Fevereiro
de 2010
Por
mais que procure à minha volta e na memória, não há maneira de
encontrar alguém que nunca tenha mentido!
O
homem é assim, desde criança mente quando acha necessário, ainda
que inconscientemente, para evitar de levar uns tabefes do pai ou da
mãe; para convencer os amigos que ele (ou o pai) é o melhor, o mais
forte, o mais rico etc. Mais tarde toda a gente mente minha gente! As
gabarolices da vida amorosa são invariavelmente mentira, os altos
feitos desportivos, também numa grande percentagem. As mães dizem
às vizinhas que os filhos tiveram muito boas notas, mais tarde que
arranjaram grandes situações; os que foram para o estrangeiro estão
podres de ricos. Nos empregos mente-se, para agradar, para vender,
para convencer, para não pagar, para ser aumentado, para subir, para
subir...
Com
a prática atinge-se um patamar de escolha, mentira construtiva ou
destrutiva, mas...
Com
um certo pudor, toda a gente mente, minha gente.
Só
os políticos é que não!
Até
parece que estou a tentar fazer uma crónica humorística, mas não,
seria impossível, estando dado o que se passa em Portugal. O país
vem sofrendo de tantos males há muitos anos, basta só ler a nossa
História a partir da implantação da República. Portugal tem
passado de instabilidade a crise, de crise a instabilidade, depois ao
fascismo que amordaçou todos e tudo, economia, indústria, cultura,
artes; e o colonialismo, que para além da economia já em mau
estado, ia arrasando definitivamente a juventude. Em Abril de 1974
nasceu a esperança, começou a poder respirar-se. Momentos maus,
momentos melhores, mas o país foi progredindo. Há quem diga que
não, mas é mentira. E foi a partir dessa altura (25 de Abril) , que
com a Liberdade se passou a mentir ainda mais descaradamente. Toda a
gente se acha no direito de afirmar seja o que for, sobre seja quem
for, livremente e agora descaradamente. Conta-se a História ao
contrário, atribuem-se os seus próprios defeitos àqueles a quem se
quer causar dano, inventam-se coisas do arco da velha a propósito de
tudo e de nada, em toda a liberdade, certos da sua impunidade. Em
período de campanhas eleitorais, já se sabe que aqueles que muito
prometem estão forçosamente a mentir. Aí cada cidadão pode
sancionar com o seu voto. Mas depois, quando nas eleições não se
atingem os objectivos e se envereda pelo caminho da calúnia para
destabilizar o adversário (hoje o Governo na pessoa do
Primeiro-ministro) tratando-o de mentiroso, sem escrúpulos;
inventando casos; pondo em cena casos banais para que se tornem casos
capitais, sem ter em consideração o estado em que o país se
encontra, sem medir as consequências de um agravamento da crise,
principalmente quando fora do Governo não se vislumbra alguém com
qualidade para fazer tão bem ou melhor. Quando nestes enredos se
envolvem personalidades e partidos que só têm dado exemplos pela
negativa e que dão mostras de um desentendimento interno
confrangedor como o PSD, que aliás num passado recente mostrou ao
Mundo como conduzir Portugal à penúria. Quando ainda para mais se
coligam com outros partidos de valores (?) antipódicos, já não se
lida só com mentiras. Será que agora vale tudo? E o interesse
Nacional?
E
para dar mais vulto ao desastre, os Média fazem eco e amplificam,
sem a mais pequena parcela de profissionalismo, de consciência e de
respeito por quem lê.
No
meio de tanta treta, a única pessoa que merece alguma consideração
e ajuda é o Eng.º José Sócrates.
Se
não quiserem não me acreditem, mas olhem que eu não sou mentiroso!
Aurélio Pinto
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