Paris – 27/07/2009 - Tenho ouvido tantas críticas e tantos louvores a tantas gentes e tantas coisas em tantas circunstâncias, que não é pelo facto da Direcção do meu partido não me ter escolhido para cabeça da lista pelo Círculo da Europa, como eu pretendia, que me vou lançar em tais práticas. Nem sempre querer é poder e para ser honesto, já estava à espera de tal desfecho. A razão é simples, eu vivo em França há quarenta e cinco anos e embora em Portugal seja conhecido de muito boa gente, não sou íntimo de nenhum “decididor”, nem faço parte da paisagem política do dia a dia dos dirigentes. Um abraço cordial de vez em quando não é suficiente para estabelecer a confiança necessária à obtenção de um tal cargo e a razão comunitária parece ter pouco peso... Foi certamente por isso que, à minha carta de apresentação de candidatura ao camarada José Lello, tive a resposta que transcrevo parcialmente: “Apreciei a sua missiva onde me sublinhou alguns aspectos pessoais importantes e outros da sua vida profissional e política. Aspectos esses que vieram reforçar a admiração que nutro por si e confirmar as suas potenciais qualidades de intervenção e de acção política. O que, naturalmente, vem confirmar um perfil de candidato a deputado.
Entretanto de acordo com os estatutos do PS, cabe ao SG a prerrogativa de indicar 30% dos candidatos a serem incluídos nas listas do PS. Nestes termos, de acordo com o que lhe poderei formalmente adiantar e tendo em conta a representatividade da estrutura partidária do Partido Socialista no Círculo Eleitoral da Europa, informo-o de que caberá à secção de Paris o segundo Lugar da nossa lista de candidatos a deputados. Eu veria com muito gosto
que essa representação fosse assumida por si”.
Esta decisão foi tomada certamente com consciência que seria a melhor decisão para o Partido. Não ponho em dúvida a honestidade intelectual da Comissão Política Nacional, nem me pronuncio em desabono do candidato escolhido que, como me disse o Secretário-Geral José Sócrates, é um excelente camarada. Só lastimo, como há já muitos anos vou lastimando, que a opinião dos militantes das comunidades não contem para nada e que só sejamos solicitados quando é preciso “apresentar serviço”.
Felicito o candidato escolhido, bem como Maria de Lurdes Rodrigues das Yvelinnes, Dora Mourinho da Alemanha e Carlos Ferreira da Suiça, que completam a lista e desejo-lhes um franco sucesso nas eleições.
Resta agora agir em socialista, isto é, ser solidário, ajudar à vitória e trabalhar para que as atitudes mudem, pois seja dito em abono da verdade, pouco ou nada tem sido feito nesse sentido, tanto em Portugal como em França.
É por isso que vamos pois, continuar a “apresentar serviço”, mesmo depois dos congressos e dos actos eleitorais...
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