Maio
de 2013
Os
leitores do Lusojornal e de outros jornais e revistas já devem ter
reparado que eu gosto de jornalismo. Se assim não fosse por que
carga de água é que andaria por aí a escrever por tudo quanto é
jornal ou revista há mais de quinze anos ? Foi na rádio que
aprendi a gostar de escrever, pois, para falar é sempre (deve
ser...) necessário preparar o programa. Em variedades, artes, etc...
tem de se fazer guiões sobre a matéria ( e isso é muito
trabalhinho de bastidor); quem imagina que é só chegar ao estúdio
e abrir a boca, acaba sempre por ser convidado pelo Director de
antena a voltar aos seus antigos afazeres, salvo raras excepções
que dizem respeito a grandes talentos ou … a maus Directores de
antena ! Aí cabe ao ouvinte de « zapar » e o
espectáculo continua. Numa crónica de opinião o cronista deve
saber do que está a falar, ser honesto e verídico, se tiver uma boa
noção do assunto de que vai falar, basta escrever, mas raramente o
faz sem preparação ; só assim pode veícular a sua opinião
de maneira credível. Quando se trata de informar, a coisa torna-se
mais delicada : é preciso pesquisar, verificar, confrontar,
ponderar, ser imparcial. É na realidade um trabalho
interessantíssimo mas de forte responsabilidade, tanto mais forte
quanto mais forte é o assunto a tratar.
Para
tudo isto há escolas, é claro que é bom ter um certo geito e
vontade. Eu comecei a zero. Era preciso fazer, não havia dinheiro
para pagar profissionais... e lá vou eu ! Muito mais tarde até
tirei um curso, um jornal propôs-me para ter uma carta de
jornalista comunitário (que tive de pagar do meu bolso). Criei com
um grupo de amigos, um jornal na Internet, com jornalistas pagos e
tudo (que foi o primeiro do Mundo exclusivamente para a Internet) e
que durou sete anos. Mas nunca improvisei. Quando não conheço o
assunto abstenho-me ! É este o meu percurso de jornalista
amador e benévolo. Assim talvez compreendam melhor a minha
indignação quando vejo o trabalho de certos jornalistas com
formação, que são enviados para as Comunidades, para contar o que
nelas se passa e informar (!) o público nacional e não só, porque
muitas vezes, e eu lamento, os seus trabalhos (?)são aproveitados
por jornais comunitários que acabam também por « desinformar »
os seus leitores. O problema não é de hoje nem só da imprensa. As
rádios e as televisões nacionais enchem-nos os ouvidos e os olhos
de barbaridades sobre as Comunidades, assunto que eles ignoram por
completo, como aliás também o país ignora congénita e
deploravelmente. Quando acontece um evento importante numa comunidade
e Portugal envia jornalistas ou solicita os seus representantes nessa
comunidade, quem é que o jornalista vai entrevistar em primeiro
lugar ou unicamente ? Os convidados vindos de Portugal !
Sobre o que é que incide normalmente o seu artigo ou peça ?
Sobre a ctualidade de Portugal ! Mas quando não há convidados
vindos de Portugal e é necessário dar a opinião da Comunidade, aí
é mais difícil... « quem não sabe é como quem não vê »
como diziam os antigos ; vai pedir-se a opinião seja a quem
for, sem pesquisar, verificar, confrontar, ponderar, ser imparcial.
Conclusão : se o jornalista não tiver sorte na escolha dos
seus « entrevistados » e se um chef de redacção o
publicar... engana todos os incautos leitores que acreditam que um
artigo assinado por um jornalista, de uma agência ou média
reputados, sabe o que está a fazer !
Esta
triste história é inspirada pelo artigo intitulado « Emigrantes
portugueses fazem balanço negativo do primeiro ano de Hollande »,
publicado no Lusojornal nº 127, Série II, du 08 mai 2013. Exemplo
claro do que afirmo : má ecolha de intervenientes que por
razões que certamente nada têm a ver com as de boa-fé, mostram
não ter nenhuma visão dos problemas que a Europa vive há já tanto
tempo ; o jornalista não trabalhou, transcreveu opiniões sem
ponderar, não procurou outras vertentes, escreveu um artigo
simplório sem interesse e longe da verdade... e o Lusojornal
publicou .
Bom
sejamos positivos, sempre serviu par me fazer reagir, mas que diabo,
vamos lá a ser mais sérios em serviço !
Aurélio Pinto
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