Abril
de 2013
Vou
sempre lendo com atenção o que diz a imprensa portuguesa, de dentro
e de fora, porque sendo eu de dentro e estando fora, mal fora se
assim não fizesse. Como um pescador olha as sua redes, também olho
as minhas, virtuais estas, mas repletas de opiniões e informações
que, mesmo se o refugo é grande, vão completando um panorama do que
se passa no Mundo dos Portugueses.
Primeiro
observei o Governo de José Sócrates a combater contra diversos
problemas, alguns da sua auto producção, a maioria postos pelos
seus adversários (ou inimigos?) políticos, outros criados por uma
sociedade de consumo que imaginou que os euros caiam das árvores e
que nem seria preciso regar para ter mais, e os problemas fomentados
pelos actores do Mercado, dos Bancos às lojas do chinês, e mais a
crise mundial... e mais a crise europeia...
Vi
"grandes leaders europeus" fazer "rapa-pés" à
Mm. Merkel, esquecendo que a Alemanha sugou economicamente a Europa,
ignorando o desígnio da União Europeia.
Depois
vi em Portugal a oposição de direita, atenta, combativa, pronta a
ocupar o lugar dos "incompetentes" responsáveis por todos
os males do País. Pronta a salvar a Pátria! Vi ao mesmo tempo a
esquerda (a que nunca governa) apoiar a direita para acabar com os
"malfazejos".
E
assim foi, o povo, incauto, votou para que a alternância
acontecesse.
Passei
então a ver e ouvir promessas de todos os tipos. Qual delas a mais
aliciante, a mais humana a mais democrática. Seguiu-se a festa, o
Sol voltou a brilhar no Jardim Lusitano. Foi Sol de pouca dura! Logo
chegaram as primeiras desilusões. Cada visita da troika cada
pesadelo. E como se não bastasse estes "salvadores"
decidiram fazer mais do que a troika obriga.
Seguiram-se
as manifestações; multidões bateram recordes de descontentamento,
e os "salvadores da nação" sempre rumando no mesmo
sentido, sós, altaneiros, suficientes e ineficazes.
Em
Portugal asfixiam-se os trabalhadores e os reformados, nada se faz
para tentar erradicar o desemprego, nem para promover a indústria,
vendem-se os bens públicos.
É
o que se vai vendo e lendo por aí. Mas como não se sabe resolver
problema nenhum, evacuam-se alguns, os jovens por exemplo! Não há
cá trabalho? Faz como fez o teu avô, vai para fora e procura! Assim
disse este Governo com outras palavras! Mas como seria de esperar,
também não informou nem orientou convenientemente esses convidados
para a saída. Ainda pior, nas Comunidades para onde esses jovens
vão, tudo se tem dificultado de dia para dia. Em França por
exemplo: a Embaixada tem falta de pessoal: ex.: Adido Cultural, Adido
de Imprensa e Adido Social, etc.
O
Consulado Geral de Portugal em Paris tem de assumir permanências em
Bourges, Lille, Nantes, Poitiers, Reims, Rennes, Roubaix, Rouen...
enquanto que o número de funcionários vai diminuindo
peocupantemente e o número de utentes aumenta.
Os
professores são despedidos a meio do ano, ao mesmo tempo prepara-se
uma lei que permita cobrar propinas aos alunos.
Os
jornais comunitários são elogiados mas não recebem ajudas... Os
jornais nacionais despedem jornalistas, a Lusa teme a sua dissolução
(para o que já alertou os deputados).
Cada
vez há menos correspondentes no estrangeiro e conhecedores do
terreno nem se fala!
As
associações, como a APCS de Pontault-Combault e a Santa Casa da
Misericórdia , entre outras, não têm ajudas significativas, são
elas porém que tentam prestar assistência au "naufragados do
Governo" que chegam mal informados e sem vintém, a um país que
também anda às voltas com grandes dificuldades para dar emprego aos
que já cá estão.
Triste
panorama numa altura em que as remessas dos emigrantes atingem
recordes, com um aumento de 13% na última década. Segundo o Banco
de Portugal, o montante das remessas é de 2,75 mil milhões de
euros, sendo mais ou menos metade proveniente da Europa,
suspeitando-se aliás que irá aumentar em 2013.
Enquanto
isto, o Governo escondendo (mal) discórdias mantem-se, e promete
ficar.
O
Chefe do Estado parece assistir impávido e sereno, publicando
relatório incompleto depois du último Conselho de Estado e os
portugueses vão sofrendo, as tristes consequências de um Governo
inconsequente!
Aurélio Pinto