jeudi 8 juillet 2010

Já não era sem tempo !

Paris - 29/04/2010 - De há tantos anos a esta data, a da saída do n° 253 do Lusojornal, tenho ouvido falar numa verdadeira casa de Portugal na região de Paris. Algumas vezes fui consultado, noutras ocasiões até participei em fases, que nunca deixaram de ser preliminares, da construção de projectos para esse fim. Recordo-me de uma velha fábrica de calçado em Paris, num bairro popular, que tinha muito boas condições para isso; era ainda muito “novo”, falei a amigos, fui ultrapassado, a “casa” não se fez e os iniciadores do projecto (?) perderam uma pipa de francos! Esta foi a mais cómica, mas depois houve outras ideias de cariz associativo bastante interessantes que sofreram de falta de meios. A Casa de Portugal (André de Gouveia) na Cidade Universitária foi desempenhando o papel de suplente dum titular que nunca existiu, mas isso foi noutros tempos! A Fundação Calouste Gulbenkian, ainda hoje assegura o alimento intelectual do segmento mais erudito da diáspora. Também com o inesquecível Eduardo Prado Coelho se estudou a hipótese de vender a rue Raffet e a passage Dombasle para fazer uma “Casa” que albergaria a Coordenação do Ensino, o Instituto Camões e a tal Casa das Associações. A ideia era atraente pois reunia todas as vertentes da comunidade, a dos salões e a das associações num espaço “in” e central em Paris; bastante se palmilhou lá para os lados da Bastilha nesse ano, depois por falta de financiamento (ou de vontade política), ficou tudo como dantes.
Numa altura em que as estruturas associativas federadoras como eram a Coordenação das Colectividades Portuguesas de França - CCPF- que ainda existe, mas que, com a baixa de actividade e de intensidade da mesma, perdeu a capacidade de federar que tinha outrora e a FAP - Federação das Associações Portuguesas, hoje extinta, que embora num perímetro bastante inferior, fazia o mesmo tipo de trabalho com sucesso reconhecido, uma Casa de Portugal é mais do que necessária.
Os tempos vão mudando, tudo evolui e os Portugueses de França, felizmente também.
O que resta estável, de pé firme, é a ligação de cada um de nós ao País e para assegurar essa ligação, ainda não se inventou nada melhor que a vida associativa. É nas associações que uma enorme percentagem dos nossos patrícios se exprime, através de múltiplas actividades desportivas e culturais, de convívios de comemorações. É também através da vida associativa que se têm obtido grandes avanços na implicação cívica dos portugueses, embora saibam a pouco, qual seria a situação sem a intervenção associativa? É também aí, e convêm não esquecer, que os portugueses recebem os franceses, mostrando quem são e de onde vêem.
Também acarinho a ideia de um outro Centro Cultural Português, uma cultura adicionada a outra cultura é igual a uma cultura maior, mas o impacto (donde a urgência), não me parece o mesmo.
É por isso que quando leio a entrevista do Secretário de Estado Dr. António Braga, afirmando (ou confirmando) que o ex Consulado de Nogent será a tal Casa, só posso dizer com alívio: Já não era sem tempo! Espero agora que se estude uma adaptação pragmática dos locais e uma gestão do dia a dia em adequação com as reais necessidades e que se não deixe voar este magnífico pássaro que temos nas mãos.

Aucun commentaire:

Enregistrer un commentaire