contrariamente ao que acontece hoje, esses Deputados sejam originários dos círculos que representem (como os Conselheiros).

Conselheiros Consulares

Trata-se de uma estrutura acabada de inventar, que no âmbito actual me parece desnecessária, duplicada e incoerente; será que os Conselheiros eleitos não chegam? Nesse caso seria necessário eleger um maior número.
A razão prende-se com o facto de se tratar de pessoas idóneas com uma forte experiência da região que representam, à priori os Conselheiro do CCP também... e são vizinhos!

Os Conselheiros Consulares, quanto a mim devem ser os funcionários consulares que se ocupam dos vários aspectos da vida comunitária: associativa, cultural, social económica etc...
Devendo esses ser também pessoas oriundas da comunidade, com conhecimentos comprovados nas diferentes áreas e com contratos de trabalho assegurando a estabilidade do posto.

Uma só pergunta: quem é que em Portugal percebe alguma coisa do que se passa nas comunidades?
...Ou duas: A quem é que isso interessa?

Conselho das Comunidades Portuguesas

A história de que me lembro

Há bastantes anos foi criado o primeiro grupo de conselheiros das comunidades, que tinha já como objectivo ajudar o Governo, informando-o dos factos importantes que preocupavam as Comunidades ou sugerindo soluções para os problemas existentes.
Esse grupo contava um certo número de Conselheiros escolhidos pelo Governo entre residentes dos países que representariam.
Depois de vividas várias situações de incompreensão e conflito, o que conduziu à demissão de alguns Conselheiros (alguns homens de grande vulto comunitário), o Conselho das Comunidades cessou a sua actividade.
Mais tarde, aquando a responsabilidade da Secretaria de Estado das Comunidades estava a cargo do socialista José Lello, resolveu este relançar a mesma estrutura, mas desta vez criando-a por intermédio de eleições a realizar nas Comunidades. Foi-me por ele pedida opinião sobre o empreendimento, fui claro: “vai ser um sarilho pois não há gente de qualidade interessada por tal cargo e será um pódio para quem o quiser atacar, ou o PS ou o Governo. Para além disso é factor de divisão das Comunidades por razões pessoais ou políticas e ainda por cima sai caro ao País; a única coisa positiva é que introduz eleições para os emigrantes”. José Lello retorquiu-me que não fazia mal, pois assim ficaria a conhecer os seus inimigos, o que aliás se revelou rapidamente exacto.
Também nessa altura eu e outros membros da comunidade manifestaram o interesse de um maior número de Deputados, o que na nossa opinião seria muito mais pragmático que Conselheiros sem “voz activa” na Assembleia.
Mas como não era essa a opção, para Conselheiros apresentaram-se então várias listas associativo-políticas, mais ou menos declaradas em todo o Mundo Comunitário. As eleições foram democráticas e os Conselheiros em França foram eleitos por 0,04% dos portugueses aqui residentes, isto é: menos de 3200 emigrantes elegeram os Conselheiros que deveriam representar todos os portugueses de França!

Eu tive a sorte de ter de me excluir da lista que encabeçava por... ter perdido a nacionalidade portuguesa. Há males que vêm por bem, no Consulado de Paris, alguns “amigos que me queriam bem” entenderam que por eu ter adquirido a nacionalidade francesa não me podia apresentar a essa eleição. Toma! Pois bem, dei o lugar ao segundo da lista que foi eleito, bem como o terceiro, que mais tarde foi o presidente do CCP e que até teve medalha do Presidente da República e tudo. Eu era o presidente da Coordenação das Colectividades Portuguesas de França, o segundo era um dos vice presidentes e o terceiro era o Director executivo, empregado da estrutura, grande conhecedor da Comunidade e militante confirmado, diga-se em abono da verdade.

Os sarilhos e desavenças políticas surgiram, a despesa foi aumentando, muito foi dito pouco foi feito; entre esperas e desorganizações foram-se fazendo dezenas de viagens, alguns compatriotas andaram a “cantar de galo”, mostrando-se a todas as janelas.
Não vislumbrei grande obra feita pelos Conselheiros das comunidades.
“ Vão falando que o vosso falar tem graça”, mas nada de concreto.

Aquilo que se passa agora:

Na sua versão mais recente, esta estrutura recebeu na sua composição 10 Conselheiros nomeados. Não percebo a razão e não concordo com o método.

Depois das últimas eleições e nomeações ainda não me apercebi que algo tenha mudado nas comunidades ou que para lá caminhe!

É claro que a opinião que dei ao camarada José Lello não mudou nada desde então, pelo contrário, reforçou-se, com apoio na observação das (não) realizações do CCP.

Para explicar de maneira mais clara a minha opinião, devo dizer que não entendo que um certo número de indivíduos, muitas vezes sem bases suficientes para representar seja quem for, eleitos por tão poucos, sem possibilidade de levar as eventuais sugestões à Assembleia da República, possa representar um terço dos cidadãos de Portugal.

Quanto a mim, os Conselheiros das Comunidades, são uma simplificação depreciativa da maneira de governar aqueles que tiveram de abandonar o País por lá não haver condições normais de vida.
É por estas razões que entendo, que só um número equilibrado (seguramente muito superior ao actual) de Deputados, em representação dos diferentes círculos de emigração, pode ser útil a Portugal e às populações emigradas. Na condição porém, que, contrariamente ao que acontece hoje, esses Deputados sejam originários dos círculos que representem (como os Conselheiros).

Conselheiros Consulares:

Trata-se de uma estrutura acabada de inventar, que no âmbito actual me parece desnecessária, duplicada e incoerente; será que os Conselheiros eleitos não chegam? Nesse caso seria necessário eleger um maior número.
A razão prende-se com o facto de se tratar de pessoas idóneas com uma forte experiência da região que representam, à priori os Conselheiro do CCP também... e são vizinhos!

Os Conselheiros Consulares, quanto a mim devem ser os funcionários consulares que se ocupam dos vários aspectos da vida comunitária: associativa, cultural, social económica etc...
Devendo esses ser também pessoas oriundas da comunidade, com conhecimentos comprovados nas diferentes áreas e com contratos de trabalho assegurando a estabilidade do posto.

Uma só pergunta: quem é que em Portugal percebe alguma coisa do que se passa nas comunidades?
...Ou duas: A quem é que isso interessa?

Era bom, mas acabou-se!

É todos os anos a mesma coisa, espera-se, espera-se e finalmente chega Agosto, o Sol, as praias, a família os amigos. É estranho, esta vontade de regar as raízes no mês mais quente do ano, mas o certo é que, sempre que é possível, lá vão milhões portugueses numa grande balbúrdia a caminho da Terra, pequena demais para os receber todos ao mesmo tempo...
Mas é bom, a alegria supra as carências e viva o descanso. No entanto o tempo, que tanto leva a passar antes, acelera de repente e põe toda a gente a andar para as suas casas... o trabalho espera.
Para os que como eu não têm férias (sim porque os aposentados não têm férias...) por vezes outras soluções se apresentam; graças ao iphone dei a volta ao mundo, tive contactos com camaradas de todo o lado. Fiquei feliz por saber que no Canadá o site do PS de Paris é lido e apreciado e principalmente porque de França à América, passando por outros países da Europa, há uma comunhão de ideias entre os socialistas emigrantes. No dia em que as secções forem maiores, creio que será possível que sejamos escutados com a atenção que deve merecer o terço de portugueses residentes estrangeiro e que nós reivindicamos há muito tempo.
Desta vez, como não fui longe já cá estou, cá os espero e oxalá cheguem em boa forma porque vamos ter muito que fazer!
Está aí a campanha eleitoral, a nossa actividade tem de ser igual à nossa convicção.
Vamos ajudar a eleger o Presidente da República Portuguesa!
É possível, mas como diz um animador conhecido; “sem vocês não tem graça nenhuma”.
Até Setembro.
Aurélio Pinto

dimanche 11 juillet 2010

Para quem não vai em futebóis!

E esta hein?

Portugal volta a vencer europeu de râguebi na variante de “sevens”
Hoje às 17:27 na TSF
Portugal sagrou-se campeão europeu de râguebi na variante de sevens pela sétima vez na história. Em Moscovo, a equipa orientada por Tomaz Morais venceu na final a França por 12-5.
A selecção portuguesa sagrou-se, este domingo, pela sétima vez na sua história, campeã europeia de râguebi na variante de sevens.
Em Moscovo, a formação orientada por Tomaz Morais venceu a França por 12-5 na final, numa partida «terrível» onde a equipa nacional teve se «empenhar muito».
«Estava muito calor e tínhamos dois jogadores já lesionados, o António Aguilar e o Pedro Mateus, e tiveram de dar o seu contributo à equipa para que pudessemos gerir bem o jogo», explicou o seleccionador nacional.
Em declarações à TSF, Tomaz Morais adiantou ainda que a «França esteve muitíssimo bem a defender, não nos deu grandes espaços e fez grandes placagens».
«Tivemos que jogar o nosso melhor sevens para poder ganhar. Marcámos numa fase de altíssimo nível. Estamos muito satisfeito porque foi uma final muito disputada e teve um sabor muito especial», frisou.
Tomaz Morais indicou ainda que os jogadores portugueses festejaram a sua vitória com um banho do rio Moscovo depois de «mais uma grande vitória para o desporto português».

samedi 10 juillet 2010

Cada vez somos mais pequenos

Paris - 2/07/2010 - Desde 2004, uma grande maioria dos portugueses e Luso falantes de França tinham por hábito ler o Lusojornal, jornal semanário comunitário gratuito, quer na sua forma tradicional em papel, quer na internet.
Neste jornal encontrávamos cada semana informações, reportagens, divulgações de eventos e de opiniões, sem notar a mais pequena parcela de censura ou de descriminação. Vitimado pela indelicadeza de alguns maus pagadores, o Lusojornal acabou hoje, deixando assim um vazio, numa comunidade que já tem pouca informação de qualidade que lhe seja dedicada. É mais um órgão de informação que desaparece na indiferença daqueles, empresários e organismos oficiais, que tendo os meios necessários para ajudar, dão preferência a outros investimentos, onde a cultura, a língua e Comunidade em geral, são sempre os parentes pobres.
A Secção de Paris do Partido Socialista Português, quer expressar aqui a sua solidariedade para com todos os dirigentes e colaboradores do Lusojornal e agradecer os esforços que fizeram durante seis anos, para que os Portugueses de França se sentissem tão Portugueses como os demais.
Aurélio Pinto

jeudi 8 juillet 2010

Atenção, um mentiroso pode esconder outro!

Paris – 20/06/2010 - Nesta Europa conturbada onde nada de bom se passa há já muitos meses, todos se agitam minha gente! Nas Assembleias, nos Partidos, jornais, rádios, televisões, salões, empregos e esquinas, não há quem se abstenha de contar uma verdade flagrante; tão flagrante e evidente que “até parece impossível que ainda não tenham sido seguidas pelo Governo”, tanto mais que “há meses que andamos a dizer isto”! “Até parece que fazem de propósito (no Governo) para contrariar o Povo e para agravar a situação”.“Isto está pior do que dantes”! Oh! Mar venha a onda forte...
Assim fala a “Rádio Voz da Europa”, em não sei quantos megaciclos por segundo.
O que é grave é que cada um dos que utilizam este tipo de “verdade”, não utiliza a mesma que os outros.
Conclusão: a cacofonia é total, os jornalistas andam encantados e fica tudo cada vez... na mesma.
Portugal não foge à moda, pelo contrário, é um tal ver quem mais pode juntar à confusão que, se não sabemos quem ganhará com isso, pelo menos já sabemos que quem vai perder é o País! Nestes momentos difíceis, em que tanto o Governo como o PSD deram sinais de alta responsabilidade, ao tentar encontrar soluções para remediar uma situação de crise, que nenhum perito viu chegar, em país nenhum deste velho continente, ou se viu, não teve ideias (ou interesse) para tentar impedir que tal acontecesse, e os outros Partidos não se podem impedir de continuar a apregoar medidas utópicas, por isso inaplicáveis.
Vejo sem que isso me admire, o CDS/PP atacar o Governo (o Primeiro Ministro
e o PS) com argumentos, que de construtivos nada têm. Vejo também o PSD, que por vezes parece envergonhado de ter ajudado a encontrar soluções viáveis ou subscrito as que eram propostas pelo Governo, a tentar puxar a brasa à sua sardinha, mesmo se isso vai contra as suas últimas intervenções “oficiais”; também isso pouco me surpreende. O que compreendo bem que o PSD, agora todo ufano com o resultado das sondagens (a quem governa seriamente em tempo de crise as sondagens são sempre desfavoráveis), dê apoio ao Pr. Cavaco Silva para que se recandidate à Presidência da República.
Convinha-lhes certamente mais a eles que ao país...
Espero agora que o PS ponha enfim em movimento a “máquina de ganhar”, dando o apoio necessário a Manuel Alegre, para que tenhamos de novo um Presidente Socialista; espero eu, a maioria dos socialistas e muitos outros... Portugueses de França.
In Lusojournal

Já não era sem tempo !

Paris - 29/04/2010 - De há tantos anos a esta data, a da saída do n° 253 do Lusojornal, tenho ouvido falar numa verdadeira casa de Portugal na região de Paris. Algumas vezes fui consultado, noutras ocasiões até participei em fases, que nunca deixaram de ser preliminares, da construção de projectos para esse fim. Recordo-me de uma velha fábrica de calçado em Paris, num bairro popular, que tinha muito boas condições para isso; era ainda muito “novo”, falei a amigos, fui ultrapassado, a “casa” não se fez e os iniciadores do projecto (?) perderam uma pipa de francos! Esta foi a mais cómica, mas depois houve outras ideias de cariz associativo bastante interessantes que sofreram de falta de meios. A Casa de Portugal (André de Gouveia) na Cidade Universitária foi desempenhando o papel de suplente dum titular que nunca existiu, mas isso foi noutros tempos! A Fundação Calouste Gulbenkian, ainda hoje assegura o alimento intelectual do segmento mais erudito da diáspora. Também com o inesquecível Eduardo Prado Coelho se estudou a hipótese de vender a rue Raffet e a passage Dombasle para fazer uma “Casa” que albergaria a Coordenação do Ensino, o Instituto Camões e a tal Casa das Associações. A ideia era atraente pois reunia todas as vertentes da comunidade, a dos salões e a das associações num espaço “in” e central em Paris; bastante se palmilhou lá para os lados da Bastilha nesse ano, depois por falta de financiamento (ou de vontade política), ficou tudo como dantes.
Numa altura em que as estruturas associativas federadoras como eram a Coordenação das Colectividades Portuguesas de França - CCPF- que ainda existe, mas que, com a baixa de actividade e de intensidade da mesma, perdeu a capacidade de federar que tinha outrora e a FAP - Federação das Associações Portuguesas, hoje extinta, que embora num perímetro bastante inferior, fazia o mesmo tipo de trabalho com sucesso reconhecido, uma Casa de Portugal é mais do que necessária.
Os tempos vão mudando, tudo evolui e os Portugueses de França, felizmente também.
O que resta estável, de pé firme, é a ligação de cada um de nós ao País e para assegurar essa ligação, ainda não se inventou nada melhor que a vida associativa. É nas associações que uma enorme percentagem dos nossos patrícios se exprime, através de múltiplas actividades desportivas e culturais, de convívios de comemorações. É também através da vida associativa que se têm obtido grandes avanços na implicação cívica dos portugueses, embora saibam a pouco, qual seria a situação sem a intervenção associativa? É também aí, e convêm não esquecer, que os portugueses recebem os franceses, mostrando quem são e de onde vêem.
Também acarinho a ideia de um outro Centro Cultural Português, uma cultura adicionada a outra cultura é igual a uma cultura maior, mas o impacto (donde a urgência), não me parece o mesmo.
É por isso que quando leio a entrevista do Secretário de Estado Dr. António Braga, afirmando (ou confirmando) que o ex Consulado de Nogent será a tal Casa, só posso dizer com alívio: Já não era sem tempo! Espero agora que se estude uma adaptação pragmática dos locais e uma gestão do dia a dia em adequação com as reais necessidades e que se não deixe voar este magnífico pássaro que temos nas mãos.

Vento de Março e chuva de Abril fazem Maio florir

Paris - 12/014/2010 - Que bom que foi no ano em que fiz 30 anos, já estava casado havia dez anos, a nossa filha já falava as duas línguas correntemente, a empresa onde trabalhavatinha escapado à falência (?) o que me garantiu emprego até à aposentação (foramlá quarenta anos ao todo). Tinha casa e carro novo, enfim tudo pelo melhor só mefaltava uma coisa: O passaporte!Minúsculo caderno carimbado que abria as portas para a felicidade total. Masisso era outro negócio. Naqueles tempos, na nossa terra, ter passaporte não eraapanágio de todos os Homens livres e quem tinha vindo para França bem sabia quesó podia obter o de ida! Mas como diz o povo: “Vento de Março e chuva de Abrilfaz Maio florir”, e o Povo é quem mais ordena!Lá pelas Caldas da Rainha e não só, já soprava o vento da revolta... em Abrilchoveu cravos e a partir de Maio TODOS tiveram passaporte para ir ao JARDIN.É por isso que cada ano, ao festejar o 25 de Abril, verto sem vergonha umalágrima de emoção, ao pensar que foi a partir daí que pude voltar a casa quandoa saudade me chama.Somos muitos a ter vivido este percurso, muitas vezes juntos.
Sinto-me feliz por saber que por esse mundo fora há milhares de lusófonos que compartilham comigo esta emoção, ainda, hoje, e sempre!

Nem sempre querer é poder

Paris – 27/07/2009 - Tenho ouvido tantas críticas e tantos louvores a tantas gentes e tantas coisas em tantas circunstâncias, que não é pelo facto da Direcção do meu partido não me ter escolhido para cabeça da lista pelo Círculo da Europa, como eu pretendia, que me vou lançar em tais práticas. Nem sempre querer é poder e para ser honesto, já estava à espera de tal desfecho. A razão é simples, eu vivo em França há quarenta e cinco anos e embora em Portugal seja conhecido de muito boa gente, não sou íntimo de nenhum “decididor”, nem faço parte da paisagem política do dia a dia dos dirigentes. Um abraço cordial de vez em quando não é suficiente para estabelecer a confiança necessária à obtenção de um tal cargo e a razão comunitária parece ter pouco peso... Foi certamente por isso que, à minha carta de apresentação de candidatura ao camarada José Lello, tive a resposta que transcrevo parcialmente: “Apreciei a sua missiva onde me sublinhou alguns aspectos pessoais importantes e outros da sua vida profissional e política. Aspectos esses que vieram reforçar a admiração que nutro por si e confirmar as suas potenciais qualidades de intervenção e de acção política. O que, naturalmente, vem confirmar um perfil de candidato a deputado.
Entretanto de acordo com os estatutos do PS, cabe ao SG a prerrogativa de indicar 30% dos candidatos a serem incluídos nas listas do PS. Nestes termos, de acordo com o que lhe poderei formalmente adiantar e tendo em conta a representatividade da estrutura partidária do Partido Socialista no Círculo Eleitoral da Europa, informo-o de que caberá à secção de Paris o segundo Lugar da nossa lista de candidatos a deputados. Eu veria com muito gosto
que essa representação fosse assumida por si”.
Esta decisão foi tomada certamente com consciência que seria a melhor decisão para o Partido. Não ponho em dúvida a honestidade intelectual da Comissão Política Nacional, nem me pronuncio em desabono do candidato escolhido que, como me disse o Secretário-Geral José Sócrates, é um excelente camarada. Só lastimo, como há já muitos anos vou lastimando, que a opinião dos militantes das comunidades não contem para nada e que só sejamos solicitados quando é preciso “apresentar serviço”.
Felicito o candidato escolhido, bem como Maria de Lurdes Rodrigues das Yvelinnes, Dora Mourinho da Alemanha e Carlos Ferreira da Suiça, que completam a lista e desejo-lhes um franco sucesso nas eleições.
Resta agora agir em socialista, isto é, ser solidário, ajudar à vitória e trabalhar para que as atitudes mudem, pois seja dito em abono da verdade, pouco ou nada tem sido feito nesse sentido, tanto em Portugal como em França.
É por isso que vamos pois, continuar a “apresentar serviço”, mesmo depois dos congressos e dos actos eleitorais...

Haverá portugueses socialistas em França ?

Paris - 3/10/2008 - Quem se limitar a ler a imprensa portuguesa de França conclui certamente que o PS português de França é uma história antiga, que cheira a mofo, corrompida por guerras internas, oposições pessoais, muita falta de trabalho por parte dos que em seu tempo o deveriam ter feito, etc., etc.
E nesse aspecto até têm razão os leitores. O PS português de França tem dado magníficos exemplos de inércia, de falta de espírito “militantista”, de nenhum respeito pelos valores morais que pode e deve encarnar.
Estou certo que em tempos muito remotos, ditos, tempos de guerra, em que era necessário lutar para que as coisa mudassem, muitos trabalharam e muito bem, os resultados até se verificaram. Em Paris a secção de Paris Sul chegou a contabilizar mais de duzentos aderentes segundo os “antigos”. Abençoados militantes! Mas a vida complica as coisas e os homens complicam a vida. Arrefecidos os ímpetos, arrefeceram também os entusiasmos, subsistiram somente alguns militantes fieis e incondicionais e, infelizmente outros, pseudo pilares que nada dirigiram e nada organizaram senão a inércia, o desinteresse e os seus próprios poleiros! Fracas ambições, tão contrárias aos nobres ideais Socialistas, que não levaram senão a demissões, desacreditações e mau estar. Quando se chega a um ponto em que ninguém sabe por cobro a tais situações (nem em França nem em Portugal) o melhor é parar. Foi o que aconteceu a muitos socialistas de Paris e de mais cidades de França. Parar não quer dizer desistir ou abandonar. Parar, significa dar tempo a quem dele precisa para reorganizar uma actividade que, por ser útil e vital para a democracia de Portugal, tem imperativamente de retomar o lugar que nunca devia ter deixado de ocupar. Hoje acontece que as condições para uma existência positiva do Partido Socialista Português em França estão reunidas. Vai haver mudanças, que não param de ser anunciadas e só podem corrigir uma situação poluída por actores que já nem em cena estão. Não vale a pena lutar contra moinhos de vento, já se sabe qual é o resultado. Há espaço para todos os militantes, há trabalho para todos e para todos o futuro sorrirá. Que se não acredite em rumores, que se não faça política de ficção. Sei a força que tiveram os socialistas nas presidenciais, quando se mobilizaram à volta de um candidato em Paris e noutras cidades, sem aparelho nem preparação oficial. Sei que em França há milhares de socialistas portugueses, sei que num ápice todos se vão encontrar. Sei que juntos temos muita força... que temos a força da mudança!

A propósito da Identidade Nacional

Paris – 8/07/2010 - O Governo Francês lançou uma grande campanha de debates sobre o tema da Identidade Nacional.
Independentemente da pertinência desta campanha e do interesse (ou falta dele) que ela possa ter, o assunto é revelador de “fantasmas adormecidos” no espírito de muita gente.
Quais são as vantagens de tal campanha, quais são os perigos, para quê (ou para quem) servirá? Quais são os cidadãos a quem essa identidade diz respeito?
E os oriundos de Portugal, também entram nestas considerações?
E a lei da dupla nacionalidade para os naturalizados?
Era este o tema da reunião que a secção do Partido Socialista Português de Paris teve que anular por razões independentes da nossa vontade no passado dia 24. Se esse debate não pode acontecer a problemática continua. Primeiro, porque a nível da nossa Secção, que eu saiba, ninguém está de acordo com tal iniciativa do Governo Francês, de tal forma nos parece tendenciosa a escolha do tema em período eleitoral. Depois, porque segundo a experiência de alguns camaradas que já participaram em reuniões organizadas pelas autoridades Francesas, pouco após o início o debate, este vira ao acusatório do Outro, do Invasor, “daquele quem vem comer o nosso pão”, ainda que seja ele o padeiro... É que os tais fantasmas adormecidos têm o sono leve e ao acordar, talvez façam votar por quem laçou o debate, para grande desespero daqueles por quem votavam dantes. E quanto a mim é este o intuito de tal organização. Por estas razões gostaria de saber concretamente a opinião do maior número de Camaradas ou Simpatizantes, de molde a poder tornar pública uma opinião global. Há dias ouvi uma entrevista do artista Francês de origem magrebina Jamel Debbouze, que dizia a propósito deste debate: “a França está a mudar de cara, e a cara é cada vez mais parecida com a minha; há que se habituar a isso!”. O Jamel tem razão, na verdade somos todos franceses e temos que aprender a viver juntos, com as nossas diferenças e adicionando as nossas culturas, para que cada um fique com uma cultura maior. Como tantos cidadãos por esse mundo fora eu tenho duas nacionalidades: a portuguesa, por acaso, pois nasci em Lisboa. Já lá não resido há mais de 45 anos, no entanto reivindico a minha nacionalidade Portuguesa a 100% porque não esqueci nada, porque me interesso e participo em tudo o que se passa em Portugal, porque tenho lá família, amigos e interesses e... as “raízes”. A nacionalidade francesa, tenho-a porque decidi obtê-la, vivi em França de molde a que isso fosse possível e aceite pelas autoridades; não sou francês por acaso, e se reivindico esta nacionalidade também a 100% é porque também aqui me interesso e participo na vida cívica, porque também tenho cá família, amigos e... muita “rama”. Não estou seguro de saber os dois Hinos de cor e salteado (gosto mais das músicas do que das letras), mas estou seguro que sou um cidadão Europeu a 100% e isso não preciso de debater com ninguém. E se um dia tiver de escolher? Será então porque um dos dois Países já não reúne as condições para que eu me identifique a ele, nessa altura, com amargura também saberei escolher.

A propos de l’Identité Nationale

Paris – 8/07/2010 - Le Gouvernement Français a lancé une grande campagne de débats sur le thème de l’Identité Nationale.
Indépendamment de la pertinence de cette campagne e de l’intérêt (ou du manque d’intérêt) qu’elle puisse avoir, le sujet est révélateur de « fantômes endormis » dans l’esprit de beaucoup de monde.
Quelles sont les avantages de telle campagne, quels sont ses dangers, à quoi (ou à qui) servira-elle ? Quels citoyens concernés ?
Les Européens et les originaires du Portugal en font partie également ?
Et la loi de la double nationalité pour les naturalisés ?
C’était celui-ci le thème que la Section do Parti Socialiste Portugais a du annuler pour des raisons indépendantes de notre volonté, le 24 janvier passé. Le débat n’a pu avoir lieu mais la problématique reste. D’abord, parce qu'au niveau de notre Section, que je sache, personne n'est d’accord avec cette initiative du Gouvernement français, tel nous semble tendancieux le choix du thème en période électoral. En suite, parce que selon l’expérience de quelques camarades qui ont déjà participé à des réunions organisées par les autorités françaises, peut de temps après le début, le débat tourne à l’accusation de Autre, de l’Envahisseur, « de celui qui vient manger notre pain », même si c’est lui le boulanger… Il faut savoir que « fantômes endormis » ont le sommeil léger et en se réveillent, peuvent faire voter pour ceux qui ont lancé le débat, au grand dame de ceux qui avaient l’habitude de recueillir leurs bulletins de vote. Quant à moi tel est l’objectif de cette campagne. C’est pourquoi j’aimerais savoir concrètement l’opinion du plus grand nombre de camarades ou sympathisants, de manière à pouvoir rendre publique une opinion globale.
Il y a quelques j’ai entendu une entrevue de l’artiste français d’origine magrébine Jamel Debbouze, qui disait à propos du débat : «… la France est en train de changer de visage, et le nouveau visage ressemble de plus en plus au mien ; il va falloir s’y habituer ! ». Jamel a raison, en réalité nous sommes tous français et devons apprendre à vivre ensemble, avec nos différences, additionnant nos cultures, pour que chacun obtienne une culture plus grande.
Comme tant de citoyens de par le monde j’ai deux nationalités : La portugaise, par hasard, parce que je suis né à Lisbonne. Je n’y demeure plus depuis 45 ans, cependant je revendique ma nationalité portugaise à 100% parce que je n’ai rien oublié, parce que je m’intéresse à tout ce que se passe au Portugal, parce que j’y ai de la famille, des amis, des intérêts et… mes « racines ».
J’aila nationalité française, je l’ai parce que j’ai décidé de la demander, j’ai vécu en France de manière à ce cela soit possible et accepté par les autorités ; je ne suis pas français par hasard, et si je revendique cette nationalité également à 100% c’est parce qu’ici aussi je m’intéresse et participe à la vie civique de la cité, parce que ici j’ai de la famille, des amis e … beaucoup de « ramage ». Je ne suis pas sur de connaître par cœur les Hymnes (je préfère la musique aux paroles), mais je suis certain que je suis un citoyen Européen à 100% et ça je n’ai besoin de débattre avec personne. Et si un jour il faut faire un choix ? Ce sera parce que un des deux pays ne réunit plus les conditions qui me permettent de m’identifier à lui, alors, avec amertume je saurais choisir.

Pergunto ao vento que passa... notícias do meu país

Paris - 25 de Abril de 2010 - Acontece todos os dias, pergunto aos jornais, à televisão à Internet à rádio e “é sempre a mesma melodia” (olha! lembrei-me do Luís Cília naquela: “é sempre a mesma melodia, Salazar e a sua democracia...), o vento só traz desgraças, de sério, nada me diz!
Já vou ficando saturado, ainda por cima, para além destas fontes de (des)informação, não enxergo nenhuma candeia que me diga que não há desgraças!
Felizmente há o 25 de Abril, nesse dia sim, de cravo na lapela só se respira felicidade! Lembramo-nos do bom que foi quando em 1974, a Liberdade invadiu os nossos corações. Reparamos que ainda ninguém esqueceu daquele dia (pelo menos nas comunidades), encontramos os mesmos sorrisos nas caras amigas de há 36 anos (...Ó tempo volta para trás) ou nas dos filhos e pensamos que valeu a pena fazer o que fizemos e que vale a pena continuar, contra ventos e marés.
Hoje no “R de Flora”, num almoço de confraternização das secções do PS Português de Paris e das Yvelines, que pela primeira vez se uniram para partilhar os valores do socialismo. Na opinião geral a experiência tem de ser renovada de tal forma agradou aos trinta e tal presentes. O entusiasmo foi o grande e o 25 de Abril foi enaltecido com emoção por Alda Pereira-Lemaitre, única “Maire” lusodescendente de França e aderente da secção do PS Português de Paris e por Pascal Joseph, “Maire adjunto” de Paris 20, primeiro francês que aderiu à nossa secção.
Muitos amigos e camaradas presentes, salientemos o Fernando Graça, o João Heitor a Lurdes Rodrigues o Parcídio Peixoto. O Nosso Deputado Paulo Pisco, que encontrei no dia 24 em Pontault-Combult, na comemoração dos 36 anos da APCS e do25 de Abril, teve de voar para a Assembleia, para assistir à cerimónia oficial. Lamentámos que não se tivesse podido encontrar uma data que lhe desse mais jeito... mas fica para a próxima. Paulo Pisco
pediu-me para transmitir um abraço a todos os militantes da secção e amigos presentes.
Ali se cantou Zeca e Adriano e de cravo ao peito nos despedimos, até Abril. Sempre!

Afinal em Portugal nem tudo é negativo.

Paris - 13/03/2010 - Dando uma vista de olhos pela imprensa na Internet, não pude deixar de ver as notícias (e vídeos) sobre o 32° Congresso do PSD.
Como não podia deixar de ser logo ao início, a Dra. Manuela Ferreira Leite, perante uma sala meia vazia, atacou o PS.
Parece ser o grande objectivo da sua vida, atacar o PS e o Primeiro Ministro.
Durante as últimas eleições não fez outra coisa, tentando com isso esconder a carência de Projecto para o País. Hoje os argumentos são os mesmos, o PS só faz disparates, volta a traz com as decisões, em suma um punhado de patetas que não sabem o que querem nem o que fazer, de tal modo estão atravancados nas “malhas de interesses” e outras “nebulosas”.
Tudo isto explicado num congresso “legítimo” para reflectir sobre a “situação real do país” onde a presidente do PSD fez um balanço positivo deste seu último mandato e mostrou orgulho pelo legado de “credibilidade” com que gratificou o partido. Afinal em Portugal nem tudo é negativo, há pois pelo menos uma pessoa contente com o trabalho da Dra. Manuela Ferreira Leite: ela própria.
Mas se formos ver bem as coisas, há outras leituras:
Atacar o Eng. José Sócrates e o Partido Socialista, valeu-lhe perder as eleições legislativas e regionais. Ponto final! Porquê? Certamente porque acusar sem provas não pega para quem tem a consciência tranquila, do que resulta que as “nebulosas, malhas e interesses” só servem para dar trabalho os jornalistas.
Por outro lado as reformas, as decisões, a luta contra a crise mundial que nos apanhou de chofre, com tanto mais intensidade que Portugal não tem os meios de um grande país, foram (e continuam a ser) tomadas pelo Governo Socialista e pelo seu leader, que têm sabido adaptar-se às situações e tomar em conta as sugestões positivas que lhes são feitas.
É certamente porque Portugal já percebeu que se tudo não está muito bem, sem o PS e o seu Governo a situação seria ainda muito pior. O País sabe que os Congressos do PS reúnem milhares de pessoas, solidárias e entusiastas, com vontade de ajudar a levar para diante o seu Plano de Governação. É certamente por isso que o PS nunca teve tantos autarcas como agora e não admira pois, que as últimas sondagens confirmem a 56%, que o Primeiro Ministro deve continuar no cargo e que o Governo deve ir até ao fim do seu mandato.

Votar por correspondência ou puxar a brasa à sua sardinha ?

Paris - 25/09/2008 - Muito se tem falado da decisão do PS de acabar com o voto por correspondência dos residentes fora do país. E como não podia deixar de ser, basta alguém sugerir qualquer coisa para que todos lhe caiam em cima e como sempre, adeus ó objectividade, o que conta é puxar a brasa à sua sardinha e marcar pontos... mas a razão acaba quase sempre por ganhar.
Todos nos recordamos da quantidade de palavras escritas e ditas, inclusivamente por mim, sobre a reestruturação consular, é claro que o principal para muitos críticos, era ter ocasião para falar. Com pertinência? Com conhecimento de causa? Qual, o que conta é falar para marcar pontos. Hoje constata-se, os utentes constatam, que o Consulado Geral de Portugal em Paris funciona às mil maravilhas e que Versalhes e Nogent já vão sendo histórias para esquecer. Quanto aos outros o tempo nos dirá... por quanto que as soluções previstas sejam aplicadas.
Li coisas interessantes nas crónicas de opinião deste jornal, tais que citar a França como exemplo em matéria eleitoral, quando todos sabemos quanto a “chiraquia” avançou em marcha-atrás para autorizar o voto dos imigrantes, enquanto que em Portugal já havia eleitos estrangeiros.
Hoje já há muitos portugueses eleitos em França, levou tempo e segundo alguns, ocupam funções de “vaso de flores na janela” isto é, só servem para vista. Em matéria de exemplo há melhor...
Mais interessante é o facto dos franceses quererem atribuir uma maior percentagem de Deputados aos seus residentes no estrangeiro. Portugal não poderá deixar de o fazer também. O número de residentes fora do país mantêm-se muito importante e o seu poder económico continua a ser uma das bases das receitas nacionais.
É inevitável que a quantidade de Deputados que os representam terá de se adaptar a esta perpétua realidade.
É justo, urgente e será uma maneira de melhor gerir o potencial de um quinto da nossa população.
Espero que seja uma proposta socialista, e que seja para breve.
Que ninguém se assuste, sabe-se que nas comunidades há homens de grande qualidade que querem o melhor para Portugal.
Mas para voltarmos ao voto por correspondência, basta que nos perguntemos: “o que é que poderia ter levado o PS a querer modificar a lei eleitoral” ?
A resposta é simples: Fiabilidade, transparência, implicação cívica e coerência!
As imperfeições do voto por correspondência, algumas inconfessáveis, são conhecidas e a deplorar. O método não oferece condições de transparência; ninguém pode garantir o sigilo integral do voto por correspondência (o que provavelmente deixará saudades a alguns!). Do mesmo modo, os métodos fazendo apelo à informática, nomeadamente à Internet, estão longe de oferecer a segurança necessária. Por outro lado é evidente que o voto de alguém que se desloca para votar é um voto idóneo; já o PSD, no preâmbulo do seu projecto de lei (N°152/VIII) sobre o voto dos emigrantes nas eleições presidenciais considerava, ao admitir o voto presidencial, “a todos os títulos o instrumento ideal de expressão da vontade dos eleitores e o mais motivador para estes” evidentemente. Só admira que agora tenha votado contra...
Todos estes argumentos são aqueles que levaram já à decisão de votar presencialmente para o Presidente da República, para o Parlamento Europeu e ainda para o Conselho das Comunidades.
A modificação da lei eleitoral foi aprovada pelos socialistas e comunistas (embora tenha lido críticas depois...) e só o PSD e o CDS-PP votaram contra, o bloco de esquerda absteve-se.
É claro que já perceberam que estou de acordo com esta inovação, no entanto sempre acreditei que vale mais um voto em más condições do que voto nenhum. Não imaginem que mudei de ideias ou que agora não me preocupo com a participação dos nossos compatriotas no acto eleitoral. Não, acontece que para o voto presencial é pedido que se promovam vastas campanhas de informação e que, o que é fundamental, haja um desdobramento de mesas de voto que permitam a participação do maior número de portugueses.
Simples novidade que resolve tudo!
Assim ninguém fica para trás nem longe das urnas.
Votando presencialmente, só com a sua consciência, aí sim, que cada um puxe a brasa a sua sardinha!

Cada macaco no seu Galho

Paris – 22/02/2009 - A Coordenação das Colectividades Portuguesas de França é uma organização não governamental regida pela lei de 1901, que eu conheci muito bem porque a presidi durante seis anos e meio.
Nunca esquecerei o estado em que encontrei aquela associação no início do meu primeiro mandato, nem tão pouco, (ainda menos) o estado em que a deixei. A razão é simples, quando ao fim dos tais seis anos e meio não apresentei de novo candidatura, o candidato ao cargo, a quem dei o meu apoio, garantiu-me que o trabalho até aí levado a cabo ia ser continuado. Que para isso toda a atenção seria dada à Coordenação, que outras actividades associativas iriam passar para segundo plano etc. Não sou desconfiado, nem gosto de me meter aonde não sou chamado, mas quando sou chamado, ainda que por carta aberta, não posso deixar de reagir. E faço-o com algumas perguntas: porque é que a CCPF perdeu a sua autonomia domiciliária? Porque é que dos nove empregados a tempo inteiro só restam... quantos? Porque é que quando encontro dirigentes associativos, a maior parte não sabe o que é, muito menos para o que serve a CCPF?
Porque é que o Presidente não assina as cartas abertas?
Ainda se ouve falar em eventos promovidos pela Coordenação, sim senhor, mas há quem diga que a embalagem é a mesma mas que a mercadoria é outra. Recordo-me dos tempos em que empregados e dirigentes da CCPF andavam pela França toda, durante a semana e aos sábados e domingos, a formar dirigentes associativos, a participar e ajudar a organizar eventos, a apoiar os aderentes, a falar sobre a cidadania, etc. Mas também me recordo que a Coordenação da Colectividades Portuguesas de França (do meu tempo), não se ocupava de política! Analisávamos as situações, muitas vezes com ajuda de profissionais exteriores, emitíamos opiniões consensuais (ver as inúmeras publicações) sobre a comunidade. Mas nunca, por obrigação estatutária, a CCPF (do meu tempo) deu directivas políticas.
Estar agora a fazer apelo aos partidos políticos que, unidos representam a maioria dos deputados, a mudar de opinião, é não só anti democrático, como também tendencioso e falacioso por pretender que a proposta do PS põe fim às conquistas do 25 de Abril.
Que a opinião dos aderentes (não dos dirigentes) da CCPF seja dada a conhecer publicamente compreende-se. Mas dar directivas aos partidos que, na maior parte dos casos, lutaram para que o 25 de Abril fosse uma realidade, ultrapassa as prerrogativas da Coordenação! Não achas Senhor Presidente?

Aurélio Pinto * - penúltimo presidente da CCPF, actual Secretário Coordenador da Secção de Paris do PS Português – aapinto@free.fr

O PS Português de paris festejou os 35 anos do 25 de Abril

Paris – 19/04/2009 - Sábado 18 de Abril, a secção de Paris do Partido Socialista Português comemorou em Paris, no restaurante “sur un R de Flora”, os 35 anos do 25 de Abril de 1974, numa cerimónia realizada com a presença do Secretário Internacional do PS francês, Maurice Braud e do adjunto da Presidente da Câmara de Paris 20, Pascal Joseph” (alias membro da secção Portuguesa de Paris). A representação de Portugal foi assegurada pela deputada socialista Maria Carrilho.
Na Ordem do Dia desta reunião constava uma análise da actuação do governo português nos três últimos anos.
Maria Carrilho apreciou o entusiasmo dos presentes pelas iniciativas governamentais tais que as energias renováveis e centrais de biomassa, o Programa de Novas Oportunidades e o Programa Simplex, o alargamento das Lojas do Cidadão a alguns países na Europa, o ensino da língua inglesa e a distribuição de computadores no ensino básico.
Do debate que se seguiu surgiu "uma recomendação" no âmbito do ensino das línguas estrangeiras em Portugal: "Visto que em Portugal há uma tradição de aprendizagem da língua francesa, que o francês continue a ser olhado com alguma atenção".
Durante o jantar que se seguiu, Aurélio Pinto, Secretário Coordenador da secção de Paris, felicitou os militantes da secção que desde as eleições de Fevereiro já aumentou o número de aderentes de 22%.
A secção de Paris do Partido Socialista português vai agora trabalhar, entre outros temas, sobre a reforma dos emigrantes portugueses em França, que será o tema principal da próxima reunião alargada do Secretariado.

Informar ou antes pelo contrario?

Paris - 9/03/2009 - Por estes dias tenho viajado bastante entre Portugal e França, por obrigação da minha nova função se Secretário Coordenador da Secção PS Português de Paris. É sempre bom ir “à terra”, ver os amigos - neste caso - e camaradas, ouvir as pessoas, ler os jornais e ver as televisões que não chegam cá, ou às quais eu próprio não chego...
Fiquei feliz por ter assistido a dois momentos importantes do partido socialista, o primeiro na qualidade de Delegado ao congresso de Espinho, eleito pelos meus camaradas, o segundo como membro da Comissão Nacional que elegeu os diferentes órgãos do partido, no passado dia oito em Lisboa. Feliz porquê? Porque vi um partido coeso, unido, com obra feita, com projectos e com muita gente com capacidade e vontade de por o nosso país no bom caminho. Feliz, porque assisti a um Congresso de um mar de gente que não tem vergonha de mostrar que está contente por estar ali, que está orgulhosa do que foi realizado, que procura o debate, que não teme as críticas, mas que não exclui ninguém! É claro que tal coesão põe em evidência o Secretário Geral, ainda bem que o PS tem como de costume, um verdadeiro leader.
Mas também fiquei desiludido com a atitude dos média; fazem-me lembrar a história do burro, nos cestos do qual o dono punha toda a carga só de um lado e depois admirava-se que o burro não andasse para a frente! Os média estão a tomar os Portugueses por burros, só carregam o cesto do negativismo (ajudados pelos partidos que não têm nada a propor) deixando a carga do outro cesto, aquilo que de positivo tem sido feito, no fundo da loja. Para dizer (como o dono do burro) que nada avança.
Mas valha-nos o juízo dos portugueses, senão vejam só: na última sondagem Artimagem publicada no Correio da Manhã, com dados de fins de Fevereiro, podia ler-se: opiniões favoráveis, PS 38,3%, PSD 24%. O melhor candidato a primeiro Ministro, José Sócrates 48,3%, Manuela Ferreira Leite 20,5%. A escolha de Vital Moreira para liderar a lista PS às eleições Europeias foi, Boa 43,1%, Má 16%.
Como lembrou Sócrates no Congresso “o povo é quem mais ordena”.

O Melhor é o inimigo do Bem

Paris - 31/12/2009 - Segundo o eurodeputado Vital Moreira, numa entrevista ao SOL, Manuel Alegre não é um candidato ganhador para as eleições presidenciais, afirmando no entanto que a sua candidatura é «um facto político irreversível». Explica o eurodeputado que “Alegre está demasiado à esquerda, que não conquista espaço ao centro e que se deixa cooptar pelo Bloco de Esquerda”!
Lá que a candidatura de Manuel Alegre é um facto político irreversível, é.
Mas afirmar que um histórico do PS que está muito à esquerda e que por isso não é um bom candidato, parece-me o resultado duma reflexão que deve arrepiar muito socialistas que como eu, não concebem o PS senão à esquerda. Também utilizar o verbo cooptar para mencionar a relação do Bloco de Esquerda com Manuel Alegre me dá ideia que Vital Moreira talvez não se tenha apercebido que se os eleitos pelo PS agirem como homens de esquerda, é provável que muitos militantes do BE não encontrem a necessidade de utilizar outra “camisola” que a do PS, pois eles também são Socialistas.
Todos os homens do Centro compreendem qual é função dum Presidente da República e não me consta que noutros tempos, algum tenha caído em apoplexia quando presidentes de Esquerda foram eleitos.
Para ganhar eleições, sejam elas quais forem, claro que muitos factores entram em jogo, nomeadamente o apoio do Partido. No entanto o candidato escolhido deve possuir algumas qualidades: ter a envergadura do cargo a que se propõe, ter honestidade intelectual (e não só) necessária para assumir altas funções, acreditar nas suas ideias, ser coerente e capaz de trabalhar para o bem de todos e ter o carisma e a eloquência que permitam que tudo isto seja, para quem vota, tão evidente como o nascer do Sol cada dia.
Não acredito que o PS continue a fazer erros de casting.
Talvez haja melhor, mas quanto a mim Manuel Alegre está muito bem!

às urnas “citoyens, votem p’ra diente”

Paris - 14/12/2007 - Ultimamente tenho lido coisas muito interessantes em vários jornais, mas principalmente no Lusojornal.
Tenho reagido sem caneta (melhor diria sem computador), isto é, só em conversa com amigos. Há pouco tempo fiquei mais ou menos embasbacado ao ler os artigos do Presidente Mário Soares e o do Professor Marcelo Rebelo de Sousa; pareceu-me que alguém tivesse trocado as assinaturas, reagi para dentro, ganhei energia porque mais tarde pode ler e ouvir reacções de pessoas que também tinham ficado tão perplexas como eu.
Desta vez escreve o Engenheiro José Lello. Não é segredo para ninguém que eu sou amigo de José Lello, não intimo, mas amigo. Tive durante vários anos a ocasião de constatar as suas qualidades e defeitos, apreciei a sua maneira de se mover nas Comunidades, que por vezes são como “areias movediças” para quem com elas lida. Apreciei ainda o apoio que deu para que o organismo que eu dirigia levasse a cabo os seus objectivos a bem dos portugueses de França.
Normalmente gosto de ler o que José Lello escreve, em qualquer jornal, sobre qualquer assunto, até (ou principalmente ?) “na Bola”.
Hoje devo dizer que no fundo estou de acordo com o apelo que faz em nome do Partido Socialista. É evidente (ou devia ser) que é absolutamente necessário inscrever-se até ao dia 31 de Dezembro, para depois poder ir votar e até, melhor seria, ser eleito. Pertenço ao grupo daqueles que há anos sem fim têm apregoado sem se cansar, por toda a França, o interesse, a pertinência, a necessidade de votar em França e porquê.
Também estou de acordo com o facto que todos aqueles quem aqui têm a possibilidade de o fazer, expliquem aos que ainda não perceberam, porque é que devem ir inscrever-se para votar. Só que eu talvez não utilize os mesmos argumentos. Eu não digo que indo votar os portugueses ficam em igualdade com os franceses. Eu digo que os portugueses que aqui vivem já estão em pé de igualdade com os demais (franceses e outros vizinhos). Por isso devem exercer os seus deveres cívicos. Não gosto de dizer que votando será melhor para os portugueses, prefiro dizer que votando será melhor para todos, pois a opinião de quem vota é que conta. Incentivar os portugueses para votar em França para dar força a Portugal, também não me parece necessário. Na minha opinião é aqui é que se devem separar as águas. Os portugueses em relação ao país de acolhimento é uma coisa: cá se está, cá se pagam impostos, cá se vota...cá se vive. Em relação a Portugal a história complica-se. Os portugueses de fora sonham com Portugal onze meses por ano. Os portugueses de Portugal (não se trata das famílias obviamente) pensam nos portugueses de fora...em Agosto. Os portugueses de fora, não esquecem a terra, como não podem lá ir todos os dias, mandam as economias. Os portugueses de Portugal não contam com os portugueses de fora, só gerem as suas remessas . Portugal não se apercebe, mesmo se é fraca a participação dos portugueses nas eleições municipais em França, da força que poderia ter, se fosse mais “intimo” com aqueles que moram longe da Ribeira ou do Rato.

Aurélio Pinto: Candidato a Candidato pelo PS

Paris – 26/06/2009 - O Presidente da Secção de Paris do Partido Socialista Português confirmou esta semana a sua candidatura a Candidato às próximas eleições legislativas pelo círculo eleitoral da Europa. Em Setembro de 2008 Aurélio Pinto apresentou a candidatura a candidato, hoje, reforçado com a vitória socialista nos Consulados em França, tem esperança que José Lello, responsável pela área das Comunidades no Partido tome em conta esses resultados.

LusoJornal: Confirma a sua candidatura a Candidato a Deputado pelo Círculo da Europa?
Aurélio Pinto: Sim, confirmo. É a minha convicção que os Deputados das Comunidades devem sair das Comunidades, por isso no dia em que percebi que a Deputada Maria Carrilho não parecia interessada em voltar a apresentar-se e que, segundo certos observadores, não havia ninguém nas Comunidades em posição de assumir o cargo, pedi ao Director das Comunidades do PS que levasse a minha candidatura ao conhecimento do Eng. José Lello. Mais tarde, aquando o Congresso de Espinho e depois na primeira Comissão Política do Partido em Lisboa, falei pessoalmente com o camarada José Lello sobre este assunto.

LusoJornal: E já tem resposta positiva de Lisboa?
Aurélio Pinto: Ainda é cedo. E atenção: ser candidato num país com tantos milhões de cidadãos não quer dizer que se seja escolhido. Estou consciente que o PS tem muitas mulheres e homens de valor. Se não for eu, espero que seja alguém que possa actuar ao nível que todos esperamos. Aguardo resposta.
O certo é que já sou socialista há muitos anos e sê-lo-ei no futuro, pois para um militante responsável, há sempre muito trabalho.
LusoJornal: Considera que seria um bom candidato para o PS?
Aurélio Pinto: Há mais de 40 anos que vivo em França sem nunca ter deixado de seguir a evolução do nosso país, onde vivi os primeiros 20 anos da minha vida. Lá vi evoluir a ditadura de Salazar, assisti às suas práticas, sofri com elas – tinha 12 anos na foto do primeiro mandato de captura com que a PIDE me homenageou – e de lá tive de fugir para viver livre.
Em França, para além de uma vida profissional completa e densa, como informático numa empresa de construção automóvel durante 40 anos, também estive sempre ao lado da Comunidade. No dia 25 de Abril de 74, fui dos que “ajudou” a abrir a porta do Consulado de Paris (dia mágico em que mesmo aqueles que eram sempre recebidos como cães, tiveram direito a um passaporte). Fui dirigente associativo, primeiro numa associação desportiva de franceses, onde participavam já alguns lusodescendentes, depois em várias associações da nossa Comunidade. Estou a referir-me à Rádio Portugal FM, depois à Coordenação das Colectividades Portuguesas de França, onde o mergulho foi radical, por seguir a par e passo o crescer da Comunidade portuguesa em toda a França. Também as múltiplas visitas a outros países da Europa e não só, me permitiu de observar as Comunidades fora de França, de maneira a saber reagir. A minha implicação enquanto socialista activo permite-me (obriga-me), de tomar parte na procura das soluções para os problemas. Se ser um bom candidato para o PS é pôr ao seu serviço a experiência, o pragmatismo, o entusiasmo, a franqueza e a vontade de ajudar os outros e o País, não tenho dúvidas, serei um bom candidato.
LusoJornal: Pensa que vai ter a aceitação das estruturas em Lisboa? E das estruturas em França?
Aurélio Pinto: Em relação a Lisboa, penso que a minha candidatura será aceite sem que isso implique que seja eu o escolhido.
Quanto às estruturas em França, como penso não estar em concorrência com ninguém, acredito que a Comunidade me conheça suficientemente para entender que posso oferecer as garantias necessárias. Além do mais já me vou habituando a ganhar todos as eleições em que participo ou que apoio. Se em tempos a escolha dos candidatos elegíveis do meu partido esteve alheia às realidades do terreno, creio que hoje o raciocínio é outro, mais ponderado e com os olhos nos resultados a obter. Na Europa as eleições ganham-se ou perdem-se em França, e todo o mundo já percebeu isso. Quanto às relações com as estruturas de França, tanto as portuguesas como as francesas, são as melhores. Depois de algumas peripécias das quais o relato nos média foi mais largo do que a realidade dos factos, sabe-se que hoje em França as Secções do PS tratam directamente com o Partido em Lisboa, onde o Departamento dedicado às Comunidades, dirigido pelo camarada ex-Deputado Paulo Pisco, tem vindo a realizar um trabalho muito interessante que deve ser continuado.

LusoJornal: Como considera o trabalho feito pela actual Deputada do PS, Maria Carrilho?
Aurélio Pinto: Em primeiro lugar devo dizer todo o apreço que tenho pela Dra. Maria Carrilho e pela coragem que teve ao aceitar o cargo que lhe foi conferido. Antes mesmo das eleições, recordo-me de lhe ter dito que teria sido melhor para todos que lhe tivessem proposto um cargo mais importante no Governo, tal o seu currículo é importante. A agressividade dos temas que preocupavam a Comunidade quando foi eleita e a veemência daqueles que os defendiam, não facilitou o trabalho da Deputada. No entanto, sei por tê-la acompanhado algumas vezes, que nunca virou a cara e tentou alertar para a importância dos problemas, propôs soluções e defendeu-as. Não foi tão visível como se gostaria? Mas será só a visibilidade que conta?

LusoJornal: E como considera o trabalho feito pelo actual Deputado do PSD, Carlos Gonçalves?
Aurélio Pinto: Carlos Gonçalves é um homem que conhece o terreno, passou a vida a defender os interesses da Comunidade, altura em que até o felicitei por escrito e lhe prometi ajuda se necessário fosse. Hoje é um político, muito activo, muito presente, se bem que me pareça passar agora a vida a defender os interesses do seu Partido (e os seus?), criticando os outros, como o PSD têm hábito de fazer. Respeito o homem, mas não felicito o Deputado.

LusoJornal: Como considera o trabalho feito pelo actual Governo PS, para a área das comunidades?
Aurélio Pinto: Este Governo PS tem feito mais pelo País do que aquilo que a oposição tenta dar a entender, o que também se verifica na área das Comunidades. Os problemas encontrados pelos Portugueses residentes nas Comunidades são importantes para todos, mas também é preciso relativizar a sua importância no panorama geral de Portugal. Na minha opinião há uma grande incompreensão entre os Portugueses “de fora” e os de Portugal. Quem está em Portugal acha que pedimos demais, e os emigrantes entendem receber de menos. Os Governos estão sempre em Portugal, o do PS também, a tendência é dar prioridade aos problemas no território. Não está bem! Esta atitude ainda está por resolver embora o PS se debruce bastante sobre a questão, com factos, não com palavras ou promessas vãs. É uma das razões pelas quais eu insisto que um Deputado que represente a emigração tem forçosamente que a conhecer, que ter vivido com ela, e que permanecer à sua escuta em todas as circunstâncias, tendo capacidade para com ela comunicar. Penso também que o número de Deputados atribuídos à emigração é ridiculamente inferior ao que devia ser.
LusoJornal: Como está a sua questão da nacionalidade? Já renunciou à nacionalidade francesa?Aurélio Pinto: Isso é um problema secundário. Adquiri a nacionalidade francesa por razões óbvias de “conforto profissional”, como milhares de compatriotas adquiriram outras por esse mundo fora. Quando, para servir o meu país, for necessário abdicar, isso não me põe o menor problema. É pena ter de perder tempo com isso, um dia virá em que o facto de ser eleito por um país invalidará implicitamente a outra nacionalidade... mais ou menos como no futebol...

O PS português amplifica o trabalho em Paris

Paris - 15/06/2009 - O fim de semana de 12 a 14 de Junho foi intenso para as estruturas do PS português na região de Paris onde ocorreram vários eventos e visitas de trabalho.
No dia 12 às 18 horas, uma delegação composta por Paulo Pisco, Director do Departamento de Relações Internacionais do PS, Aurélio Pinto, Secretário Coordenador da Secção PS de Paris e Lurdes Rodrigues membro do Secretariado da Secção das Yvelinnes, deslocou-se à Seine-Saint Denis onde foi recebida em Noisy-le-Sec por Alda Pereira-Lemaitre, presidente da Câmara Lusodescendente daquela cidade.
O objectivo era explicar a esta autarca, a estratégia que o PS Português, em estreita colaboração com o PS francês, que lidera o processo, está a por em pratica com os eleitos socialista lusodescendentes. Depois deste encontro a delegação foi também recebida por Claude Bartolone, Presidente do Conselho Regional do departamento Seine-Sait Denis, a reunião prolongou-se num jantar de trabalho com os eleitos de Noisy-le-Sec et vários dirigentes de secções socialistas francesas locais.
Na manhã do dia seguinte Paulo Pisco e Aurélio Pinto visitaram a Associação Portuguesa de Pontault Combault – APCS – aonde foram acolhidos pelo Presidente Mário Castilho e pelo Professor Joaquim Pires. Nessa ocasião foram explicados os projectos das duas organizações e aventadas as possibilidades de colaboração entre ambas.
Pelas 18 horas Paulo Pisco participou na reunião do secretariado da Secção de Paris no restaurante Sur un R de Flora, onde foi analisado o resultado das eleições europeias e as consequências do mesmo, par o futuro da vida política de Portugal. Apesar da derrota manifesta do PS nestas eleições, sublinhou-se porém a vitória em França e especialmente em Paris, onde os resultados foram ainda mais nítidos. Na ordem do dia trataram-se outros assuntos, tais como a continuação da expansão da secção, a constituição dos grupos de trabalho e as eleições do Outono 2009. Seguiu-se um jantar de confraternização entre membros e simpatizantes.
No dia 14 pelas 10h45 a mesma delegação acompanhada por Parecídio Peixoto, Secretário Coordenador da Secção PS das Yvelinnes, acompanhado de Lurdes Rodrigues da mesma secção, assistiu à inauguração do Consulado Virtual.
O fim de semana acabou na Festa da Rádio Alfa para a qual Paulo Pisco tinha sido convidado VIP. E tudo isto durante três dias de sol.
In Lusojornal.

Acabei de ter uma ideia genial

Paris - 29/06/2009 - Na vida de cada um de nós há sempre um momento privilegiado, aquela altura em que se tem a ideia genial, espaço de tempo em que somos contemplados pela graça, ocasião em que o espírito se abre, em que tudo parece fácil.
Momento em que a gente se atira para frente e põe a funcionar ideias, que até aí nem era bom pensar nelas. É então que se lança a primeira pedra para a tal empresa com que se sonhava; ou se toma a decisão de casar; ou de mudar de vida; ou assentar o juízo que “já tenho idade para isso”; ou de comprar a casa dos nossos sonhos; ou de deixar de fumar “para sempre” etc. Enfim, todos nós temos exemplos de casos em que de repente alguém “viu a luz do sucesso” e deu um largo passo para a frente na sua vida.
Eu também tive há pouco uma ideia genial: decidi não voltar a repetir-me quando escolho o tema para estas minhas simples crónicas de opinião. Mas sou obrigado a não por a minha ideia em pratica ainda desta vez!
Já conhecemos as datas das eleições legislativas e autárquicas, em Portugal. Por isso, se tem mais de 17 anos, espero que o sopro da razão também lhe toque, que tenha a ideia genial de se inscrever (ou de actualizar a sua inscrição) no Consulado mais próximo de sua casa, para que a sua vida de Cidadão também dê um valente passo em frente quando for votar.

“DIASBOLA” não, “DISPARÁBOLA”

Paris - 1/12/2009 - Li há dias no DN um artigo engraçado de Céu Neves, intitulado “Futebol é o grande factor de integração dos emigrantes”. Este artigo surge após a apresentação no Instituto de Ciências Sociais (ICS) em Lisboa, dos resultados iniciais do primeiro estudo comparativo sob o tema : “Diasbola”, coordenado por Nina Clara Tiesler, cidadã alemã casada com um português e que vive em Portugal há nove anos, segundo a autora.
Só achei engraçado o artigo, pois as conclusões do estudo parecem-me pelo menos fantasistas, injustas e perigosas.
Todos os portugueses residentes no estrangeiro sabem que poucos são os nossos compatriotas que vivem “lá no quintal” que percebem, ou melhor, que querem perceber o que se passa nas comunidades; como é que lá se vive, quem somos nós. Alguns, mas nem todos, sabem que somos capazes de enviar remessas e que isso é importante para o País.
Não sabem que muitos de nós estamos mais ao corrente do que se passa por lá do que a maior parte deles.
Não sabem que o nosso patriotismo é exacerbado pela lonjura e pela saudade e não sabem, pelas mesmas razões, o que os portugueses de fora têm feito para “integrar” Portugal nos países em que residem.
Certamente saberá bastante menos sobre estes sentimentos e esforços a Senhora Dona Nina Clara Tiesler (que deve ser Doutora, não ponho em dúvida), pois vive em Portugal há pouco tempo e estuda muito assuntos relacionados com os muçulmanos e o Islão em Portugal, o que tem pouco ou nada a ver com a integração dos portugueses nos países de acolhimento!
Dizer que o futebol “fez mais no estrangeiro do que as associações, a tradição ou a língua e que se tornou no elemento mais importante de integração dos imigrantes”, é um disparate que revela uma falta de conhecimentos do que se passa nas comunidades.
Ninguém pode esquecer o trabalho incansável de milhares de dirigentes associativos que por esse mundo fora têm posto Portugal em cena de há dezenas de anos a esta data, em parceria com as entidades de acolhimento. Centenas de grandes associações e federações de associações, fizeram mais para aproximar os portugueses dos países de acolhimento que os Governos podiam ter feito ainda que tivessem vontade de o fazer. Eventos culturais – festivais de teatro, de cinema, o salão do Livro de Paris com Portugal convidado de honra festas com 30000 pessoas na praça pública, etc. -, desportivos, cívicos, políticos, religiosos, só em França são milhares de dias por ano.. e o Eusébio, o Figo ou o Cristiano Ronaldo não participaram em nada!
Se já viram um Portugal-França no estádio de França, ou um Benfica-PSG, no Parc des Princes (já viram senhores científicos?) ainda que sejam jogos amigáveis, vêm os adeptos Franceses com vontade de engolir (não ouso escrever o verbo mais utilizado...) toda a comunidade portuguesa, com desdém quando ganham, com rancor quando perdem.
Note que os portugueses que também não têm vontade de ser (enrab..., perdão) engolidos, tornam-se discretos ao perder ou “gozões” quando ganham. No dia seguinte nos empregos o melhor é estar calado, a bem da integração!
É certo que o futebol tem uma linguagem própria e universal, mas o mais reles dos “hooligans” saberá afirmar que só o seu clube ou país é que é bom, e quem disser o contrário é o inimigo a desintegrar, como confirmam todas as polícias do mundo.
É verdade que é impossível dissociar a população portuguesa do futebol (Monsieur de La Palice não diria melhor) e a inglesa, a francesa e a argentina e todas as outras, o futebol é o “maior” desporto do mundo, mas cada um torce pelo seu campo.
Ainda me recordo do que disse um ex-ministro do desporto de Portugal na véspera de um jogo para o campeonato do mundo entre Portugal e Angola: “Angola é um país irmão, mas Portugal tem de ganhar e por muitos!”, claro!
O Futebol é um orgulho para todos os que dele gostam (há quem não goste nada, só em minha casa são dois terços), os emigrantes não são excepção, são portugueses como os demais (sabiam?).
Mas o Futebol só é um factor de orgulho para todos aqueles que pertencem aos clubes ou países que ganham, tanto mais que é acessível a todos, a informação sobre o futebol do nosso país atinge todas as populações em quantidades industriais, assim acontecesse também com a informação cívica, política ou cultural para ajudar a abstenção a diminuir.
Pergunta a investigadora, coordenadora do estudo que “se os portugueses levam na bagagem o bacalhau, a cerveja, o café, os ranchos, como é que podiam deixar o futebol?”
Isto é linguagem do passado, está desfocada. Os portugueses levam na bagagem a cultura que têm, que têm todos os portugueses à partida; depois adicionam-lhe outra cultura e ficam com uma cultura maior! Esta é a imagem que os portugueses transmitem aos filhos, que por sua vez tendo a possibilidade de estudar e evoluir, acabam geralmente por aderir e tentar desenvolver. O bacalhau vem do mar do norte, o resto há em todo o lado e todos ainda gostam de consumir.
Depois dizem que os lusodescendentes já não estão habituados a essas coisas. Boa! Sabem que à volta de Paris há várias “boites” (dancings) portuguesas e que estão sempre cheias de lusodescendentes jovens (também há Lusodescendentes de uma idade mais avançada...), que bebem (muita) cerveja e não só e alguns deles até pertencem à Academia do Bacalhau?
Quanto aos ranchos folclóricos, mesmo não sendo amador, nem perito, posso dizer-lhes que são constituídos na grande maioria por crianças e adolescentes e muitas vezes INTEGRAM franceses.
Bem sei que toda a tese se defende, mas francamente para quê deitar mais poeira nos olhos daqueles que por vezes não querem, não podem ou não sabem ver ?
Antes do bacalhau, (a cerveja foram os alemães), do café etc... os portugueses levaram para o Mundo a pimenta, o chá... a cultura do próprio universo. Elementos não do século passado mas de há muitos séculos e são esses elementos que as associações desde a década sessenta, se esforçam por mostrar aos países que as acolhem.
E desminto, muitos portugueses das novas gerações falam melhor português que os pais, que viveram uma época em que andar amordaçado era o dia a dia no nosso país.
Muitos das novas gerações estão implicados na vida associativa (por exemplo, no futebol... e nos ranchos, onde os velhos já não podem) e na política.
Eu penso que seria melhor que acabassem de “estudar” as comunidades, pois com estudos assim, qualquer dia ninguém sabe do que se trata e ainda acabamos por ver o Corpo Diplomático equipado de azul, verde ou vermelho a “chutar cada um para onde está virado” .
...
Ontem o Benfica perdeu três pontos, eu estou triste, mas os Franceses estão-se nas tintas!
É por isso que chamaria ao dito estudo: “DISPARÁBOLA”... disparates sobre a bola numa grande parábola sobre a diáspora!

Até que enfim, ouvi o discurso que fazia falta.

Paris - 10/06/2009 - Devo confessar que normalmente não sou amador do discurso do Presidente da República. Habituei-me a não gostar desde que o Pr. Cavaco Silva foi primeiro ministro.
Lembro-me como se fosse hoje. Estava em Lisboa quando surgiu o ”tsunami laranja”: um mar de bandeiras, um trovejar de buzinas e milhares de jovens em festa! Até chorei! Chorei porque me veio à memória uma outra festa, na qual todos participaram mas que ficou na História por ter acabado com uma ditadura, dando-nos finalmente a possibilidade de construir um futuro de liberdade, de igualdade e de progresso. Nessa altura não fui o único a chorar, fomos milhões, mas de alegria! O caso não era para menos. Ainda hoje em Paris comemoramos esse dia com um sentimento que surpreende, talvez porque o facto de termos sido obrigados a deixar o país, nos tenha ligado ainda mais a ele. Hoje pergunto: para o que é que serviu o 25 de Abril, se aqueles que o fizeram não foram capazes de dar a Portugal o rumo nessa altura por todos desejado? Os políticos passaram rapidamente a dar prioridade à resolução dos problemas partidários que, na maior parte dos casos são equacionados de molde a favorecer tal ou tal “senhor” ou a manter os privilégios de tal ou tal outro. Os portugueses passaram rapidamente a dar prioridade ao protesto contra tudo e contra todos, (para isso também serviu a democracia trazida pelo 25 de Abril...), sem se terem dado ao trabalho de tentar compreender as situações e sem que elas lhes tenham sido explicadas (o que é ainda mais grave). Assim se chegou ao ponto em que milhões de jovens mal informados e cidadãos de memória curta, ou condicionada, festejam situações que conduzem inevitavelmente a épocas antigas em que nada havia a festejar! Hoje os resultados das Eleições Europeias confirmam o que se ia pressentindo; os eleitores, cansados, não foram votar e assim “deram de bandeja” a Europa ao PSD, que por sua vez imagina ter ganho as eleições por mérito próprio. Fica tudo como dantes! Até a emigração se mantém no nível dos anos sessenta. E no país, a maneira de olhar os portugueses da diáspora também se mantém... só que hoje, dia de Portugal de Camões e das Comunidades, até que enfim, ouvi o discurso que fazia falta! Foi o discurso do Presidente da República, que afirma que já é tempo que Portugal olhe a Diáspora de outra maneira.
Para falar verdade, não creio ir-me habituar a gostar do discurso do Pr. Cavaco Silva, no entanto, devo dizer: “bravo Senhor Presidente, espero que nenhuma das suas palavras se perca!”.

Nous ne sommes pas à une crise près

Paris - 16/12/2009 - On a beau être habitué aux crises, on se fait surprendre quand même !
Je suis né en 44 (qui a dit vieux ?), le monde était en crise, pas une petite, au contraire, la plus terrible des crises, la seconde guerre Mondiale ! Bon, là je n’ai pas été surpris, j’avais d’autres préoccupations en tête... Plus tard j’ai pris conscience de la crise quasi congénital que subissait mon pays. Malgré un climat envié par le Monde entier on ne respirait pas au Portugal. Puis ce fut la crise des colonies et le désespoir de voir les copains partir en Afrique, à l’étranger, à l’hôpital ou pire encore, là où les crises sont égales pour tous les hommes, là où se terminent toutes les crises !
J’ai donc fait comme tant d’autres, quand on ne peut pas sauter la barrière, on fait le tour. J’ai choisi le tour de France (…). Non, ce ne fut pas parce que CRISE s’écrit de la même manière ! La raison était autre. J’étais persuadé que l’on y respirait l’air de la Liberté !
L’Égalité et la Fraternité, étaient aussi des mots qui pour moi suffisaient à décrire le plus beau des paysages. Quarante cinq ans plus tard je suis toujours content de cette première grande décision de ma vie. La France est un grand pays. Toutefois, j’y ai vécu beaucoup de crises ; la fin de la guerre d’Algérie, Mai 68, les crises pétrolières de 1973 et 1979, puis la crise boursière de 1987, sans compter les mini crises, celles entrainées par les changements de gouvernements, de patrons ou de monnaie. On en parle peu, mais le passage à l’Euro a conduit des millions de personnes à des vrais états de crise, car l’abus inflationniste qui a régné partout juste après, non seulement était insupportable mais aussi signe avant coureur d’autres grandes difficultés pour les citoyens et les pays…
La dernière crise économique et financière, si facilement importée des Etats Unis, a été plus grave que surprenante, tel les terrains étaient réceptifs aux sirènes du capitalisme.
Puis il y a eu les fausses crises : les collines qui servent à cacher les montagnes. On a eu les prostitués qu’il fallait éradiquer, les banlieues qu'il fallait nettoyer, les émigrés qu’il fallait sélectionner à l’entrée… nous avons été surpris par les annonces mais pas par la manière de les traiter, c’est à dire néant.
Maintenant il y a le débat sur l’identité nationale. On ne nous a pas encore expliqué pourquoi, ni à quoi ça sert. Si on n’oublie pas ce que Liberté, Égalité, Fraternité veut dire, le débat paraît inutile ou alors ça risque d’être la crise de nerfs pour beaucoup de monde.
Noël arrive, l’année s’achève, aussi je profite de l’occasion pour souhaiter à tous de très bonnes fêtes, que 2010 vous amène tout ce que vous souhaitez… mais attention aux CRISES de foie !