mardi 31 décembre 2013

Comunidades, viveiro de eleitores

Março de 2013

Não há no território nacional nenhum português que não tenha de perto ou de longe uma ligação a outro português que resida no estrangeiro!

É evidente, porque se há 10 milhões de portugueses em Portugal, há também mais 5 milhões de portugueses espalhados pelo Mundo.

infelizmente o êxodo parece estar longe de acabar, dada a falta de oportunidades de trabalho no país e os incentivos irresponsáveis de um Governo que prefere afastar as dificuldades, do que resolvê-las.

Nota-se por parte de todos os cidadãos que residem fora há muitos anos e principalmente dos que já nasceram fora, um crescente interesse pela participação cívica. Em França, vinte cinco por cento já estão inscritos nas lista eleitorais. Cerca de três mil e quinhentos foram eleitos nos cargos que lhes são possíveis nas Câmaras deste país. Alguns com a dupla nacionalidade, ocupam até funções bastante relevantes e o trabalho que vão realizando já vai dando sinais de uma melhor compreensão dos problemas da comunidade por parte de quem nos acolhe e governa.
Na realidade é participando na vida cívica do local ou do país onde se vive, que se consegue ter alguma (por vezes muita) influência nas políticas locais e por consequência na vida da sociedade.
Sabe-se que quase todos os portugueses de França participam na vida associativa, desportiva ou cultural portuguesa, como animadores, aderentes ou simples observadorers, porque se sentem tão portuguêses como quando saíram das suas terras e tentam projectar a imagem de Portugal e da sua cultura, tal como a interpretam e com os meios de que dispõem, isto a todos os níveis etários e em todas as áreas.
Sabe-se também que se passa o contrário no que diz respeito à vida política.
A diáspora pouco se ocupa de tal sector!
Nesse sentido grandes esforços têm sido feitos, de há muitos anos até agora nas comunidades por parte principalmente de associações ou federações, mas também de partidos políticos, embora estes em menor escala, certamente com o mesmo medo que os Governos têm tido: que o “adversário” recolha mais sufrágios...
Será certamente graças a este trabalho que também neste campo há sinais de progresso, o que é de louvar.
Em regra geral as Comunidades Portuguesas usufruem de uma excelente reputação; os portugueses são considerados bons trabalhadores, sérios, económicos, autónomos e activos, por isso são sempre vistos como bem integrados. É aliás esta a imagem tradicional sempre posta em evidência por todos os responsáveis políticos que nunca se preocuparam em formar para a vida cívica os emigrantes, mas contando sempre com os seus votos e a tradicional participação económica.
No entanto, cada ano que passa traz mais dificuldades aos portuguese que vivem no estrangeiro, dificuldades que este ano atingem níveis imprevisíveis pelos mais péssimistas. Não falo unicamente nas consequências da crise que atinge todos, falo também e muito específicamente, das últimas decisões que nos impactam.
Se atendermos ao montante das remessas que se encontram em cumes nunca inimagináveis no século XXI (7 milhões e meio de Euros por dia, ou seja 2, 75 mil milhões de Euros em 2012), e o número de cidadãos no estrangeiro que não cessa de aumentar, somos obrigados a constatar que se continua a lavrar mais fundo nos erros do passado.
Vejamos:
Quatro deputados, cuja escolha e acção (na maioria dos casos) nada tem a ver com o interesse pelas Comunidades, para cinco milhões de Portugueses residentes nos mais variados países.
Conselho das Comunidades Portuguesas de pouco interesse com funcionamento caótico e principalmente, sem peso político.
Muitas Embaixadas e Consulados com falta de pessoal.
Diminuição irresponsável da rede Consular.
Diminuição irresponsável do corpo docente dedicado ao ensino do Português, da sua História e Cultura.
Implementação de propinas para os alunos das comunidades.
Ausência de estruturas de acolhimento em caso de retorno ao país, nomeadamente para os idosos.
Falta ou ineficácia de estruturas de acolhimento para empresários que queiram estabelecer-se em Portugal.
Ridículo apoio à vida associativa e cultural.
Ausência de apoio à imprensa comunitária.
Falta de difusão televisiva de qualidade.
Falta ou insuficiência de apoio à implicação cívica.
Dificuldades de acesso à administração fiscal.
Ineficácia no atendimento aos emigrantes por parte da Segurança Social.
A maior parte destes problemas podem ser resolvidos sem grandes dificuldades ou custos, mas com uma grande determinação e vontade política.
Em democracia há lugar para todos!
Os portugueses trabalhadores no estrangeiro, não estarão nunca do lado dos problemas para Portugal nem dos países de acolhimento, mas sim do lado das soluções.
Mas para isso há que votar (por aqueles de quem mais se gosta), mas só quem VOTA é que CONTA!
Aurélio Pinto


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