Julho
de 2013
Quando
se vive em França há tantos anos como eu e que ao memo tempo se
guarda uma relação estreita com Portugal, é difícil deixar de
estabelecer paralelos entre os dois países. É certo que sendo as
diferenças grandes, há muitas coisas que nos une. A História das
duas nações sempre esteve ligada, nos bons e maus momentos, todos
nos lembramos dos casamentos reais que en vários períodos marcaram
o destino de Portugal, mas também das invasões napoleónicas que
tanto afectaram o país. Nas últimas guerras também portugueses
participaram, como testemunha o cemitério de La Lys no norte de
França. Tudo isto, a religião, os intercâmbios culturais e por fim
a imigração dos portugueses em França reforça-nos a faculdade de
utilizar uma espécie de "osmose alargadora" que nos leva,
quase sempre, a analisar os problemas duas vezes. Por exemplo se se
fala de futebol em França, do PSG, do Lyon ou do Marseille, logo se
estabelecem paralelos com o Benfica o Porto ou o Sporting. Quando
falamos de grandes realizadores de cinema franceses, lembramo-nos
imediatamente do "nosso" Manuel de Oliveira; no ciclismo
ainda ninguém esqueceu Joaquim Agostinho. E quando estamos a comer
um bom prato da gastronomia francesa, há um conviva que cita o
equivalente (quase sempre existente) da portuguesa. Sem falar do
tempo... "hoje em Paris está um lindo dia, mas em Lisboa estão
40° e foi tudo para a praia!". Pois!
Na
política é a mesma coisa! Não se pode analisar uma situação de
num lado sem que a ponte se instale. Comparam-se e criticam-se os
governantes, as políticas, as situações, as reacções, as
conivências. Quando se fala dos cidadãos, parece que não há
grande diferença, e até se pode compreender pelo que acima foi
dito. No entanto franceses e portugueses têm reações diferentes em
certos casos. Não tomo o exemplo do desporto onde ambos são
"chauvinistas" até
dizer
basta. Também não falo na veemência das críticas partidárias que
são similares em intensidade. Falo mais no posicionamento cívico de
cada um. Em França elege-se um Presidente da República com grande
entusiasmo e maioria significativa, por exemplo 60% de votos a favor,
no dia que se segue 80% dos franceses felicitam-se com o resultado.
No mês (ou meses) que se segue começam as críticas ao recém
eleito, porque afinal havia um melhor candidato. A alternância vai
acontecendo (e a crise vai ganhando terreno, mas isso é outro
assunto). Em Portugal não! Elege-se um indivíduo, sem grande
entusiasmo, repara-se que ele não sabe o que anda a fazer,
critica-se, manifesta-se, diz-se que ele devia saír; até aí
compreende-se. O que se compreende menos é que, ao mesmo tempo,
também se vai dizendo que o que se deve candidatar ao cargo também
é mau (mesmo se as sondagem o indicam como sendo o melhor...), mesmo
antes de o vêr em acção (e acrise vai ganhando terreno, mas isso é
outro assunto. Ou não?). Todos diferentes todos iguais, vamos mas é
para a praia, em Portugal que é melhor que aqui!
Aurélio Pinto
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