mardi 31 décembre 2013

Quando as moscas mudam de burro...

Março de 2011


É sempre assim, quando o calor aperta aparecem logo as moscas e como elas sabem muito bem (deve ser genético), há que aproveitar a mais pequena porcaria para se manterem vivas, progredir a grande velocidade, ziguezagueando sem destino à procura de outra porcaria qualquer. As moscas são muito activas, sempre numa grande azáfama, zumbem, algumas até picam e vão enchendo a paisagem de cagadelas difíceis de limpar.
O nosso lindo país por ser quente, tem a grande reputação de ser o paraíso das moscas. Os burros são grandes vítimas de tamanha praga, não por serem burros, mas porque se preocupam só em fazer o que lhes compete, segundo a opinião e a boa vontade dos donos, sem ter grandes meios para as enxotar. Mas há muitos mais animais que as atraem, quase todos os que têm quatro patas por exemplo, mais ou menos porcos, ou os porcos; também os bípedes são excelentes alvos predestinados a tais insectos, basta que transpirem um pouco e lá vêm elas..., algumas indústrias sujas, alguns sujos mesmo sem indústrias. Apesar de diferentes venenos, armadilhas, mata-moscas, elas andam sempre por aí.
Mesmo quando mudam de burro a m. é a mesma!
Não há corrente de ar que as leve!
Só talvez quando se puser em prática o provérbio cigano que diz: “não mates as moscas, limpa a porcaria que as atraí”!
Sentido da história (?) :
Se transpusermos esta história para a espécie humana neste momento em Portugal, pois é das moscas de lá que se trata, podemos colocar várias questões; deixo-as aos nossos leitores para que cada um reflicta sobre as respostas, por exemplo:
Quem são as moscas?
Quem são os burros?
E os outros animais?
E as indústrias sujas?
E os sujos sem indústrias?
Quem é que vai ter de limpar a porcaria que eles deixam?
Serão um dia extermináveis as moscas da nossa terra?
Os ciganos têm razão com o provérbio deles?
Moral da história (se assim se pode dizer...):
Enquanto durarem as moscas, quem vai ficar na m. são os portugueses!















Agora tudo parece fácil.
Abril de 2011

Há dias, referindo-me aos discursos do Presidente da República, intitulei uma crónica “Dois a Zero”.
Hoje o “placard” muda, passa para “Três a Um”, isto é: o Presidente disse às 20h30 o que devia ser dito. Mas neste caso, como num programa sobre o futebol bem conhecido da nossa televisão, os prognósticos foram feitos depois do jogo acabado!
Hoje tudo parece fácil de analisar e a opinião dos comentadores vai ser pela certa convergente na apreciação da intervenção do Pr. Cavaco Silva.
A falta de vontade de cooperar com o Governo foi evidente, seria por falta de propostas ou por vontade de ser “Califa no lugar do Califa” * ? Não há dúvida que a confiança entre os partidos do Parlamento evaporou-se (se alguma vez existiu...). Na realidade, a crise que já era grave, agravou-se. As agência de Rating reagiram de imediato, subtraindo níveis a Portugal, e subtraindo-nos a credibilidade. As interpretações da política Governamental pela oposição, traduzem-se no dia a dia por declarações bombásticas que por certo ainda vão agravar mais a situação. A nossa História sabe que os Portugueses têm capacidade para reagir, sabem fazer das tripas coração e o Presidente da República faz apelo a isso. Anuncia que os tempos vão continuar a ser muito duros, fala verdade, mas também pede aos partidos políticos (todos) para falarem verdade por sua vez, para serem responsáveis, para encontrarem soluções em conjunto, porque se trata agora de salvar o País!
Pena foi que não tenha feito estas recomendações antes, de tal modo são razoáveis!
Também anuncia as eleições para cinco de Junho, data que convém a todos os partidos, pois todos querem dar voz ao Povo rapidamente, isto é Democracia. Enfim todos de acordo!
Diz também o Pr. Cavaco Silva que o Governo deve assegurar a gestão do Estado até às eleições, tanto dentro como fora do País. Certo, é lógico, mas atenção à diferença entre um Governo de gestão e um Governo em plena actividade, ainda que minoritário.
Antes do “chumbo” do PEC IV o Governo tinha a confiança necessária para negociar; hoje depois do “chumbo”, não está impedido do o fazer, mas o Parlamento tirou-lhe a credibilidade ou seja, a capacidade negocial. Hoje as responsabilidades mudaram de dono!
Dentro de trinta e cinco dias à saída das urnas, vamos saber quem é que vai ocupar a liderança do País e como é que se vai atingir o consenso entre os partidos. Até agora, só o (tão criticado) PS tem tido um programa para governar, a oposição discorda sempre, cada um por razões que são próprias às suas ideologias historicamente e constantemente inaplicáveis.
Mesmo sendo optimista fico à espera de respostas:
Será que para o futuro as atitudes vão mudar?
Será que os Portugueses, sacrificadas e chorosas vítimas de tanta crise irão votar desta vez?
Ou vão guardar a energia para votar nas eleições dos seus clubes de futebol favoritos quando ocasião se apresentar?




* - Iznogoud (banda desenhada), de Goscinny e Tabary

Aurélio Pinto

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