Dezembro
de 2010
Não
tenhamos dúvidas, é mesmo uma vergonha! Qualquer português que se
preze não pode ficar indiferente a tal situação. Mas felizmente a
maior parte deles não tem culpa nenhuma disso, muitos até se
esforçam para evitar que tal aconteça, outros ajudam mesmo sem
saber, estou a pensar em todos aqueles que com as remessas que enviam
regularmente, contribuem largamente para melhorar a vida dos seus
compatriotas.
Mas
os esforços individuais não chegam para evitar os problemas
causados por uma má gestão do País que se vem arrastando há
muitos anos.
A
desregulamentação económica, para facilitar a vida das empresas,
não evitou que a crise europeia de 1993 provocasse em Portugal um
enorme aumento do desemprego.
Durante
os anos faustos em que a Europa despejou rios de dinheiro em
Portugal, o aspecto do país mudou imenso, mas foi quase
exclusivamente a rede rodoviária que absorveu tal maná. Por outro
lado a agricultura passou ao lado da repartição; enquanto algumas
manadas de gado iam de camião de prado em prado, para justificar
empreendimentos fictícios, os terrenos ficavam por cultivar, e a
criação de gado continuava na mesma. Muito mais real era o
benefício daqueles que aproveitavam dos bem-vindos capitais para
empreendimentos pessoais cujos benefícios os foram enriquecendo.
Esses hoje não têm fome! Durante esses anos, o que é que foi feito
para preparar o futuro da economia de Portugal? Desenvolvimento das
pequenas e médias empresas? Agricultura? Pescas? Formação? Nada!
Inaugurar troços de auto-estradas em excesso nunca preparou o futuro
de ninguém. Sua Excelência o Presidente da República está
envergonhado porque há portugueses com fome, só? Mas o facto de
durante quase 17 anos ter governado o País de uma maneira ou de
outra, sem ter visto chegar as crises ou sem ter tomado precauções
para as evitar, sem criar as condições para que os portugueses
ficassem ao abrigo de situações de precariedade extrema como a que
se vive actualmente, não é razão para vergonha! Pelo contrário, é
experiência positiva que será posta ao serviço de Portugal se for
reeleito, certamente com os votos daqueles que vão comer os restos
dos restaurantes!
Portugal
precisa muito de quem ajude, mas convém não esquecer que cada um
tem de se ajudar a si memo, e será esse o supremo sacrífico, pois
será necessário mudar de modo de vida. Será preciso que cada um se
convence que só pode gastar aquilo que tem, senão é a falência
garantida, e isto tanto é válido para o individuo, como para uma
família, ou empresas e mesmo o Estado. Como é que para além da
disciplina pessoal se podem obter resultados positivos, sem recorrer
por exemplo ao FMI? A título individual ou familiar, não se
deixando encandear pelo brilho de pseudo facilidades que normalmente
conduzem ao desastre. As empresas devem evitar de só pensar nos
ganhos de produtividade, e admitir que se os trabalhadores perderem o
poder de compra mais tarde ou mais cedo não há quem compre o
produto. O Governo tem o dever de propor, explicar e cumprir soluções
e leis realistas e de se assegurar que cada um as respeita.
O
cidadão deve estar no centro das preocupações, mas também deve
ter a preocupação de exercer os seus deveres de cidadão: de se
informar, de participar na vida cívica da Nação, de especificar a
sua opinião, de votar... para escolher aqueles que nos governam,
para evitar de um dia talvez, ter de andar a comer os restos dos
restaurantes e encher algum Presidente de vergonha!
Aurélio Pinto
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