mardi 31 décembre 2013

Vamos lá a ser mais sérios em serviço

Maio de 2013

Os leitores do Lusojornal e de outros jornais e revistas já devem ter reparado que eu gosto de jornalismo. Se assim não fosse por que carga de água é que andaria por aí a escrever por tudo quanto é jornal ou revista há mais de quinze anos ? Foi na rádio que aprendi a gostar de escrever, pois, para falar é sempre (deve ser...) necessário preparar o programa. Em variedades, artes, etc... tem de se fazer guiões sobre a matéria ( e isso é muito trabalhinho de bastidor); quem imagina que é só chegar ao estúdio e abrir a boca, acaba sempre por ser convidado pelo Director de antena a voltar aos seus antigos afazeres, salvo raras excepções que dizem respeito a grandes talentos ou … a maus Directores de antena ! Aí cabe ao ouvinte de « zapar » e o espectáculo continua. Numa crónica de opinião o cronista deve saber do que está a falar, ser honesto e verídico, se tiver uma boa noção do assunto de que vai falar, basta escrever, mas raramente o faz sem preparação ; só assim pode veícular a sua opinião de maneira credível. Quando se trata de informar, a coisa torna-se mais delicada : é preciso pesquisar, verificar, confrontar, ponderar, ser imparcial. É na realidade um trabalho interessantíssimo mas de forte responsabilidade, tanto mais forte quanto mais forte é o assunto a tratar.
Para tudo isto há escolas, é claro que é bom ter um certo geito e vontade. Eu comecei a zero. Era preciso fazer, não havia dinheiro para pagar profissionais... e lá vou eu ! Muito mais tarde até tirei um curso, um jornal propôs-me para ter uma carta de jornalista comunitário (que tive de pagar do meu bolso). Criei com um grupo de amigos, um jornal na Internet, com jornalistas pagos e tudo (que foi o primeiro do Mundo exclusivamente para a Internet) e que durou sete anos. Mas nunca improvisei. Quando não conheço o assunto abstenho-me ! É este o meu percurso de jornalista amador e benévolo. Assim talvez compreendam melhor a minha indignação quando vejo o trabalho de certos jornalistas com formação, que são enviados para as Comunidades, para contar o que nelas se passa e informar (!) o público nacional e não só, porque muitas vezes, e eu lamento, os seus trabalhos (?)são aproveitados por jornais comunitários que acabam também por « desinformar » os seus leitores. O problema não é de hoje nem só da imprensa. As rádios e as televisões nacionais enchem-nos os ouvidos e os olhos de barbaridades sobre as Comunidades, assunto que eles ignoram por completo, como aliás também o país ignora congénita e deploravelmente. Quando acontece um evento importante numa comunidade e Portugal envia jornalistas ou solicita os seus representantes nessa comunidade, quem é que o jornalista vai entrevistar em primeiro lugar ou unicamente ? Os convidados vindos de Portugal ! Sobre o que é que incide normalmente o seu artigo ou peça ? Sobre a ctualidade de Portugal ! Mas quando não há convidados vindos de Portugal e é necessário dar a opinião da Comunidade, aí é mais difícil... « quem não sabe é como quem não vê » como diziam os antigos ; vai pedir-se a opinião seja a quem for, sem pesquisar, verificar, confrontar, ponderar, ser imparcial. Conclusão : se o jornalista não tiver sorte na escolha dos seus « entrevistados » e se um chef de redacção o publicar... engana todos os incautos leitores que acreditam que um artigo assinado por um jornalista, de uma agência ou média reputados, sabe o que está a fazer !
Esta triste história é inspirada pelo artigo intitulado « Emigrantes portugueses fazem balanço negativo do primeiro ano de Hollande », publicado no Lusojornal nº 127, Série II, du 08 mai 2013. Exemplo claro do que afirmo : má ecolha de intervenientes que por razões que certamente nada têm a ver com as de boa-fé, mostram não ter nenhuma visão dos problemas que a Europa vive há já tanto tempo ; o jornalista não trabalhou, transcreveu opiniões sem ponderar, não procurou outras vertentes, escreveu um artigo simplório sem interesse e longe da verdade... e o Lusojornal publicou .
Bom sejamos positivos, sempre serviu par me fazer reagir, mas que diabo, vamos lá a ser mais sérios em serviço !

Aurélio Pinto

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