jeudi 8 juillet 2010

Voto branco par eleições nulas.

Paris - 21/04/2008 - Se o objectivo era evitar que as comunidades participassem na eleição do CCP, tudo bem. Objectivo atingido. Mais uma vez foi extremamente rápida a contagem dos votantes nestas eleições. Estou sempre atento ao que se passa na nossa comunidade, porque será que quase não ouvi falar em tal acontecimento?
Cheguei a pensar que a idade me impedia de ouvir ou de ver. Afinal não, que alívio!
Foi só porque a eleição dos conselheiros das Comunidades Portuguesas, aqui em França pelo menos, foi assunto “Confidencial, segredo de Estado”.Senão vejamos.
Nos velhos tempos, os Conselheiros eram escolhidos e nomeados para tal cargo. Muitos ainda hoje se congratulam por ter pertencido a essa “elite”, outros estão arrependidos de se terem deixado “apanhar”. O facto é que o processo era antidemocrático, mal concebido e deu pouco resultado. Mas do ponto de vista acto eleitoral não deu despesa nem trabalho a ninguém.
Depois disso, interregno até que, por iniciativa do Secretário de Estado da altura, Eng. José Lello, se realizaram as primeira eleições democráticas nas Comunidades. Foram constituídas listas, mais ou menos apoiadas pelos partidos (mais PC e PSD, menos PS...) e eleitos os Conselheiros... por 0,04 por cento dos membros da nossa Comunidade!
Fizeram-se dezenas de reuniões, centenas de almoços e jantares, gastaram-se rios de dinheiro em bilhetes de avião e hotéis, gritou-se muito à boa maneira portuguesa, alguns trabalharam bastante, outros pouco e muitos nada. Conclusão: os resultados foram insignificantes e não admira, pois insignificante também tinha sido a preparação para essas eleições; pouco e mal explicadas, mal organizadas e nada apoiadas pelo Governo do nosso país.
Como se diz nas escolas em França de um aluno que ainda não deu tudo, mas está no bom caminho (?) “peut mieux faire”. E lá vai disto, no fim do mandato, novas eleições. Rebobina-se a fita e vamos para eleições... “pouco e mal explicadas, mal organizadas e nada apoiadas pelo Governo do nosso país”, outra vez! É claro que não vou repetir na íntegra as linhas anteriores, seria fastidioso para os leitores. Mas também foi fastidioso para a Comunidade verificar que tudo se passou quase da mesma maneira. Embora se vislumbrem alguns resultados desta vez, não há dúvidas que estes não estão à altura da despesa (o posto consular da Córsega é muito pouco). As opiniões dos Conselheiros continuaram a não ser pedras básicas na construção da política das Comunidades para os nossos governantes. Há mesmo quem afirme que se trata mais de destruição que de construção, nomeadamente no que diz respeito à reorganização dos Consulados e situação dos militares e reformados. Foi pena pois a experiência de terreno de alguns Conselheiros merecia outra escuta.

Mas será que o Governo tem mesmo a intenção de utilizar a experiência dos emigrantes para gerir as Comunidades? Francamente penso que não. Se assim fosse teria a preocupação de utilizar pessoas que as conheçam, e por que não, que nelas vivam, pois os livros não dizem tudo. Não é certamente sob a direcção de Secretários de Estado que nunca foram senão turistas nas comunidades, que só quando estão para sair é que (alguns) começam a saber o que por lá se vive, nem representados por Deputados que não sabem por que ponta se lhes pegue, que se podem atingir objectivos dignos da enorme população que vive longe da Terra onde nasceu.
Não apoiando por todos os meios nomeadamente financeiro, logístico e pedagógico este tipo de eleições, os Governos têm dado a impressão que se trata de organizar um Conselho que, pela sua não participação, tem pouca ou nenhuma legitimidade e por isso, não valerá a pena dar muita importância às recomendações que emanem de tal Conselho.
Este procedimento do Governo não tem lógica nenhuma, pois se estas eleições fossem por ele apoiadas, teriam mais sucesso e fariam esquecer ao Zé Povinho que, quem o devia representar cá fora é um número de Deputados suficiente (em relação com o número de residentes em cada país) e não uma série de Conselheiros sem assento (representatividade) na Assembleia da República.
Desta feita a história começou mal, os voluntários para participar nas mesas de voto encontraram-se nomeados presidentes das mesmas, tendo que assumir responsabilidades que em muitos casos vão além do seu desejo de voluntariado, somente porque não havia representantes das listas nas mesas. E porquê? Porque os Consulados não tiveram meios ou não quiseram nomear funcionários para esses cargos, o que lhes era pedido pelos representantes das diferentes listas. Porque a maioria dos representantes das listas não aceitam trabalhar de borla, nem a ausência de funcionários nas mesas de voto. Que tristeza que é assistir ao espectáculo de doze horas no Consulado Geral de Paris, durante as quais quatro trabalham, vinte vigiam e dez votam por hora! Com o mais triste dos finais: a satisfação no rosto daqueles que foram eleitos por 0,01% dos portugueses de França.
Mau presságio para o próximo mandato.
Por estas e por outras é que há quem diga: para eleições nulas mais vale votar branco.

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