Março de 2011
Podem
dizer os que maldizem, que eu estava psicologicamente preparado para
apreciar o primeiro discurso oficial do novo (!) Presidente da nossa
República, como apreciei o último, do candidato eleito Cavaco
Silva; mas não!
Incentivo
sempre cada cidadão a votar, implicitamente, respeito o resultado
dos votos.
Não
gostei do discurso após as eleições porque não o achei digno do
alto cargo para que acabava de ser eleito e porque foi um discurso de
divisão. Não foi um discurso de um Presidente de todos os
Portugueses!
No
discurso de tomada de posse hoje, o Presidente da República fez uma
análise da situação do País, bastante correcta em termos de
diagnóstico, sem dúvida. Falou na necessidade de união, em esforço
colectivo, em proteger os desfavorecidos, e citou o extraordinário
espírito de solidariedade (?) dos portugueses. Fê-lo num período
de referência de dez anos mas, esqueceu-se de lembrar que durante
esses dez anos também teve responsabilidades. Esqueceu-se ainda que
a crise que nos afecta também afectou todos os países do Mundo!
Pena
foi não ter tido tais propósitos durante a campanha eleitoral...
ter-se-á esquecido ? ou será porque aí era preciso preservar
votos?
Hoje
o Presidente de todos os Portugueses fez um discurso de propaganda
das ideia do seu partido. Criticou tudo o que tem sido feito pelo
Governo, mas não falou de soluções, deu certificados de
incompetência, de falta de conhecimento do terreno, de falta de
integridade na distribuição de cargos, em suma foi o Presidente de
todos os portugueses de... direita!
E
para coroar o conjunto da alocução, afirmou que só os jovens podem
ajudar o país a ultrapassar as dificuldades, só eles podem apagar o
desaire dos últimos dez anos, certamente com a experiência
adquirida e graças ao conhecimento da vida real e do terreno,
exortando-os a “sonhar mais alto” (que bonito) e a ir para a rua
dizer o que pensam! Calha bem no Sábado está prevista uma
manifestação de jovens!
Hoje
o Presidente tomou partido, dividiu. Foi por isso que não gostei do
discurso.
Eu
bem sei que não traduzo a opinião de todos os portugueses, nem do
meu partido, mas digo o que penso e ninguém tem nada que agradecer.
Aurélio Pinto
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