jeudi 8 juillet 2010

Até que enfim, ouvi o discurso que fazia falta.

Paris - 10/06/2009 - Devo confessar que normalmente não sou amador do discurso do Presidente da República. Habituei-me a não gostar desde que o Pr. Cavaco Silva foi primeiro ministro.
Lembro-me como se fosse hoje. Estava em Lisboa quando surgiu o ”tsunami laranja”: um mar de bandeiras, um trovejar de buzinas e milhares de jovens em festa! Até chorei! Chorei porque me veio à memória uma outra festa, na qual todos participaram mas que ficou na História por ter acabado com uma ditadura, dando-nos finalmente a possibilidade de construir um futuro de liberdade, de igualdade e de progresso. Nessa altura não fui o único a chorar, fomos milhões, mas de alegria! O caso não era para menos. Ainda hoje em Paris comemoramos esse dia com um sentimento que surpreende, talvez porque o facto de termos sido obrigados a deixar o país, nos tenha ligado ainda mais a ele. Hoje pergunto: para o que é que serviu o 25 de Abril, se aqueles que o fizeram não foram capazes de dar a Portugal o rumo nessa altura por todos desejado? Os políticos passaram rapidamente a dar prioridade à resolução dos problemas partidários que, na maior parte dos casos são equacionados de molde a favorecer tal ou tal “senhor” ou a manter os privilégios de tal ou tal outro. Os portugueses passaram rapidamente a dar prioridade ao protesto contra tudo e contra todos, (para isso também serviu a democracia trazida pelo 25 de Abril...), sem se terem dado ao trabalho de tentar compreender as situações e sem que elas lhes tenham sido explicadas (o que é ainda mais grave). Assim se chegou ao ponto em que milhões de jovens mal informados e cidadãos de memória curta, ou condicionada, festejam situações que conduzem inevitavelmente a épocas antigas em que nada havia a festejar! Hoje os resultados das Eleições Europeias confirmam o que se ia pressentindo; os eleitores, cansados, não foram votar e assim “deram de bandeja” a Europa ao PSD, que por sua vez imagina ter ganho as eleições por mérito próprio. Fica tudo como dantes! Até a emigração se mantém no nível dos anos sessenta. E no país, a maneira de olhar os portugueses da diáspora também se mantém... só que hoje, dia de Portugal de Camões e das Comunidades, até que enfim, ouvi o discurso que fazia falta! Foi o discurso do Presidente da República, que afirma que já é tempo que Portugal olhe a Diáspora de outra maneira.
Para falar verdade, não creio ir-me habituar a gostar do discurso do Pr. Cavaco Silva, no entanto, devo dizer: “bravo Senhor Presidente, espero que nenhuma das suas palavras se perca!”.

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