Novembro
de 2011
Se
analisarmos o que se tem passado em Portugal desde as Presidenciais a
esta data, tudo parece mais simples do que se podia imaginar, basta
ver como as coisas se passaram: depois de se ouvirem mil críticas
ao Pr. Cavaco Silva, por esse país fora, depois do Partido
Socialista ter dado aos seus militantes apoiadas instruções para
que votassem fortemente em Manuel Alegre, o povo elegeu mais uma vez
o Pr. Cavaco Silva... mais do mesmo para que tudo mude. E mudou?
Os
Partidos da oposição nessa altura conseguiram destronar o Primeiro
Ministro José Sócrates... para que tudo mude. E mudou... para pior!
Passou
a ser necessário recorrer à ajuda externa para “salvar”
Portugal. Veio a “Troika”, analisou a situação e fez as suas
recomendações; o PS por solidariedade nacional assinou. Agora já
se vai falando na possibilidade de ir pedir mais dinheiro à
Europa... entretanto endurece-se a vida dos portugueses como nunca.
Corta-se nos ordenados, nas pensões, aumenta-se o IVA! Ai não que
não mudou! Os trabalhadores de todas as áreas estão cada vez mais
preocupados, dos professores nem se fala. As previsões do Governo
vão no sentido de obrigar os portugueses a continuar a apertar mais
o cinto. Lançar a economia e a indústria não se fala ou nada se
faz. Crescimento, para quê enquanto há cintos para apertar? Postos
de trabalho para quê, enquanto se podem enviar os nossos jovens de
casa para fora?
Não
sou eu, evidentemente, que dou este conselho, foi o
Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel
Mestre, em
São Paulo a representantes da comunidade portuguesa e jovens
luso-brasileiros, segundo
o Diário Digital (30/10/2011), a propósito dos jovens portugueses
desempregados: «Se
estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para
além das nossas fronteiras», acrescentando que o país não pode
olhar a emigração apenas com a visão negativista da «fuga de
cérebros».
Já
assim se fazia nos anos 60... nessa altura a França pagava a
Portugal cinco mil Francos por cada português que para cá viesse,
será que agora dá cinco mil Euros?
Os
parâmetros agora são outros, a Direita portuguesa parece esquecer
que quando a crise se instalou em Portugal também se instalou em
muitos outros países, tornando o futuro dos nossos jovens
portugueses desempregados
muito inconfortável. Pergunte-se no entanto que se um jovem
desempregado em Portugal está em “zona de conforto”, em que zona
está um Secretário de Estado em actividade?
Bom,
se for o Secretário de Estado das Comunidades, José
Cesário,
deve estar em zona de desconforto, basta ler ainda o mesmo Diário
Digital: «Eu
não sei o que é que o jovem que está em São Paulo, em Toronto ou
em Paris quer. Eu não sei quais são seus interesses. Eu não sei,
muitas vezes, quais são os interesses do meu filho»! Mas como o
Governo
português quer aproximar-se do jovem luso-descendente,
espera
que esse jovem lhe diga de que maneira.
Para
que servem os Conselheiros consulares e das Comunidades? Para que
serve o Observatório da Emigração? Para que servem os Deputados
eleitos pelos Círculos da Europa e do resto do Mundo?
Para
que servem os trabalhos realizados pelas associações, federações
e vários sociólogos de há décadas a esta parte, muitos deles
co-financiados pela SEC?
Para
que servem tantas viagens de tantos Secretários de Estado das
Comunidades?
Resumindo,
aperta-se o Cinto ao Povo, mandam-se os jovens para o estrangeiro e
pergunta-se aos que lá estão o que é que se deve Fazer!
Tudo
mudou, afinal agora governar é fácil !
Aurélio Pinto
Aucun commentaire:
Enregistrer un commentaire