Atenção, há piratas em terra !
Septembro
de 2008
Até
parece uma história daquelas que se contam no café, para distrair
os amigos em dias de tertúlia. Mas não é. Há piratas em terra! Os
primeiros piratas de que reza a História foram célebres pelo volume
das suas pilhagens marítimas e por terem trabalhado a soldo de
potentes monarcas dessa época. A Francis Drake foi incumbida pela
Rainha Elisabeth I de Inglaterra, a missão de atacar os galeões
Espanhóis, o que ele fez com tanto afinco que acabou Sir! Robert
Sourcouf, natural de Saint-Malo, tanto atacou os Ingleses entre a
Revolução Francesa e o Império, que o Imperador de França deu-lhe
o título de Barão. Quanto a Jean Bart, Forbin et Dugay-Trouin, para
não citar outros, agiram todos por conta de Luís XIV de França, em
troca de um quinto do que roubavam, ou do produto das vendas como
escravos das pessoas que raptavam.
No
Século XIX, quando os estados passaram a ter as suas próprias
marinhas de guerra, a pirataria acabou.
Acabou?
Ou nem por isso?
Desde
que a Internet apareceu, lá voltou a piratagem, e que razia fazem
por vezes, e quantos milhões de Euros são por eles roubados. Mas
mesmo sem navegar na “rede”, basta viajar nas estradas desta bela
Europa, para por vezes voltar para casa descalço, pois um carro de
piratas abordou (o termo ainda serve) o nosso e levou-nos tudo. O que
é o car-jacking tanto na moda nas cidades, senão uma forma de
pirataria? No entanto as tradições mantêm-se mesmo assim no mar,
pois torna-se frequente os navegadores de recreio serem abordados
principalmente ao largo da Somália, levando já por duas vezes à
intervenção da polícia especial francesa (e a mais uma alocução
do Presidente da República). Esses resgates dos reféns pelas
autoridades não impediram pouco tempo depois a abordagem de barcos
de pesca ao atum, levando os governos da Europa a tomar sérias
decisões, como por exemplo o sobrevoo sistemático das zonas de
risco. O espírito inventivo dos piratas é fecundo e a história que
agora vos conto e que motivou todo este preâmbulo, é verdadeira,
recente e atinge um eminente membro da nossa comunidade: o nosso
compatriota Manuel Costa de Oliveira, o bem conhecido Senhor
Oliveira, Presidente da Association Portugaise de Bienfaisance.
O
Sr. Oliveira é como se sabe um empresário muito activo na área da
construção civil, há já trinta e sete anos. A empresa Costa Nova
que criou e gere, para a qual já empregou directa ou indirectamente
centenas de pessoas, tem hoje oito empregados e realiza um
confortável volume de negócios.
Como
todos nós, ao chegar o mês de Agosto, a família Oliveira
(compreendendo o sobrinho e sócio da empresa até 2002) ruma em
direcção a Portugal para gozar as bem vindas férias de Verão. Até
aí tudo bem. Ao regressar a casa a França, surpresa, tinham-lhe
roubado a empresa!
Não
lhe roubaram o dinheiro, nem o material, nada disso, foi a própria
empresa que mudou de mão, passou da do dono para a do pirata!
Com
documentos falsos, com assinaturas falsas e com uma grande falta de
vigilância dos organismos competentes em Bobigny, um aldrabão
conseguiu apropriar-se de uma empresa conceituada! Acreditamos que
não vão ser felizes com ela, pois o Senhor Oliveira não tardou a
apresentar queixa à polícia e a encarregar o seu advogado de repor
a situação na normalidade.
Suspeita
o Sr. Oliveira que alguém deve ter facultado antigos estatutos da
empresa ao vigarista, pois este, como se disse, servindo-se de falsas
assinaturas excluiu da sociedade o Sr. Oliveira e a esposa, colocando
no entanto o sobrinho como sócio maioritário (80%), ficando ele com
20% das partes de sociedade e com a gerência.
O
armazém do Sr. Oliveira não foi visitado, veículos e material
ficaram no mesmo sítio. Na morada dada pelo falsário não consta
caixa de correio da empresa...todo leva a querer que o tal Alaim
Walid (?), assim se chamaria o pseudo gerente, procura simplesmente
um estatuto social; resta agora ao Procurador da República lançar
as pesquisas necessárias para estabelecer a verdade.
Há
ou não há piratas em terra?
Aurélio Pinto
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