jeudi 8 juillet 2010

às urnas “citoyens, votem p’ra diente”

Paris - 14/12/2007 - Ultimamente tenho lido coisas muito interessantes em vários jornais, mas principalmente no Lusojornal.
Tenho reagido sem caneta (melhor diria sem computador), isto é, só em conversa com amigos. Há pouco tempo fiquei mais ou menos embasbacado ao ler os artigos do Presidente Mário Soares e o do Professor Marcelo Rebelo de Sousa; pareceu-me que alguém tivesse trocado as assinaturas, reagi para dentro, ganhei energia porque mais tarde pode ler e ouvir reacções de pessoas que também tinham ficado tão perplexas como eu.
Desta vez escreve o Engenheiro José Lello. Não é segredo para ninguém que eu sou amigo de José Lello, não intimo, mas amigo. Tive durante vários anos a ocasião de constatar as suas qualidades e defeitos, apreciei a sua maneira de se mover nas Comunidades, que por vezes são como “areias movediças” para quem com elas lida. Apreciei ainda o apoio que deu para que o organismo que eu dirigia levasse a cabo os seus objectivos a bem dos portugueses de França.
Normalmente gosto de ler o que José Lello escreve, em qualquer jornal, sobre qualquer assunto, até (ou principalmente ?) “na Bola”.
Hoje devo dizer que no fundo estou de acordo com o apelo que faz em nome do Partido Socialista. É evidente (ou devia ser) que é absolutamente necessário inscrever-se até ao dia 31 de Dezembro, para depois poder ir votar e até, melhor seria, ser eleito. Pertenço ao grupo daqueles que há anos sem fim têm apregoado sem se cansar, por toda a França, o interesse, a pertinência, a necessidade de votar em França e porquê.
Também estou de acordo com o facto que todos aqueles quem aqui têm a possibilidade de o fazer, expliquem aos que ainda não perceberam, porque é que devem ir inscrever-se para votar. Só que eu talvez não utilize os mesmos argumentos. Eu não digo que indo votar os portugueses ficam em igualdade com os franceses. Eu digo que os portugueses que aqui vivem já estão em pé de igualdade com os demais (franceses e outros vizinhos). Por isso devem exercer os seus deveres cívicos. Não gosto de dizer que votando será melhor para os portugueses, prefiro dizer que votando será melhor para todos, pois a opinião de quem vota é que conta. Incentivar os portugueses para votar em França para dar força a Portugal, também não me parece necessário. Na minha opinião é aqui é que se devem separar as águas. Os portugueses em relação ao país de acolhimento é uma coisa: cá se está, cá se pagam impostos, cá se vota...cá se vive. Em relação a Portugal a história complica-se. Os portugueses de fora sonham com Portugal onze meses por ano. Os portugueses de Portugal (não se trata das famílias obviamente) pensam nos portugueses de fora...em Agosto. Os portugueses de fora, não esquecem a terra, como não podem lá ir todos os dias, mandam as economias. Os portugueses de Portugal não contam com os portugueses de fora, só gerem as suas remessas . Portugal não se apercebe, mesmo se é fraca a participação dos portugueses nas eleições municipais em França, da força que poderia ter, se fosse mais “intimo” com aqueles que moram longe da Ribeira ou do Rato.

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