Paris – 8/07/2010 - O Governo Francês lançou uma grande campanha de debates sobre o tema da Identidade Nacional.
Independentemente da pertinência desta campanha e do interesse (ou falta dele) que ela possa ter, o assunto é revelador de “fantasmas adormecidos” no espírito de muita gente.
Quais são as vantagens de tal campanha, quais são os perigos, para quê (ou para quem) servirá? Quais são os cidadãos a quem essa identidade diz respeito?
E os oriundos de Portugal, também entram nestas considerações?
E a lei da dupla nacionalidade para os naturalizados?
Era este o tema da reunião que a secção do Partido Socialista Português de Paris teve que anular por razões independentes da nossa vontade no passado dia 24. Se esse debate não pode acontecer a problemática continua. Primeiro, porque a nível da nossa Secção, que eu saiba, ninguém está de acordo com tal iniciativa do Governo Francês, de tal forma nos parece tendenciosa a escolha do tema em período eleitoral. Depois, porque segundo a experiência de alguns camaradas que já participaram em reuniões organizadas pelas autoridades Francesas, pouco após o início o debate, este vira ao acusatório do Outro, do Invasor, “daquele quem vem comer o nosso pão”, ainda que seja ele o padeiro... É que os tais fantasmas adormecidos têm o sono leve e ao acordar, talvez façam votar por quem laçou o debate, para grande desespero daqueles por quem votavam dantes. E quanto a mim é este o intuito de tal organização. Por estas razões gostaria de saber concretamente a opinião do maior número de Camaradas ou Simpatizantes, de molde a poder tornar pública uma opinião global. Há dias ouvi uma entrevista do artista Francês de origem magrebina Jamel Debbouze, que dizia a propósito deste debate: “a França está a mudar de cara, e a cara é cada vez mais parecida com a minha; há que se habituar a isso!”. O Jamel tem razão, na verdade somos todos franceses e temos que aprender a viver juntos, com as nossas diferenças e adicionando as nossas culturas, para que cada um fique com uma cultura maior. Como tantos cidadãos por esse mundo fora eu tenho duas nacionalidades: a portuguesa, por acaso, pois nasci em Lisboa. Já lá não resido há mais de 45 anos, no entanto reivindico a minha nacionalidade Portuguesa a 100% porque não esqueci nada, porque me interesso e participo em tudo o que se passa em Portugal, porque tenho lá família, amigos e interesses e... as “raízes”. A nacionalidade francesa, tenho-a porque decidi obtê-la, vivi em França de molde a que isso fosse possível e aceite pelas autoridades; não sou francês por acaso, e se reivindico esta nacionalidade também a 100% é porque também aqui me interesso e participo na vida cívica, porque também tenho cá família, amigos e... muita “rama”. Não estou seguro de saber os dois Hinos de cor e salteado (gosto mais das músicas do que das letras), mas estou seguro que sou um cidadão Europeu a 100% e isso não preciso de debater com ninguém. E se um dia tiver de escolher? Será então porque um dos dois Países já não reúne as condições para que eu me identifique a ele, nessa altura, com amargura também saberei escolher.
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