Março
de 2013
Não há no território nacional nenhum português que não tenha de perto ou de longe uma ligação a outro português que resida no estrangeiro!
É evidente, porque se há 10 milhões de portugueses em Portugal, há também mais 5 milhões de portugueses espalhados pelo Mundo.
infelizmente o êxodo parece estar longe de acabar, dada a falta de oportunidades de trabalho no país e os incentivos irresponsáveis de um Governo que prefere afastar as dificuldades, do que resolvê-las.
Nota-se
por parte de todos os cidadãos que residem fora há muitos anos e
principalmente dos que já nasceram fora, um crescente interesse pela
participação cívica. Em França, vinte cinco por cento já estão
inscritos nas lista eleitorais. Cerca de três mil e quinhentos foram
eleitos nos cargos que lhes são possíveis nas Câmaras deste país.
Alguns com a dupla nacionalidade, ocupam até funções bastante
relevantes e o trabalho que vão realizando já vai dando sinais de
uma melhor compreensão dos problemas da comunidade por parte de quem
nos acolhe e governa.
Na
realidade é participando na vida cívica do local ou do país onde
se vive, que se consegue ter alguma (por vezes muita) influência nas
políticas locais e por consequência na vida da sociedade.
Sabe-se
que quase todos os portugueses de França participam na vida
associativa, desportiva ou cultural portuguesa, como animadores,
aderentes ou simples observadorers, porque se sentem tão portuguêses
como quando saíram das suas terras e tentam projectar a imagem de
Portugal e da sua cultura, tal como a interpretam e com os meios de
que dispõem, isto a todos os níveis etários e em todas as áreas.
Sabe-se
também que se passa o contrário no que diz respeito à vida
política.
A
diáspora pouco se ocupa de tal sector!
Nesse
sentido grandes esforços têm sido feitos, de há muitos anos até
agora nas comunidades por parte principalmente de associações ou
federações, mas também de partidos políticos, embora estes em
menor escala, certamente com o mesmo medo que os Governos têm tido:
que o “adversário” recolha mais sufrágios...
Será
certamente graças a este trabalho que também neste campo há sinais
de progresso, o que é de louvar.
Em
regra geral as Comunidades Portuguesas usufruem de uma excelente
reputação; os portugueses são considerados bons trabalhadores,
sérios, económicos, autónomos e activos, por isso são sempre
vistos como bem integrados. É aliás esta a imagem tradicional
sempre posta em evidência por todos os responsáveis políticos que
nunca se preocuparam em formar para a vida cívica os emigrantes,
mas contando sempre com os seus votos e a tradicional participação
económica.
No
entanto, cada ano que passa traz mais dificuldades aos portuguese que
vivem no estrangeiro, dificuldades que este ano atingem níveis
imprevisíveis pelos mais péssimistas. Não falo unicamente nas
consequências da crise que atinge todos, falo também e muito
específicamente, das últimas decisões que nos impactam.
Se
atendermos ao montante das remessas que se encontram em cumes nunca
inimagináveis no século XXI (7 milhões e meio de Euros por dia, ou
seja 2, 75 mil milhões de Euros em 2012), e o número de cidadãos
no estrangeiro que não cessa de aumentar, somos obrigados a
constatar que se continua a lavrar mais fundo nos erros do passado.
Vejamos:
Quatro
deputados, cuja escolha e acção (na maioria dos casos) nada tem a
ver com o interesse pelas Comunidades, para cinco milhões de
Portugueses residentes nos mais variados países.
Conselho
das Comunidades Portuguesas de pouco interesse com funcionamento
caótico e principalmente, sem peso político.
Muitas
Embaixadas e Consulados com falta de pessoal.
Diminuição
irresponsável da rede Consular.
Diminuição
irresponsável do corpo docente dedicado ao ensino do Português, da
sua História e Cultura.
Implementação
de propinas para os alunos das comunidades.
Ausência
de estruturas de acolhimento em caso de retorno ao país,
nomeadamente para os idosos.
Falta
ou ineficácia de estruturas de acolhimento para empresários que
queiram estabelecer-se em Portugal.
Ridículo
apoio à vida associativa e cultural.
Ausência
de apoio à imprensa comunitária.
Falta
de difusão televisiva de qualidade.
Falta
ou insuficiência de apoio à implicação cívica.
Dificuldades
de acesso à administração
fiscal.
Ineficácia
no atendimento aos emigrantes por parte da Segurança Social.
A
maior parte destes problemas podem ser resolvidos sem grandes
dificuldades ou custos, mas com uma grande determinação e vontade
política.
Em
democracia há lugar para todos!
Os
portugueses trabalhadores no estrangeiro, não estarão nunca do lado
dos problemas para Portugal nem dos países de acolhimento, mas sim
do lado das soluções.
Mas
para isso há que votar (por aqueles de quem mais se gosta), mas só
quem VOTA é que CONTA!
Aurélio Pinto
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