mardi 31 décembre 2013

Rock’in FLORA

Julho de 2011

O Restaurante “Sur un R de Flora”* já nos tinha habituado a muitos tipos de eventos artísticos, filosóficos, associativos, de reflexão, de fado, de músicas étnicas, de lançamentos de livros, exposições etc. mas desta vez a surpresa foi ainda maior; na passada quinta feira houve Rock em português e de que maneira!
Perante uma sala cheia de um público que sabia para o que vinha, o que não impediu de iniciar a noite por um apreciável jantar lusófono, viu passar os Sidney Rock e os Norte Sul.
Três guitarras, uma bateria, um piano, percussões e coro, acompanharam a voz de Sérgio Carmino que cativou a sala, num estilo dinâmico e suave que se impôs de canção em canção. Sérgio Carmino prepara a segunda gravação e espera participar nalgumas primeiras partes de concertos de grupos conceituados. Ficámos convictos que isso e muito mais vai acontecer dentro de pouco tempo.
Este evento foi apadrinhado por António Manuel Ribeiro, o carismático vocalista dos UHF que veio a Paris propositadamente para dar apoio aos Sidney Rock. Também cantou acompanhando-se à guitarra com a cumplicidade improvisada de David Rito, guitarrista dos Dark Chocolate. “Noites de Lisboa”, “Rua do Carmo”... Momentos mágicos em que o tempo pára, ou melhor, corre em marcha atrás, para nos lembrar o que se passou desde 1978, ano em que nasceram os UHF. António Manuel Ribeiro estava feliz por ali ouvir um grupo de Rock Português de França a cantar em português... de Portugal.
Depois conversámos bastante com o histórico vocalista, que também é poeta já com quatro livros publicados, mas principalmente homem de evidente bom senso. Quando lhe perguntámos que tal o estado da música em Portugal hoje, respondeu sorrindo mais ou menos assim: “há muito papel de parede mas pouca tela pintada”.
Não se ofusca com a falta de um Ministério da Cultura, se o Secretário de Estado tiver meios, competência e vontade para andar com a Cultura para a frente, pois a Cultura está na base da Vida.
Quisemos saber o que António Manuel Ribeiro pensa do acordo ortográfico; respondeu sem equívoco que se ele nem sequer é aceite por todos os lusófonos, não vale a pena destruí-lo pois é o único verdadeiro património nacional... quando há tanto que construir neste momento...
Projectos para o futuro? Não parar e acabar a gravação de uma canção de união que dedica a todos os portugueses.

Aurélio Pinto

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