Março
de 2009
Todas
os meses recebo dezenas de e-mails de amigos que insistem em fazer
aumentar a minha modesta cultura. A todos os meus agradecimentos. No
entanto pena tenho ao constatar que por vezes trata-se mais de
provocação ou de trabalho “ao corpo” para desmoralizar ou pelo
menos "desentusiasmar". É tempo perdido, sou homem de
convicções e só a lógica e os factos me convencem. O último foi
um estudo de Eugénio Rosa que se eu bem li, não consegue senão
baralhar os incautos, misturando alhos com bugalhos , redistribuindo
responsabilidades antigas por actores novos, ignorando as múltiplas
acções positivas realizadas pelo governo actual, de molde a
banalizar o seu trabalho, coragem e inteligência, face a uma crise
que é mundial, mas que em Portugal já começou há muitos anos.
Muito antes que este Governo estivesse em exercício.
O
que é deplorável e revelador do que seria o futuro do nosso país,
é o facto de pessoas consideradas de valor, se prestem ao jogo que
consiste em deturpar as realidades deitando poeira nos olhos dos mais
distraídos que lêem os seus artigos.
Senão
digam-me lá: em que país da Europa os salários das mulheres são
iguais aos dos homens? A quem se deve essa triste realidade, será
aos socialistas (principalmente aos portugueses) ou à ganância
daqueles que exploram quem trabalha, para que mais lhes renda o
capitalismo que aplicam?
Com
estas bases, como é que as reformas das mulheres podem ser iguais às
dos homens?
Que
Governo é que em Portugal aumentou as reformas desde o de Cavaco
Silva (época em que as reformas ficavam sistematicamente por pagar a
tantos idosos que viviam às atenças dos familiares ou vizinhos)?
Para
que serve comparar os salários (ou reformas) dos administradores com
os dos operários, a diferença é escandalosa, pois é! mas assim
dita o sistema económico que nos rege. A solução passará por
congelar todos os salários, analisar as situações e depois
redistribuir pelos que têm a menos o que outros têm a mais.
Congelar também todas as outras regalias dos que já usufruem de
grandes salários e ajudar aqueles que nunca tiveram regalia nenhuma.
Talvez para resolver a crise actual se possa enveredar por estes
caminhos (até parece que o Governo de Sócrates vai nessa direcção)
e chegar enfim a uma justiça que ainda ninguém soube ou quis
aplicar. Mas a refracção será imensa e não faltarão mais
opiniões comparando alhos com bugalhos para demonstrar que a
urgência não é resolver os problemas mas sim enfraquecer quem
governa. A direita dirá: “Estão a ver? Até o PCP o diz... e a
esquerda de oposição responde logo: “afinal o PSD não é tão
mau como isso”...
Pôr
em evidência a disparidade das reformas nas diferentes regiões ou
cidades também é pura demagogia, então abram o registo, comparem
as nossas regiões com outras da zona Euro para mais aumentar a
confusão. A política para ser útil tem de ser honesta, por em
evidência os defeitos dos outros sempre foi mais fácil do que
sugerir ou propor soluções aplicáveis. Mas é com soluções
aplicáveis que se avança e não deitando poeira para os olhos de
cada um.
Mas
não só a internet veícula coisas que me fazem reagir. A rádio, a
televisão e os jornais que consulto regularmente também mostram
cada uma! Por exemplo, uma publicidade do ME (Movimento Emigrante)
que anuncia um protesto contra a corrupção em Portugal, exigindo
respeito e consideração pelos nossos direitos pessoais e de
propriedade em Portugal (estão a ver a coerência e o sentido
prático?). Apelam para uma manifestação no dia 30 de Março às
9h, frente ao Consulado Geral de Portugal. Pronto, é a democracia,
toca a andar! No entanto como eu não percebo bem para o que é que
serve realmente uma tal manifestação, e para que de facto a ida à
rue Georges Berger sirva para qualquer coisa, sugiro que as pessoas
que ainda não estão recenseadas no Consulado aproveitem (acaba a 6
de Abril...). Depois da reestruturação consular o serviço é
rápido e vai haver eleições este ano...
Também
o MMS (Movimento Mérito e Sociedade) recentemente criado, me
convenceu logo quando Eduardo Correia disse (lusojornal N°203) serem
as seguintes, as razões que o levaram a criar este novo partido
português: 1) - “Os Partidos que têm estado no poder não têm
passado de empresas de tráfego de poder”. 2) – “somos um povo
com falta de confiança nos políticos actuais”.
Aproveitando
o movimento, com este dois assuntos e um sócio de mérito, até dava
para fundar dois partidos...
Assim
vai a vida aqui por Paris e podemos ficar descansados porque a Dra.
Manuela Ferreira Leite veio cá dizer aos militantes do PSD que o PS
trabalha mal, que quando ela for Governo só fará coisas boas para
os emigrantes: não fecha Consulados, dará importância à língua e
à Cultura e aproxima a administração dos emigrantes (será com
sucursais das Lojas do Cidadão?) ah! Já me esquecia, contrariamente
ao seu antecessor não promete criar nenhum Ministério da
Emigração, diz que quer Governos pequenos. Não me admira, com tão
poucas ideias, mal fora que quisesse um Governo Grande...
Aurélio Pinto
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