Julho
de 2011
O
Restaurante “Sur un R de Flora”* já nos tinha habituado a muitos
tipos de eventos artísticos, filosóficos, associativos, de
reflexão, de fado, de músicas étnicas, de lançamentos de livros,
exposições etc. mas desta vez a surpresa foi ainda maior; na
passada quinta feira houve Rock em português e de que maneira!
Perante
uma sala cheia de um público que sabia para o que vinha, o que não
impediu de iniciar a noite por um apreciável jantar lusófono, viu
passar os Sidney Rock e os Norte Sul.
Três
guitarras, uma bateria, um piano, percussões e coro, acompanharam a
voz de Sérgio Carmino que cativou a sala, num estilo dinâmico e
suave que se impôs de canção em canção. Sérgio Carmino prepara
a segunda gravação e espera participar nalgumas primeiras partes de
concertos de grupos conceituados. Ficámos convictos que isso e muito
mais vai acontecer dentro de pouco tempo.
Este
evento foi apadrinhado por António Manuel Ribeiro, o carismático
vocalista dos UHF que veio a Paris propositadamente para dar apoio
aos Sidney Rock. Também cantou acompanhando-se à guitarra com a
cumplicidade improvisada de David Rito, guitarrista dos
Dark
Chocolate. “Noites de Lisboa”, “Rua do Carmo”... Momentos
mágicos em que o tempo pára, ou melhor, corre em marcha atrás,
para nos lembrar o que se passou desde 1978, ano em que nasceram os
UHF. António Manuel Ribeiro estava feliz por ali ouvir um grupo de
Rock Português de França a cantar em português... de Portugal.
Depois
conversámos bastante com o histórico vocalista, que também é
poeta já com quatro livros publicados, mas principalmente homem de
evidente bom senso. Quando lhe perguntámos que tal o estado da
música em Portugal hoje, respondeu sorrindo mais ou menos assim: “há
muito papel de parede mas pouca tela pintada”.
Não
se ofusca com a falta de um Ministério da Cultura, se o Secretário
de Estado tiver meios, competência e vontade para andar com a
Cultura para a frente, pois a Cultura está na base da Vida.
Quisemos
saber o que António Manuel Ribeiro pensa do acordo ortográfico;
respondeu sem equívoco que se ele nem sequer é aceite por todos os
lusófonos, não vale a pena destruí-lo pois é o único verdadeiro
património nacional... quando há tanto que construir neste
momento...
Projectos
para o futuro? Não parar e acabar a gravação de uma canção de
união que dedica a todos os portugueses.
Aurélio Pinto
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