mardi 31 décembre 2013

Todos diferentes todos iguais

Julho de 2013

Quando se vive em França há tantos anos como eu e que ao memo tempo se guarda uma relação estreita com Portugal, é difícil deixar de estabelecer paralelos entre os dois países. É certo que sendo as diferenças grandes, há muitas coisas que nos une. A História das duas nações sempre esteve ligada, nos bons e maus momentos, todos nos lembramos dos casamentos reais que en vários períodos marcaram o destino de Portugal, mas também das invasões napoleónicas que tanto afectaram o país. Nas últimas guerras também portugueses participaram, como testemunha o cemitério de La Lys no norte de França. Tudo isto, a religião, os intercâmbios culturais e por fim a imigração dos portugueses em França reforça-nos a faculdade de utilizar uma espécie de "osmose alargadora" que nos leva, quase sempre, a analisar os problemas duas vezes. Por exemplo se se fala de futebol em França, do PSG, do Lyon ou do Marseille, logo se estabelecem paralelos com o Benfica o Porto ou o Sporting. Quando falamos de grandes realizadores de cinema franceses, lembramo-nos imediatamente do "nosso" Manuel de Oliveira; no ciclismo ainda ninguém esqueceu Joaquim Agostinho. E quando estamos a comer um bom prato da gastronomia francesa, há um conviva que cita o equivalente (quase sempre existente) da portuguesa. Sem falar do tempo... "hoje em Paris está um lindo dia, mas em Lisboa estão 40° e foi tudo para a praia!". Pois!
Na política é a mesma coisa! Não se pode analisar uma situação de num lado sem que a ponte se instale. Comparam-se e criticam-se os governantes, as políticas, as situações, as reacções, as conivências. Quando se fala dos cidadãos, parece que não há grande diferença, e até se pode compreender pelo que acima foi dito. No entanto franceses e portugueses têm reações diferentes em certos casos. Não tomo o exemplo do desporto onde ambos são "chauvinistas" até
dizer basta. Também não falo na veemência das críticas partidárias que são similares em intensidade. Falo mais no posicionamento cívico de cada um. Em França elege-se um Presidente da República com grande entusiasmo e maioria significativa, por exemplo 60% de votos a favor, no dia que se segue 80% dos franceses felicitam-se com o resultado. No mês (ou meses) que se segue começam as críticas ao recém eleito, porque afinal havia um melhor candidato. A alternância vai acontecendo (e a crise vai ganhando terreno, mas isso é outro assunto). Em Portugal não! Elege-se um indivíduo, sem grande entusiasmo, repara-se que ele não sabe o que anda a fazer, critica-se, manifesta-se, diz-se que ele devia saír; até aí compreende-se. O que se compreende menos é que, ao mesmo tempo, também se vai dizendo que o que se deve candidatar ao cargo também é mau (mesmo se as sondagem o indicam como sendo o melhor...), mesmo antes de o vêr em acção (e acrise vai ganhando terreno, mas isso é outro assunto. Ou não?). Todos diferentes todos iguais, vamos mas é para a praia, em Portugal que é melhor que aqui!
Aurélio Pinto





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