Paris – 26/06/2009 - O Presidente da Secção de Paris do Partido Socialista Português confirmou esta semana a sua candidatura a Candidato às próximas eleições legislativas pelo círculo eleitoral da Europa. Em Setembro de 2008 Aurélio Pinto apresentou a candidatura a candidato, hoje, reforçado com a vitória socialista nos Consulados em França, tem esperança que José Lello, responsável pela área das Comunidades no Partido tome em conta esses resultados.
LusoJornal: Confirma a sua candidatura a Candidato a Deputado pelo Círculo da Europa?
Aurélio Pinto: Sim, confirmo. É a minha convicção que os Deputados das Comunidades devem sair das Comunidades, por isso no dia em que percebi que a Deputada Maria Carrilho não parecia interessada em voltar a apresentar-se e que, segundo certos observadores, não havia ninguém nas Comunidades em posição de assumir o cargo, pedi ao Director das Comunidades do PS que levasse a minha candidatura ao conhecimento do Eng. José Lello. Mais tarde, aquando o Congresso de Espinho e depois na primeira Comissão Política do Partido em Lisboa, falei pessoalmente com o camarada José Lello sobre este assunto.
LusoJornal: E já tem resposta positiva de Lisboa?
Aurélio Pinto: Ainda é cedo. E atenção: ser candidato num país com tantos milhões de cidadãos não quer dizer que se seja escolhido. Estou consciente que o PS tem muitas mulheres e homens de valor. Se não for eu, espero que seja alguém que possa actuar ao nível que todos esperamos. Aguardo resposta.
O certo é que já sou socialista há muitos anos e sê-lo-ei no futuro, pois para um militante responsável, há sempre muito trabalho.
LusoJornal: Considera que seria um bom candidato para o PS?
Aurélio Pinto: Há mais de 40 anos que vivo em França sem nunca ter deixado de seguir a evolução do nosso país, onde vivi os primeiros 20 anos da minha vida. Lá vi evoluir a ditadura de Salazar, assisti às suas práticas, sofri com elas – tinha 12 anos na foto do primeiro mandato de captura com que a PIDE me homenageou – e de lá tive de fugir para viver livre.
Em França, para além de uma vida profissional completa e densa, como informático numa empresa de construção automóvel durante 40 anos, também estive sempre ao lado da Comunidade. No dia 25 de Abril de 74, fui dos que “ajudou” a abrir a porta do Consulado de Paris (dia mágico em que mesmo aqueles que eram sempre recebidos como cães, tiveram direito a um passaporte). Fui dirigente associativo, primeiro numa associação desportiva de franceses, onde participavam já alguns lusodescendentes, depois em várias associações da nossa Comunidade. Estou a referir-me à Rádio Portugal FM, depois à Coordenação das Colectividades Portuguesas de França, onde o mergulho foi radical, por seguir a par e passo o crescer da Comunidade portuguesa em toda a França. Também as múltiplas visitas a outros países da Europa e não só, me permitiu de observar as Comunidades fora de França, de maneira a saber reagir. A minha implicação enquanto socialista activo permite-me (obriga-me), de tomar parte na procura das soluções para os problemas. Se ser um bom candidato para o PS é pôr ao seu serviço a experiência, o pragmatismo, o entusiasmo, a franqueza e a vontade de ajudar os outros e o País, não tenho dúvidas, serei um bom candidato.
LusoJornal: Pensa que vai ter a aceitação das estruturas em Lisboa? E das estruturas em França?
Aurélio Pinto: Em relação a Lisboa, penso que a minha candidatura será aceite sem que isso implique que seja eu o escolhido.
Quanto às estruturas em França, como penso não estar em concorrência com ninguém, acredito que a Comunidade me conheça suficientemente para entender que posso oferecer as garantias necessárias. Além do mais já me vou habituando a ganhar todos as eleições em que participo ou que apoio. Se em tempos a escolha dos candidatos elegíveis do meu partido esteve alheia às realidades do terreno, creio que hoje o raciocínio é outro, mais ponderado e com os olhos nos resultados a obter. Na Europa as eleições ganham-se ou perdem-se em França, e todo o mundo já percebeu isso. Quanto às relações com as estruturas de França, tanto as portuguesas como as francesas, são as melhores. Depois de algumas peripécias das quais o relato nos média foi mais largo do que a realidade dos factos, sabe-se que hoje em França as Secções do PS tratam directamente com o Partido em Lisboa, onde o Departamento dedicado às Comunidades, dirigido pelo camarada ex-Deputado Paulo Pisco, tem vindo a realizar um trabalho muito interessante que deve ser continuado.
LusoJornal: Como considera o trabalho feito pela actual Deputada do PS, Maria Carrilho?
Aurélio Pinto: Em primeiro lugar devo dizer todo o apreço que tenho pela Dra. Maria Carrilho e pela coragem que teve ao aceitar o cargo que lhe foi conferido. Antes mesmo das eleições, recordo-me de lhe ter dito que teria sido melhor para todos que lhe tivessem proposto um cargo mais importante no Governo, tal o seu currículo é importante. A agressividade dos temas que preocupavam a Comunidade quando foi eleita e a veemência daqueles que os defendiam, não facilitou o trabalho da Deputada. No entanto, sei por tê-la acompanhado algumas vezes, que nunca virou a cara e tentou alertar para a importância dos problemas, propôs soluções e defendeu-as. Não foi tão visível como se gostaria? Mas será só a visibilidade que conta?
LusoJornal: E como considera o trabalho feito pelo actual Deputado do PSD, Carlos Gonçalves?
Aurélio Pinto: Carlos Gonçalves é um homem que conhece o terreno, passou a vida a defender os interesses da Comunidade, altura em que até o felicitei por escrito e lhe prometi ajuda se necessário fosse. Hoje é um político, muito activo, muito presente, se bem que me pareça passar agora a vida a defender os interesses do seu Partido (e os seus?), criticando os outros, como o PSD têm hábito de fazer. Respeito o homem, mas não felicito o Deputado.
LusoJornal: Como considera o trabalho feito pelo actual Governo PS, para a área das comunidades?
Aurélio Pinto: Este Governo PS tem feito mais pelo País do que aquilo que a oposição tenta dar a entender, o que também se verifica na área das Comunidades. Os problemas encontrados pelos Portugueses residentes nas Comunidades são importantes para todos, mas também é preciso relativizar a sua importância no panorama geral de Portugal. Na minha opinião há uma grande incompreensão entre os Portugueses “de fora” e os de Portugal. Quem está em Portugal acha que pedimos demais, e os emigrantes entendem receber de menos. Os Governos estão sempre em Portugal, o do PS também, a tendência é dar prioridade aos problemas no território. Não está bem! Esta atitude ainda está por resolver embora o PS se debruce bastante sobre a questão, com factos, não com palavras ou promessas vãs. É uma das razões pelas quais eu insisto que um Deputado que represente a emigração tem forçosamente que a conhecer, que ter vivido com ela, e que permanecer à sua escuta em todas as circunstâncias, tendo capacidade para com ela comunicar. Penso também que o número de Deputados atribuídos à emigração é ridiculamente inferior ao que devia ser.
LusoJornal: Como está a sua questão da nacionalidade? Já renunciou à nacionalidade francesa?Aurélio Pinto: Isso é um problema secundário. Adquiri a nacionalidade francesa por razões óbvias de “conforto profissional”, como milhares de compatriotas adquiriram outras por esse mundo fora. Quando, para servir o meu país, for necessário abdicar, isso não me põe o menor problema. É pena ter de perder tempo com isso, um dia virá em que o facto de ser eleito por um país invalidará implicitamente a outra nacionalidade... mais ou menos como no futebol...
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