jeudi 8 juillet 2010

“às urnas citoyens”

Ultimamente tenho lido coisas muito interessantes em vários jornais, mas há pouco tempo fiquei mais ou menos embasbacado ao ler os artigos do Presidente Mário Soares e o do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no Lusojornal. Pareceu-me que alguém tinha trocado as assinaturas, que o artigo do Presidente tinha sido escrito pelo Professor e vice-versa!
Tenho reagido sem caneta (melhor diria sem computador), isto é, só em conversa com os amigos. Voltei a reagir para dentro, mas fiquei reconfortado quando mais tarde li e ouvi reacções de pessoas que também tinham ficado tão perplexas como eu.
Desta vez escreve o Engenheiro José Lello. Não é segredo para ninguém que eu sou amigo de José Lello, não íntimo, mas amigo. Tive durante vários anos a ocasião de constatar as suas qualidades e defeitos, apreciei a sua maneira de se mover nas Comunidades, que por vezes são como “areias movediças”, para quem com elas lida. Apreciei ainda o apoio que deu para que o Organismo que eu dirigia levasse a cabo os seus objectivos a bem dos portugueses de França.
Normalmente gosto de ler o que José Lello escreve, em qualquer jornal, sobre qualquer assunto, até (ou principalmente ?) “no A Bola”.
Hoje quero dizer que estou de acordo com o apelo que faz em nome do Partido Socialista. É evidente (ou devia ser) que é absolutamente necessário inscrever-se até ao dia 31 de Dezembro, para depois poder ir votar e até, melhor seria, ser eleito. Pertenço ao grupo daqueles que há anos sem fim, têm apregoado sem se cansar, por toda a França, o interesse, a pertinência, a necessidade de votar em França, explicando porquê.
Também estou de acordo com o facto que todos aqueles que aqui têm a possibilidade de o fazer, convençam os que ainda não perceberam, porque é que devem ir inscrever-se para votar. Só que eu talvez não utilize os mesmos argumentos. Eu não digo que indo votar, os portugueses ficam em igualdade com os franceses. Eu digo que os portugueses que aqui vivem, já estão em pé de igualdade com os demais (franceses e outros vizinhos). Por isso devem exercer os seus deveres cívicos. Não gosto de dizer que votando será melhor para os portugueses, prefiro dizer que votando será melhor para todos, pois a opinião de quem vota é que conta. Incentivar os portugueses para votar em França, para dar força a Portugal, também não me parece necessário. Na minha opinião devemos separar as águas. Os portugueses em relação ao país de acolhimento é uma coisa: é nele que se está, que se pagam impostos, que se vota...que se vive. Na relação com Portugal o assunto complica-se, uma parte dos actores, os “portugueses de fora”, é a mesma, mas... a história é outra.
Os “portugueses de fora” sonham com Portugal onze meses por ano.
Os portugueses de Portugal (não se trata das famílias obviamente) pensam nos “portugueses de fora”...em Agosto.
Os “portugueses de fora”, não esquecem a terra; como não podem lá ir todos os dias, mandam as economias.
Os portugueses de Portugal não contam com os portugueses de fora, só gerem as remessas recebidas! Ainda há quem não tenha percebido esta situação, mas mais tarde ou mais cedo isso terá de acontecer. Os nossos emigrantes já salvaram o país da banca rota (quantas vezes?), já arbitraram na atribuição do número de Deputados na Assembleia da República, e talvez ainda possam voltar a arbitrar. A meu ver, o Partido Socialista Português devia articular-se energicamente com as Comunidades, certamente isso seria benéfico para o Partido, mas principalmente para Portugal.
O Governo deveria governar todos os Portugueses com a mesma atenção.
Portugal não se apercebe que, mesmo se é fraca a participação dos portugueses nas eleições municipais em França, da força que poderia ter, se contasse mais com aqueles que moram longe de São Bento ou do Rato.
Para todos, os meus votos de Feliz Natal e de um próspero Ano de 2008.

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