Agosto
de 2011
Dando
a minha habitual vista de olhos pelos média de Portugal, parei na
Rádio Renascença por aí ter encontrado títulos reveladores da
confusão que parece reinar no nosso país, ou pelo menos nas cabeças
de alguns, ou será na minha? Vejam só:
Transcrevo na íntegra o artigo intitulado “Escolha de cargos de direcção deixa de ser apenas por critério ministerial”, inserido no dia 8/08/2011 que me parece anunciar medidas interessantes:
O
preenchimento de cargos de direcção superior deixará de ser
efectuado unicamente por critério de escolha ministerial e passará
a ser precedido de concurso aberto.
Segundo
a proposta hoje entregue pelo Governo aos partidos, a que a Lusa teve
acesso, o concurso será aberto a cidadãos, com ou sem vínculo à
Administração Pública.
A
iniciativa de abertura do procedimento cabe ao membro do Governo, que
define o respectivo perfil, experiência profissional, competências
de gestão e formação exigíveis aos candidatos, e elabora a carta
de missão onde são vertidos os objectivos a atingir, devidamente
quantificados e calendarizados.
Já
as fases de recrutamento e de selecção, em que se inclui “a
avaliação concreta do perfil, das competências, da formação e da
experiência profissional exigíveis aos candidatos” caberá a uma
entidade administrativa independente, designada por Comissão de
Recrutamento e Selecção para a Administração Pública.
Ainda
segundo a proposta, a actividade deste órgão será acompanhada por
uma Comissão de Fiscalização independente do Governo, a funcionar
junto da Assembleia da República.
O
recrutamento realizado por concurso será publicitado na bolsa de
emprego público, portais electrónicos, órgão de imprensa de
expansão nacional e na 2ª série do Diário da República.
Qual
não foi o meu espanto ao deparar hoje com este título e respectivo
artigo:
Governo vai poder recusar dirigentes escolhidos por concurso
Afinal,
os ministros vão ter poder para recusar dirigentes da Administração
Pública escolhidos por concurso público. O “Jornal de Negócios”
revela que a proposta do Governo, que é hoje discutida com os
sindicatos do sector, prevê a possibilidade de o ministro rejeitar
os três candidatos pré seleccionados por concurso e escolhidos pela
comissão de recrutamento.
E quando isso acontecer, passa a ser o titular da pasta a sugerir três candidatos à referida comissão, que depois dá um parecer vinculativo.
O projecto do Governo é acabar com os chamados "jobs for the boys" nos cargos de topo da Administração Pública.
E quando isso acontecer, passa a ser o titular da pasta a sugerir três candidatos à referida comissão, que depois dá um parecer vinculativo.
O projecto do Governo é acabar com os chamados "jobs for the boys" nos cargos de topo da Administração Pública.
Um
passo para a frente, dois passos para a retaguarda; parece-me que a
entidade administrativa independente e
a Comissão
de Fiscalização independente do Governo vão
acabar por trabalhar para o boneco. Esperemos que ambas não sejam
constituídas por “boys”
desde o início.
Encontrei
ainda no SITE da rádio Renascença mais títulos engraçados, por
exemplo: “BE exige explicações ao ministro das Finanças sobre
fundo de pensões”, PS quer explicações sobre antecipação dos
aumentos do IVA na energia”, “Marcelo diz que o aumento do IVA é
uma pantufada
na classe média”, “PS: Governo só anuncia medidas que provocam
desigualdades”, “PCP promete lutar contra medidas de
austeridade”, mas para terminar e para que tudo acabe em bem,
“Passos Coelho quer diálogo e paz social”.
Como
se diz cá por França:
ce n’est
pas
gagné!
Hélas!
Aurélio Pinto
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