Agosto
de 2013
Acabo
de ler o número 42 do Lusopress Magazine.
É
sempre agradável saber notícias de gente de valor e ver caras
conhecidas em situação de sucesso, sinal que quem ajuda o destino,
mesmo sendo alguns de condição inicial modesta, acaba sempre por
alcançar patamares interessantes, por vezes mesmo para além dos
seus próprios sonhos.
Nas
comunidades, contam-se por milhares pessoas de altíssimo nível em
todos os domínios, do sector empresarial ao científico, passando
pelo artístico, literário, político, eclesiástico e...
desportivo, mas esses são conhecidos de todos !
Considero
pois louvável a iniciativa deste magazine ao dar luz aqueles que são
verdadeiros exemplos. Pena é que não cheguem as páginas para os
mostrar todos e os meios para os encontrar, presumo.
Posto
isto deparei na página 64 com uma crónica de opinião assinada por
Filipe Carvalho que me deixou perplexo. Estou globalmente de acordo
com a sua análise inicial. É um facto que a situação catrastófica
em que o país se encontra, acentua a necessidade de êxodo dos
jovens portugueses e que, sendo eles hoje mais instruídos, o perfil
dos emigrantes é diferente agora, daquele dos emigrantes dos anos
60.
Não
quer isto dizer porém, que só os analfabetos zarparam para outros
horizontes naqueles tempos. Na altura havia três tipos de emigrantes
potenciais : os que não tinham trabalho ou não ganhavam
suficientemente para comer ; os que eram contra a política e
(ou) não queriam participar nas guerras de África, (neste número
já era grande a percentagem de « instruídos »). Por
último os intelectuais e artistas que sufocavam com a falta de
liberdade e por vezes juntando às suas razões os mesmos problemas
que os outros. Todos estes emigrantes tiveram de facto de fazer
esforços para se adaparem ao país de acolhimento o que levou à
criação de uma linguagem « transversal » que « deu
no goto » dos conterrâneos quando os ouvem falar durante as
férias. Note-se que graças a isso, muita gente das nossas aldeias
ficou a saber (mais ou menos), como se diz cerveja, cenoura ou
aquecimento etc. em francês, o que sempre contribuiu para aumentar a
cultura local...
Quanto
aos novos emigrantes é certo que são mais instruídos que
antigamente, mesmo se excluirmos os « diplomados a martelo »
e os « auto-diplomados », Portugal deu, felizmente,
um assinalável salto quantitativo na educação.
Lamento
no entanto que tantos jovem diplomados tenham dado tão maus
gestores e tão maus políticos, que têm sido incapazes de
evitar que novas vagas de emigração vão existindo. Talvez por
imaginarem que a obtenção do diploma é o objectivo final,
esquecendo que depois do diploma há todo o resto da vida, com exames
a cada passo. Não
comprendo bem o que o autor quer dizer quando escreve que «
apesar da saída do país, todos os factores que caracterizam a
comunidade portuguesa – gastronomia, cultura, língua portuguesa –
se mantêm ». Está certamente a referir-se à nova emigração,
porque o que caracteriza a « antiga » é : a
capacidade de adaptação, a coragem, a força de vontade, a
seriedade e a humildade... Acredito todavia que a nova emigração
que é mais diplomada (?), e mais instruída que a das vagas
anteriores, quanto à cultura, permita-me de não aderir. A aquisição
da cultura vai muito para além dos bancos das escolas e das
faculdades, onde se aprendem especialidades. A cultura é vasta como
o Mundo.
A
geração dos anos 60 aprendia francês desde a entrada no liceu e
era de França que vinham a maioria das referências culturais.
Hoje
quando é que se aprende a língua e cultura francesas em Portugal
aonde até a nossa língua vai sendo abalroada por acordos
ortográficos sem sentido?
Grande
prioridade ao Inglês a tudo o que esteja mais perto do dólar !
Lastimo
que os nossos jovens, como os anteriores, tenham de recorrer à
expatriação, embora só por razões económias o que sempre torna a
tarefa mais leve (se tiverem de regressar não é a prisão que os
espera...) e desejo-lhes a maior sorte e felicidade. Estou mesmo
certo que se tiverem as tais capacidade de adaptação, coragem,
força de vontade, seriedade e humildade dos « antigos »,
vão dar-se bem por cá e mais tarde compreenderão que ao juntar uma
cultura a outra cultura, não se fica com duas culturas, mas sim com
uma cultura maior.
Aurélio Pinto
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