Paris - 12/014/2010 - Que bom que foi no ano em que fiz 30 anos, já estava casado havia dez anos, a nossa filha já falava as duas línguas correntemente, a empresa onde trabalhavatinha escapado à falência (?) o que me garantiu emprego até à aposentação (foramlá quarenta anos ao todo). Tinha casa e carro novo, enfim tudo pelo melhor só mefaltava uma coisa: O passaporte!Minúsculo caderno carimbado que abria as portas para a felicidade total. Masisso era outro negócio. Naqueles tempos, na nossa terra, ter passaporte não eraapanágio de todos os Homens livres e quem tinha vindo para França bem sabia quesó podia obter o de ida! Mas como diz o povo: “Vento de Março e chuva de Abrilfaz Maio florir”, e o Povo é quem mais ordena!Lá pelas Caldas da Rainha e não só, já soprava o vento da revolta... em Abrilchoveu cravos e a partir de Maio TODOS tiveram passaporte para ir ao JARDIN.É por isso que cada ano, ao festejar o 25 de Abril, verto sem vergonha umalágrima de emoção, ao pensar que foi a partir daí que pude voltar a casa quandoa saudade me chama.Somos muitos a ter vivido este percurso, muitas vezes juntos.
Sinto-me feliz por saber que por esse mundo fora há milhares de lusófonos que compartilham comigo esta emoção, ainda, hoje, e sempre!
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