Paris – 22/02/2009 - A Coordenação das Colectividades Portuguesas de França é uma organização não governamental regida pela lei de 1901, que eu conheci muito bem porque a presidi durante seis anos e meio.
Nunca esquecerei o estado em que encontrei aquela associação no início do meu primeiro mandato, nem tão pouco, (ainda menos) o estado em que a deixei. A razão é simples, quando ao fim dos tais seis anos e meio não apresentei de novo candidatura, o candidato ao cargo, a quem dei o meu apoio, garantiu-me que o trabalho até aí levado a cabo ia ser continuado. Que para isso toda a atenção seria dada à Coordenação, que outras actividades associativas iriam passar para segundo plano etc. Não sou desconfiado, nem gosto de me meter aonde não sou chamado, mas quando sou chamado, ainda que por carta aberta, não posso deixar de reagir. E faço-o com algumas perguntas: porque é que a CCPF perdeu a sua autonomia domiciliária? Porque é que dos nove empregados a tempo inteiro só restam... quantos? Porque é que quando encontro dirigentes associativos, a maior parte não sabe o que é, muito menos para o que serve a CCPF?
Porque é que o Presidente não assina as cartas abertas?
Ainda se ouve falar em eventos promovidos pela Coordenação, sim senhor, mas há quem diga que a embalagem é a mesma mas que a mercadoria é outra. Recordo-me dos tempos em que empregados e dirigentes da CCPF andavam pela França toda, durante a semana e aos sábados e domingos, a formar dirigentes associativos, a participar e ajudar a organizar eventos, a apoiar os aderentes, a falar sobre a cidadania, etc. Mas também me recordo que a Coordenação da Colectividades Portuguesas de França (do meu tempo), não se ocupava de política! Analisávamos as situações, muitas vezes com ajuda de profissionais exteriores, emitíamos opiniões consensuais (ver as inúmeras publicações) sobre a comunidade. Mas nunca, por obrigação estatutária, a CCPF (do meu tempo) deu directivas políticas.
Estar agora a fazer apelo aos partidos políticos que, unidos representam a maioria dos deputados, a mudar de opinião, é não só anti democrático, como também tendencioso e falacioso por pretender que a proposta do PS põe fim às conquistas do 25 de Abril.
Que a opinião dos aderentes (não dos dirigentes) da CCPF seja dada a conhecer publicamente compreende-se. Mas dar directivas aos partidos que, na maior parte dos casos, lutaram para que o 25 de Abril fosse uma realidade, ultrapassa as prerrogativas da Coordenação! Não achas Senhor Presidente?
Aurélio Pinto * - penúltimo presidente da CCPF, actual Secretário Coordenador da Secção de Paris do PS Português – aapinto@free.fr
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