Paris - 25/09/2008 - Muito se tem falado da decisão do PS de acabar com o voto por correspondência dos residentes fora do país. E como não podia deixar de ser, basta alguém sugerir qualquer coisa para que todos lhe caiam em cima e como sempre, adeus ó objectividade, o que conta é puxar a brasa à sua sardinha e marcar pontos... mas a razão acaba quase sempre por ganhar.
Todos nos recordamos da quantidade de palavras escritas e ditas, inclusivamente por mim, sobre a reestruturação consular, é claro que o principal para muitos críticos, era ter ocasião para falar. Com pertinência? Com conhecimento de causa? Qual, o que conta é falar para marcar pontos. Hoje constata-se, os utentes constatam, que o Consulado Geral de Portugal em Paris funciona às mil maravilhas e que Versalhes e Nogent já vão sendo histórias para esquecer. Quanto aos outros o tempo nos dirá... por quanto que as soluções previstas sejam aplicadas.
Li coisas interessantes nas crónicas de opinião deste jornal, tais que citar a França como exemplo em matéria eleitoral, quando todos sabemos quanto a “chiraquia” avançou em marcha-atrás para autorizar o voto dos imigrantes, enquanto que em Portugal já havia eleitos estrangeiros.
Hoje já há muitos portugueses eleitos em França, levou tempo e segundo alguns, ocupam funções de “vaso de flores na janela” isto é, só servem para vista. Em matéria de exemplo há melhor...
Mais interessante é o facto dos franceses quererem atribuir uma maior percentagem de Deputados aos seus residentes no estrangeiro. Portugal não poderá deixar de o fazer também. O número de residentes fora do país mantêm-se muito importante e o seu poder económico continua a ser uma das bases das receitas nacionais.
É inevitável que a quantidade de Deputados que os representam terá de se adaptar a esta perpétua realidade.
É justo, urgente e será uma maneira de melhor gerir o potencial de um quinto da nossa população.
Espero que seja uma proposta socialista, e que seja para breve.
Que ninguém se assuste, sabe-se que nas comunidades há homens de grande qualidade que querem o melhor para Portugal.
Mas para voltarmos ao voto por correspondência, basta que nos perguntemos: “o que é que poderia ter levado o PS a querer modificar a lei eleitoral” ?
A resposta é simples: Fiabilidade, transparência, implicação cívica e coerência!
As imperfeições do voto por correspondência, algumas inconfessáveis, são conhecidas e a deplorar. O método não oferece condições de transparência; ninguém pode garantir o sigilo integral do voto por correspondência (o que provavelmente deixará saudades a alguns!). Do mesmo modo, os métodos fazendo apelo à informática, nomeadamente à Internet, estão longe de oferecer a segurança necessária. Por outro lado é evidente que o voto de alguém que se desloca para votar é um voto idóneo; já o PSD, no preâmbulo do seu projecto de lei (N°152/VIII) sobre o voto dos emigrantes nas eleições presidenciais considerava, ao admitir o voto presidencial, “a todos os títulos o instrumento ideal de expressão da vontade dos eleitores e o mais motivador para estes” evidentemente. Só admira que agora tenha votado contra...
Todos estes argumentos são aqueles que levaram já à decisão de votar presencialmente para o Presidente da República, para o Parlamento Europeu e ainda para o Conselho das Comunidades.
A modificação da lei eleitoral foi aprovada pelos socialistas e comunistas (embora tenha lido críticas depois...) e só o PSD e o CDS-PP votaram contra, o bloco de esquerda absteve-se.
É claro que já perceberam que estou de acordo com esta inovação, no entanto sempre acreditei que vale mais um voto em más condições do que voto nenhum. Não imaginem que mudei de ideias ou que agora não me preocupo com a participação dos nossos compatriotas no acto eleitoral. Não, acontece que para o voto presencial é pedido que se promovam vastas campanhas de informação e que, o que é fundamental, haja um desdobramento de mesas de voto que permitam a participação do maior número de portugueses.
Simples novidade que resolve tudo!
Assim ninguém fica para trás nem longe das urnas.
Votando presencialmente, só com a sua consciência, aí sim, que cada um puxe a brasa a sua sardinha!
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