mardi 31 décembre 2013

As tristes consequências de um Governo inconsequente

Abril de 2013

Vou sempre lendo com atenção o que diz a imprensa portuguesa, de dentro e de fora, porque sendo eu de dentro e estando fora, mal fora se assim não fizesse. Como um pescador olha as sua redes, também olho as minhas, virtuais estas, mas repletas de opiniões e informações que, mesmo se o refugo é grande, vão completando um panorama do que se passa no Mundo dos Portugueses.
Primeiro observei o Governo de José Sócrates a combater contra diversos problemas, alguns da sua auto producção, a maioria postos pelos seus adversários (ou inimigos?) políticos, outros criados por uma sociedade de consumo que imaginou que os euros caiam das árvores e que nem seria preciso regar para ter mais, e os problemas fomentados pelos actores do Mercado, dos Bancos às lojas do chinês, e mais a crise mundial... e mais a crise europeia...
Vi "grandes leaders europeus" fazer "rapa-pés" à Mm. Merkel, esquecendo que a Alemanha sugou economicamente a Europa, ignorando o desígnio da União Europeia.
Depois vi em Portugal a oposição de direita, atenta, combativa, pronta a ocupar o lugar dos "incompetentes" responsáveis por todos os males do País. Pronta a salvar a Pátria! Vi ao mesmo tempo a esquerda (a que nunca governa) apoiar a direita para acabar com os "malfazejos".
E assim foi, o povo, incauto, votou para que a alternância acontecesse.
Passei então a ver e ouvir promessas de todos os tipos. Qual delas a mais aliciante, a mais humana a mais democrática. Seguiu-se a festa, o Sol voltou a brilhar no Jardim Lusitano. Foi Sol de pouca dura! Logo chegaram as primeiras desilusões. Cada visita da troika cada pesadelo. E como se não bastasse estes "salvadores" decidiram fazer mais do que a troika obriga.
Seguiram-se as manifestações; multidões bateram recordes de descontentamento, e os "salvadores da nação" sempre rumando no mesmo sentido, sós, altaneiros, suficientes e ineficazes.
Em Portugal asfixiam-se os trabalhadores e os reformados, nada se faz para tentar erradicar o desemprego, nem para promover a indústria, vendem-se os bens públicos.
É o que se vai vendo e lendo por aí. Mas como não se sabe resolver problema nenhum, evacuam-se alguns, os jovens por exemplo! Não há cá trabalho? Faz como fez o teu avô, vai para fora e procura! Assim disse este Governo com outras palavras! Mas como seria de esperar, também não informou nem orientou convenientemente esses convidados para a saída. Ainda pior, nas Comunidades para onde esses jovens vão, tudo se tem dificultado de dia para dia. Em França por exemplo: a Embaixada tem falta de pessoal: ex.: Adido Cultural, Adido de Imprensa e Adido Social, etc.
O Consulado Geral de Portugal em Paris tem de assumir permanências em Bourges, Lille, Nantes, Poitiers, Reims, Rennes, Roubaix, Rouen... enquanto que o número de funcionários vai diminuindo peocupantemente e o número de utentes aumenta.
Os professores são despedidos a meio do ano, ao mesmo tempo prepara-se uma lei que permita cobrar propinas aos alunos.
Os jornais comunitários são elogiados mas não recebem ajudas... Os jornais nacionais despedem jornalistas, a Lusa teme a sua dissolução (para o que já alertou os deputados).
Cada vez há menos correspondentes no estrangeiro e conhecedores do terreno nem se fala!
As associações, como a APCS de Pontault-Combault e a Santa Casa da Misericórdia , entre outras, não têm ajudas significativas, são elas porém que tentam prestar assistência au "naufragados do Governo" que chegam mal informados e sem vintém, a um país que também anda às voltas com grandes dificuldades para dar emprego aos que já cá estão.
Triste panorama numa altura em que as remessas dos emigrantes atingem recordes, com um aumento de 13% na última década. Segundo o Banco de Portugal, o montante das remessas é de 2,75 mil milhões de euros, sendo mais ou menos metade proveniente da Europa, suspeitando-se aliás que irá aumentar em 2013.
Enquanto isto, o Governo escondendo (mal) discórdias mantem-se, e promete ficar.

O Chefe do Estado parece assistir impávido e sereno, publicando relatório incompleto depois du último Conselho de Estado e os portugueses vão sofrendo, as tristes consequências de um Governo inconsequente!
Aurélio Pinto

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