Paris – 3/02/2009 - Até parece uma história daquelas que se contam no café, para distrair os amigos em dias de tertúlia. Mas não é. Há piratas em terra! Os primeiros piratas de que reza a História foram célebres pelo volume das suas pilhagens marítimas e por terem trabalhado a soldo de potentes monarcas dessa época. A Francis Drake foi incumbida pela Rainha Elisabeth I de Inglaterra, a missão de atacar os galeões Espanhóis, o que ele fez com tanto afinco que acabou Sir! Robert Sourcouf, natural de Saint-Malo, tanto atacou os Ingleses entre a Revolução Francesa e o Império, que o Imperador de França deu-lhe o título de Barão. Quanto a Jean Bart, Forbin et Dugay-Trouin, para não citar outros, agiram todos por conta de Luís XIV de França, em troca de um quinto do que roubavam, ou do produto das vendas como escravos das pessoas que raptavam.
No Século XIX, quando os estados passaram a ter as suas próprias marinhas de guerra, a pirataria acabou.
Acabou? Ou nem por isso?
Desde que a Internet apareceu, lá voltou a piratagem, e que razia fazem por vezes, e quantos milhões de Euros são por eles roubados. Mas mesmo sem navegar na “rede”, basta viajar nas estradas desta bela Europa, para por vezes voltar para casa descalço, pois um carro de piratas abordou (o termo ainda serve) o nosso e levou-nos tudo. O que é o car-jacking tanto na moda nas cidades, senão uma forma de pirataria? No entanto as tradições mantêm-se mesmo assim no mar, pois torna-se frequente os navegadores de recreio serem abordados principalmente ao largo da Somália, levando já por duas vezes à intervenção da polícia especial francesa (e a mais uma alocução do Presidente da República). Esses resgates dos reféns pelas autoridades não impediram pouco tempo depois a abordagem de barcos de pesca ao atum, levando os governos da Europa a tomar sérias decisões, como por exemplo o sobrevoo sistemático das zonas de risco. O espírito inventivo dos piratas é fecundo e a história que agora vos conto e que motivou todo este preâmbulo, é verdadeira, recente e atinge um eminente membro da nossa comunidade: o nosso compatriota Manuel Costa de Oliveira, o bem conhecido Senhor Oliveira, Presidente da Association Portugaise de Bienfaisance.
O Sr. Oliveira é como se sabe um empresário muito activo na área da construção civil, há já trinta e sete anos. A empresa Costa Nova que criou e gere, para a qual já empregou directa ou indirectamente centenas de pessoas, tem hoje oito empregados e realiza um confortável volume de negócios.
Como todos nós, ao chegar o mês de Agosto, a família Oliveira (compreendendo o sobrinho e sócio da empresa até 2002) ruma em direcção a Portugal para gozar as bem vindas férias de Verão. Até aí tudo bem. Ao regressar a casa a França, surpresa, tinham-lhe roubado a empresa!
Não lhe roubaram o dinheiro, nem o material, nada disso, foi a própria empresa que mudou de mão, passou da do dono para a do pirata!
Com documentos falsos, com assinaturas falsas e com uma grande falta de vigilância dos organismos competentes em Bobigny, um aldrabão conseguiu apropriar-se de uma empresa conceituada! Acreditamos que não vão ser felizes com ela, pois o Senhor Oliveira não tardou a apresentar queixa à polícia e a encarregar o seu advogado de repor a situação na normalidade.
Suspeita o Sr. Oliveira que alguém deve ter facultado antigos estatutos da empresa ao vigarista, pois este, como se disse, servindo-se de falsas assinaturas excluiu da sociedade o Sr. Oliveira e a esposa, colocando no entanto o sobrinho como sócio maioritário (80%), ficando ele com 20% das partes de sociedade e com a gerência.
O armazém do Sr. Oliveira não foi visitado, veículos e material ficaram no mesmo sítio. Na morada dada pelo falsário não consta caixa de correio da empresa...todo leva a querer que o tal Alaim Walid (?), assim se chamaria o pseudo gerente, procura simplesmente um estatuto social; resta agora ao Procurador da República lançar as pesquisas necessárias para estabelecer a verdade.
Há ou não há piratas em terra?
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