Março
de 2011
É
sempre assim, quando o calor aperta aparecem logo as moscas e como
elas sabem muito bem (deve ser genético), há que aproveitar a mais
pequena porcaria para se manterem vivas, progredir a grande
velocidade, ziguezagueando sem destino à procura de outra porcaria
qualquer. As moscas são muito activas, sempre numa grande azáfama,
zumbem, algumas até picam e vão enchendo a paisagem de cagadelas
difíceis de limpar.
O
nosso lindo país por ser quente, tem a grande reputação de ser o
paraíso das moscas. Os burros são grandes vítimas de tamanha
praga, não por serem burros, mas porque se preocupam só em fazer o
que lhes compete, segundo a opinião e a boa vontade dos donos, sem
ter grandes meios para as enxotar. Mas há muitos mais animais que as
atraem, quase todos os que têm quatro patas por exemplo, mais ou
menos porcos, ou os porcos; também os bípedes são excelentes alvos
predestinados a tais insectos, basta que transpirem um pouco e lá
vêm elas..., algumas indústrias sujas, alguns sujos mesmo sem
indústrias. Apesar de diferentes venenos, armadilhas, mata-moscas,
elas andam sempre por aí.
Mesmo
quando mudam de burro a m.
é a mesma!
Não
há corrente de ar que as leve!
Só
talvez quando se puser em prática o provérbio cigano que diz: “não
mates as moscas, limpa a porcaria que as atraí”!
Sentido
da história (?)
:
Se
transpusermos esta história para a espécie humana neste momento em
Portugal, pois é das moscas de lá que se trata, podemos colocar
várias questões; deixo-as aos nossos leitores para que cada um
reflicta sobre as respostas, por exemplo:
Quem
são as moscas?
Quem
são os burros?
E
os outros animais?
E
as indústrias sujas?
E
os sujos sem indústrias?
Quem
é que vai ter de limpar a porcaria que eles deixam?
Serão
um dia extermináveis as moscas da nossa terra?
Os
ciganos têm razão com o provérbio deles?
Moral
da história (se
assim se pode dizer...):
Enquanto
durarem as moscas, quem vai ficar na m. são os portugueses!
Agora
tudo parece fácil.
Abril
de 2011
Há
dias, referindo-me aos discursos do Presidente da República,
intitulei uma crónica “Dois a Zero”.
Hoje
o “placard” muda, passa para “Três a Um”, isto é: o
Presidente disse às 20h30 o que devia ser dito. Mas neste caso, como
num programa sobre o futebol bem conhecido da nossa televisão, os
prognósticos foram feitos depois do jogo acabado!
Hoje
tudo parece fácil de analisar e a opinião dos comentadores vai ser
pela certa convergente na apreciação da intervenção do Pr. Cavaco
Silva.
A
falta de vontade de cooperar com o Governo foi evidente, seria por
falta de propostas ou por vontade de ser “Califa no lugar do
Califa” * ? Não há dúvida que a confiança entre os partidos do
Parlamento evaporou-se (se alguma vez existiu...). Na realidade, a
crise que já era grave, agravou-se. As agência de Rating reagiram
de imediato, subtraindo níveis a Portugal, e subtraindo-nos a
credibilidade. As interpretações da política Governamental pela
oposição, traduzem-se no dia a dia por declarações bombásticas
que por certo ainda vão agravar mais a situação. A nossa História
sabe que os Portugueses têm capacidade para reagir, sabem fazer das
tripas coração e o Presidente da República faz apelo a isso.
Anuncia que os tempos vão continuar a ser muito duros, fala verdade,
mas também pede aos partidos políticos (todos) para falarem verdade
por sua vez, para serem responsáveis, para encontrarem soluções em
conjunto, porque se trata agora de salvar o País!
Pena
foi que não tenha feito estas recomendações antes, de tal modo são
razoáveis!
Também
anuncia as eleições para cinco de Junho, data que convém a todos
os partidos, pois todos querem dar voz ao Povo rapidamente, isto é
Democracia. Enfim todos de acordo!
Diz
também o Pr. Cavaco Silva que o Governo deve assegurar a gestão do
Estado até às eleições, tanto dentro como fora do País. Certo, é
lógico, mas atenção à diferença entre um Governo de gestão e um
Governo em plena actividade, ainda que minoritário.
Antes
do “chumbo” do PEC IV o Governo tinha a confiança necessária
para negociar; hoje depois do “chumbo”, não está impedido do o
fazer, mas o Parlamento tirou-lhe a credibilidade ou seja, a
capacidade negocial. Hoje as responsabilidades mudaram de dono!
Dentro
de trinta e cinco dias à saída das urnas, vamos saber quem é que
vai ocupar a liderança do País e como é que se vai atingir o
consenso entre os partidos. Até agora, só o (tão criticado) PS tem
tido um programa para governar, a oposição discorda sempre, cada um
por razões que são próprias às suas ideologias historicamente e
constantemente inaplicáveis.
Mesmo
sendo optimista fico à espera de respostas:
Será
que para o futuro as atitudes vão mudar?
Será
que os Portugueses, sacrificadas e chorosas vítimas de tanta crise
irão votar desta vez?
Ou
vão guardar a energia para votar nas eleições dos seus clubes de
futebol favoritos quando ocasião se apresentar?
*
- Iznogoud (banda desenhada), de Goscinny e Tabary
Aurélio Pinto
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